Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A geração 5.0 e as novas formas de empregabilidade

A ditadura do automóvel

Escreve quem sabe

2019-06-09 às 06h00

Manuel Barros

Este tema foi que desenvolvi, no âmbito da 4ª Conferência integrada nas comemorações do 10º aniversário do Mestrado em Psicologia do Trabalho e das Organizações, da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa. Uma iniciativa implementada ao longo do ano letivo e coordenada pela Profa. Fátima Lobo, que envolveu os estudantes, professores, profissionais da gestão, empreendedores e um vasto conjunto de parceiros estratégicos ao longo do ano letivo. Uma dinâmica integrada na 3ª missão da Universidade, que potenciou a ligação deste Curso de Mestrado com o meio, através de uma reflexão alargada sobre suas as potencialidades e fomentou a partilha de ideias e experiências, sobre dinâmicas atuais e futuras do mercado de trabalho.
Uma temática que se enquadra no tema nacional sobre o “Talento do Futuro”, que a Reitoria lançou no âmbito da celebração do dia da Universidade Católica, e que tenho vindo a tratar em colaboração com a Direção da FFCS de Braga. Uma reflexão desenvolvida em torno do posicionamento estratégico da oferta formativas, das linhas de investigação e da sua articulação com as tendências do mundo das profissões e das necessidades das empresas e da sociedade global. Uma realidade marcada pelo novo perfil da sociedade digital, onde a formação em ciências humanas e sociais, está a ser alvo de uma atenção cada vez maior e uma particular preocupação, em relação às perspetivas de empregabilidade dos atuais e futuros diplomados, apesar do papel estruturante destas áreas científicas no sistema de ensino superior.
A Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais é instituição de ensino superior de referência, detentora de uma história notável, que está empenhada em afirmar uma dinâmica de ensino e de investigação capaz de responder aos desafios presentes e futuros do ecossistema científico, tecnológico, económico, social e cultural, no contexto regional, nacional e internacional. Tendências que configuram profundas mudanças na comunicação, na organização do trabalho e nos hábitos de vida das pessoas, que estão a transformar a nossa sociedade com o objetivo de a tornar mais eficiente, com uma indústria e uma economia mais produtivas, com maior qualidade e que venham a utilizar cada vez menos recursos.
Um processo que implica o desenvolvimento de novos conceitos e novas ideias, num mundo laboral mais interdisciplinar, voltado para o saber-fazer e associado às aprendizagens que resultam de experiências assentes na inovação, na automação e na inteligência artificial, que estão a tornar obsoletos muitos trabalhos manuais repetitivos e a descontinuar muitas profissões tradicionais. A concorrência está a desviar-se da norma, e os profissionais da “geração 5.0”, vão ter de estar preparados para competir num mercado de trabalho cada vez mais imprevisível, onde a mudança é o fator mais determinante da aferição da estabilidade das organizações e do mundo do trabalho.
O sistema educativo e de formação profissional, não poderão ficar indiferentes a esta revolução industrial, dos sistemas cyber-físicos, internet das coisas e dos serviços, aliados à biotecnologia, à inteligência artificial, à robótica e à nanotecnologia, que estão a transformar radicalmente a forma como nos estamos a organizar e como vamos trabalhar. O desenvolvimento tecnológico está a assumir, uma grande relevância, tal como afirmou Norbert Bormman, no seu livro Dicionário do Futuro, “quanto maior é a velocidade a que o tempo corre, tanto mais difícil se torna imaginar claramente o futuro. Este nunca foi tão incerto como atualmente”. Sendo necessário responder com eficácia, à revolução tecnológica em ritmo acelerado, para antecipar o futuro e formular políticas públicas para a “sociedade 5.0”.
Uma nova realidade social e cultural marcada pela convergência das tecnologias, promovida com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e a empregabilidade das novas gerações. Iniciada no Japão e marcada por resistências e hesitações que foram superadas e, entretanto, está a ser adotada noutros contextos geopolíticos, a que o nosso sistema de ensino superior e de formação profissional, terão que dar uma resposta eficaz, eficiente e com maior efetividade. Envolnvolvendo-se na construção do caminho a seguir e, na reflexão sobre a forma como terão de enfrentar os desafios que o desenvolvimento social e a tecnologia vão colocar aos profissionais da “geração 5.0”. À sua articulação com as necessidades reais das organizações e à preparação para o mercado de trabalho, percebendo como se pode potenciar a relação simbiótica com a tecnologia e com a realidade digital.
O caminho a seguir, ainda está em debate e as opiniões são muito divergentes. Estando por esta razão, muitas instituições de ensino superior a formar para um mercado que está saturado, e/ou que já não existe. Uma situação que tem registado um esforço de inversão, através da criação de respostas às exigências impostas pelas mudanças na organização do trabalho, que exigem novas trajetórias profissionais, e implicam novas formas de empregabilidade. Um ajustamento que não é uma tarefa fácil e pressupõe um processo de ensino/aprendizagem, capaz de antecipar o que vai ser requerido pelo mercado de trabalho, quando os estudantes concluírem os seus percursos formativos.
A evolução da ciência e da tecnologia estimulou a criação de novos mercados, novos produtos e serviços, com um impacto direto e muito significativo, no crescimento económico e na criação de emprego. Um novo “interface” entre o sistema educativo, a sociedade e o mercado de trabalho. As organizações vão ser diferentes, assim como o sistema educativo e de formação profissional aos mais diversos níveis. Um contexto, que prevê a participação ativa da “Geração 5.0”, constituída pelos atuais e futuros diplomados, numa perspetiva de “responsabilidade partilhada” para robustecer o mercado de trabalho, que exige uma nova postura das instituições de ensino superior na promoção das novas formas de empregabilidade e do emprego, na linha do que foi feito por este Curso de Mestrado em Psicologia do Trabalho e das Organizações.

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