Correio do Minho

Braga,

A Geração Lusofonia em movimento - Parte I

Serviços de pagamento: mudaram as regras

Ideias

2012-10-21 às 06h00

Carlos Pires

Apesar de não ser um seu leitor assíduo, confesso que muito ‘batalhei’ para obter o número 57 da revista inglesa ‘Monocle’, uma publicação mensal de culto (para muitos!), focada em matérias do foro económico, cultural e do ‘design’. Não, a ‘Monocle’ não é apenas ‘dandy’; é claramente uma revista que antecipa tendências e que por isso é merecedora do elitismo a que está associada.
Posto isto, o que me levou a palmilhar ruas, bater à porta de vários quiosques e livrarias, enfrentar filas enfurecidas de gentes que se digladiavam por um exemplar da “Monocle”? Exageros à parte, passo a explicar as razões pelas quais vivi momentos de tão saudável ansiedade: se o caríssimo(a) leitor(a) - tal como eu - integra o grupo de pessoas ávidas de ver Portugal com ‘mais luz’ aos o-lhos do mundo, então, acredite, a ‘Monocle’ de Outubro é uma verdadeira ‘lufada de ar fresco’, puro deleite e motivo de êxtase para a (nossa) alma lusa. A revista visitou Portugal, bem como os restantes sete países, espalhados por quatro continentes, que partilham a mesma língua e dedicou o seu último número à lusofonia, procurando analisar, com um olhar especial e profundo, os motivos pelos quais o português está a tornar-se “crescentemente, a língua dos negócios, da diplomacia, desporto e cultura”!
O editor, Steve Bloomfield, justifica: “sentimos que o mundo lusófono é muitas vezes ignorado pelos outros e era altura de alguém reparar (…) países que estão a crescer economicamente e onde estão a acontecer coisas fantásticas (…), tudo apesar dos problemas económicos sérios que Portugal atravessa”.
As 258 páginas da revista foram inteiramente dedicadas à “nova língua do poder e dos negócios” e à ideia de que existe uma geração em sintonia (“a cantar a mesma canção”, refere-se!) dentro do universo lusófono. É esta a ideia forte que dá capa à edição da “Monocle” - três jovens dão a cara e cada um serve de ‘modelo’ para um país (Portugal, Angola e Brasil) e respectivos temas em destaque. Assim, Portugal surge com os Açores em realce, com chamada para o artigo “Porque devemos ficar de olho nas ilhas”; sublinham-se os motivos por que em Brasília “é essencial ter amigos bem colocados”; ainda, promete-se explicar 'quem você precisa de conhecer em Luanda'.
Mas se em Portugal o ex-líbris da história são os Açores - “ilhas soalheiras, belas e seguras, mas o país parece não saber o que fazer com elas”, escreve Andrew Mueller nas primeiras linhas da reportagem -, a ‘Monocle’ na viagem que fez pelo nosso país observa Lisboa, o Porto, o estuário do rio Sado e destaca o exemplo de Siza Vieira, o potencial de produtos como a cortiça, o potencial turístico de zonas como a Comporta e o Museu de Arte e Arqueologia da Foz do Côa, referencia personalidades “inspiradoras” e empresas. Confesso que ao observar algumas fotos não deixei de suspirar perante aquelas imagens, imagens do meu Portugal mais sonhado e querido, salvo do cimento e do caos urbanístico. Fabulosa é ainda a reportagem fotográfica de Maputo, apelidada de 'uma joia da arquitectura em África', a par de artigos sobre o Brasil - desde a produção televisiva do país, ao mundo dos centros comerciais de topo de São Paulo, passando por referências a produtos como as havaianas - ou Angola, cujo desenvolvimento diz tanto do quanto Angola tem crescido nos últimos anos como do “desmoronamento de Portugal”.
“Está na hora do resto do mundo começar a aprender um pouco de português.” É desta forma desafiadora que o último número da ‘Monocle’ aborda o universo da Lusofonia, pelo potencial que tem no mundo dos negócios. “O maior potencial está na população”, nos 250 milhões de falantes de português dispersos por países que vão muito para lá dos oito estados-membros da CPLP. “São essas pessoas que vão ajudar as economias nacionais a desenvolver-se e há uma verdadeira oportunidade de tirar proveito disso”, defende Steve Bloomfield.
Estimado(a) leitor(a), prometo voltar a partilhar convosco este tema, do qual a presente crónica constituiu mera introdução. Muitas ‘nuances’ há ainda a dedilhar, muitos outros “olhares”, desde o fenómeno do êxodo de executivos e jovens portugueses para outros países, passando pelo poder potencial das ligações entre países da comunidade lusófona (o tal poder ao qual Vitor Gaspar e Álvaro Santos Pereira teimam em fechar os olhos!). E só não vê quem é cego. Até breve.
* Advogado

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