Correio do Minho

Braga, sábado

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A 'Geração Erasmus' e a empregabilidade

Assim-assim, ou assim, sim?

Ideias

2016-09-25 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Estamos a iniciar mais um ano letivo no ensino superior. Os resultados do processo ingresso foi muito positivo, na generalidade das Universidades e Institutos Politécnicos da Região Norte. É um momento que, ciclicamente, levanta muitas questões, problemas, dúvidas e incertezas, devendo ser analisado com a preocupação de olharmos para alguns sinais que decorrem de resultados menos conseguidos, de algumas áreas de formação e de algumas instituições.

Neste contexto, e entre tudo o que há de mais positivo e menos positivo, os temas da empregabilidade e do emprego são recorrentemente, colocados no cento da agenda social e das políticas europeias para a educação, a que o nosso sistema não é alheio, avaliando por um conjunto de eventos e incitativas que se vão sucedendo no panorama europeu, nacional e regional. Revisitam-se reflexões, partilham-se alegrias, confirmam-se projetos de vida, reafirma-se a sua importância na construção de uma sociedade mais desenvolvida, mais culta, mais solidária e universal, em prol de um futuro melhor para as novas gerações.

Assim aconteceu no Concurso de Boas Práticas Erasmus +, no passado dia internacional da paz, que se comemorou no passado dia 21 de setembro. Uma excelente iniciativa que decorreu no Salão Medieval da Universidade do Minho, organizada pelas Agências Nacionais responsáveis pela gestão e implementação do programa comunitário Erasmus+, Educação e Formação e Juventude em Ação.

Um evento marcado pela nobreza do propósito e do espaço, onde foram premiadas 15 instituições de educação e de juventude, que juntou dois membros do Governo, a Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rolo e o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, acompanhados pelo Reitor da Universidade do Minho, António Cunha e pelo Diretores da respetivas Agências Nacionais, Joana Mira Godinho e Pedro Soares.

A paz, a inclusão, a justiça social e a construção do projeto europeu foram temas profusamente abordados em toda a cerimónia, a propósito da importância e dos contributos diretos do programa Erasmus+, no que diz respeito ao seu desenvolvimento sustentabilidade e manutenção. No entanto, o enfoque foi colocado no seu contributo para uma maior empregabilidade e para a promoção do emprego dos jovens com formação superior, em ambiente de mobilidade internacional. A sua participação reduziu drasticamente o tempo em permanecem desempregados, em relação aos jovens que nunca fizeram Erasmus.

Cinco anos depois a taxa de desemprego da “Geração Erasmus” é inferior a 23%, tal como afirmou a Professora. Fernanda Rolo, considerando uma mais-valia para a empregabilidade dos diplomados com formação superior, pela sua dimensão multicultural, pelo desenvolvimento da capacidade de aprender e pela aquisição de conhecimento que proporciona. Acrescenta valor e dá acesso a um conjunto de ferramentas, que promovem competências fundamentais para resolver problemas e lidar com a grande diversidade, que compõe a Europa.

Sendo a cultura humanista uma dimensão fundamental, da matriz do programa Erasmus+, o investimento que a juventude está a fazer vai, seguramente ter um retorno muito importante na consolidação de uma sociedade mais humana e mais justa. Uma dinâmica que, na perspetiva da governante, está a implicar novos desafios para o ensino superior, ao nível da capacidade de resposta, que decorre da necessidade de alargar a formação a um maior número de jovens no espaço europeu.

Não obstante o esforço efetuado através do Erasmus e de outras iniciativas que as universidades e politécnicos têm vindo a implementar, e a melhoria de desempenho, dentro e fora do ensino superior no âmbito de empregabilidade, ficou vincada em todas as intervenções, a recomendação de uma melhor articulação dos diversos serviços, gabinetes e instituições, que têm a seu cargo a definição e execução de orientações estratégicas, que visam a empregabilidade dos estudantes e diplomados.

Sendo consensual a recomendação para dotar as instituições dinâmicas que permitam monitorizar a empregabilidade dos seus cursos, tendo em vista a racionalização da sua oferta, para que ela possa de facto corresponder a necessidades do mercado de trabalho. Uma maior e mais efetiva colaboração entre as associações juvenis, estudantis, de alumni e os serviços de apoio à empregabilidade e empreendedorismo, de forma a agilizar uma melhoria dos conteúdos informativos e uma maior eficácia das iniciativas de promoção das oportunidades de emprego para os novos diplomados.

Um bom ponto de partida para se pensar numa estratégia de promoção da empregabilidade. Um objetivo passa por dar uma resposta contínua e atualizada face às necessidades de um mercado de trabalho globalizado, às novas realidades do tecido económico, produtivo e empresarial, e às exigências de qualificações e de competências profissionais, que se encontram em constante renovação.

Neste sentido, sendo este programa esforço colaborativo de um leque alargado de instituições, sustentado pela riqueza da diversidade dos países envolvidos, levou a Comissão Europeia a reconhecer “Geração Erasmus”, como conceito distintivo de uma formação em mobilidade, um processo de educação intercultural e uma dinâmica empreendedora.

Estando previsto o envolvimento de 4 milhões de jovens no programa Erasmus+, no período de 2014 e 2020, tal como informou o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, o programa Erasmus+ vai continuara a ser, com toda a certeza, uma forte instrumento estratégico ao serviço da promoção de empregabilidade dos jovens europeus.

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