Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A Gastronomia a puxar pelo país

Um dia a escola muda – eu acredito!

Escreve quem sabe

2014-02-21 às 06h00

Rui Marques

Agastronomia é um produto chave na afirmação turística das cidades como do país. Nunca se deu tanta atenção à gastronomia como hoje. As principais realizações culturais e económicas que acontecem um pouco por todo o país quase sempre têm a gastronomia como mote principal. E a verdade é que os eventos gastronómicos têm uma capacidade inigualável de promover a dinamização económica e cultural dos territórios.
A Associação Comercial de Braga acredita no enorme potencial de negócio que o setor representa e, sobretudo, na fulcral importância que os operadores do setor têm na afirmação cultural e turística da região onde se inserem. São verdadeiros embaixadores da cultura de um povo.
E não somos só nós que acreditamos. O governo também acredita. E até acredita que os empresários da restauração são todos ricos e que ganham uma fortuna! Pelo menos é o que se pode depreender do aumento absurdo da taxa do IVA no setor. Mais, agora ir ao restaurante é como ir à Casa da Sorte, podemos vir de lá ricos. Ricos, talvez não. Mas de automóvel topo de gama, já pode ser. As faturas dos restaurantes são uma espécie de raspadinha, oferecida pelo Estado pelo bom comportamento do contribuinte na fiscalização dos negócios dos “abastados” empresários da restauração.
Sobre a questão do IVA, às vezes ouço alguns “especialistas” a dizerem que o imposto é suportado pelos consumidores, portanto, os restaurantes “não são mais do que os outros”, que aguentem. Bem, de facto, não são mais importantes do que outros empresários. É verdade. Também é verdade que o IVA é um imposto que incide sobre o consumo. Não se discute. Mas a verdade, à vista de todos, é que a taxa do IVA aumentou de 13 para 23% e os preços praticados na restauração não subiram. Pelo contrário, de forma global têm vindo a descer, como se pode comprovar pelos níveis de inflação registados. No caso, deflação. Ou seja, são os empresários que estão a suportar o aumento da taxa à custa da sua já reduzida margem de rentabilidade. Não podemos esquecer que os preços na restauração não aumentam há muitos anos. Porém os custos de laboração não param de aumentar. Custos com pessoal, custos financeiros, custos de contexto, matérias primas, todos a subir, todos os anos.
E atenção não era apenas em Portugal que o setor da restauração tinha uma taxa de IVA mais baixa. Em diversos países europeus, nomeadamente aqueles que são nossos concorrentes mais diretos em termos turísticos existia, e continua a existir, uma taxa de IVA mais baixa para este setor. Aliás, neste momento, somos dos raríssimos países europeus com vocação turística em que a taxa de IVA da restauração é equivalente à taxa geral.
O balanço da medida tem sido basicamente este: o Estado tem vindo a receber muito mais IVA do setor. Dizem que quase que duplicou. E os restaurantes? Esses vão lutando de sol a sol pela sobrevivência. Muitos, mas são mesmo muitos, não têm resistido e têm fechado. De norte a sul, do interior ao litoral, do regional ao sofisticado, do novo ao antigo, muitos têm sido os que têm desaparecido dos mapas gastronómicos do nosso país, desaparecendo com eles dezenas de milhares de postos de trabalho e de referências identitárias e culturais das diferentes regiões.
Apesar deste tratamento do estado português, felizmente, os portugueses e os turistas continuam a estimá-los e a valorizar o seu trabalho.
Na ACB temos vindo a desenvolver um conjunto alargado de iniciativas que envolvem o setor. Temos vindo a atuar a dois níveis. Ao nível da dinamização do negócio, corporizando iniciativas de promoção coletiva que resultem em aumento de tráfego nos restaurantes, na conquista de novos clientes e na mediatização do setor. A iniciativa em curso “Sugestões do Chef”, é bom exemplo desta linha de ação da ACB. Como foi o Roteiro do Presépio de Priscos e será o Roteiro das Papas de Sarrabulho que apresentamos ontem, em parceria, com o Município de Amares. Ao nível da qualificação dos operadores do setor, promovendo um programa educacional para as empresas e profissionais do setor que visa melhorar as competências chave dos operadores e prepará-lo para a internacionalização do negócio. Ainda, na passada 4ª feira, lançamos a iniciativa “Menu Polyglot” que vai permitir a tradução para 5 línguas estrangeiras das ementas de 100 restaurantes da região, preparando estes estabelecimentos com ferramentas essenciais para bem acolher os turistas. Assim como, temos vindo também a desenvolver, e continuaremos ao longo de 2014, diversas ações de formação para o setor ao nível das línguas estrangeiras, da segurança alimentar, em técnicas de cozinha e na gestão e serviço de vinhos.
A adesão dos empresários às ações coletivas de promoção e às ações de qualificação tem sido notável, denotando uma enorme maturidade dos responsáveis das empresas e uma grande vontade em se tornarem mais competitivos e mais qualificados. Tenhamos também governantes à altura das suas responsabilidades e com discernimento para valorizar o importante papel deste setor na dinamização económica do país e adequar a política fiscal de modo a que o setor possa continuar a contribuir para a sustentabilidade e progresso de Portugal.

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