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Braga, sábado

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A formação profissional ao serviço das pessoas e das organizações

Viagem a Viena

A formação profissional ao serviço das pessoas e das organizações

Ideias

2019-06-23 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Este foi o tema do seminário comemorativo dos 30 anos do Serviço de Formação Profissional de Braga, organizado pela Delegação Regional do Norte do IEFP, numa iniciativa integrada no ciclo de debates mais alargado, sobre a "Formação Profissional na Região – Diálogo com as Empresas”, que reuniu um painel de dirigentes nacionais e regionais do IEFP, do POPH, da empresa Primavera Software e da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, coordenadores e formadores. Uma organização de grande oportunidade sobre a história do Centro de Formação e a forma como conseguiu antecipar e prever as exigências do mercado de trabalho, para dar resposta às necessidades e aos desafios nos diversos contextos políticos e sócio-económicos, e a sua projeção futura ao serviço das pessoas e das organizações da região.
Uma história de sucesso, marcada pela abertura ao meio e por uma relação com o setor empresarial, social e com o ensino superior, pela aposta na melhoria da qualidade da formação, pela requalificação das instalações. Apoiada pelo reforço gradual do corpo técnico para assegurar a articulação com as empresas e a antecipação das mudanças, no que diz respeito às respostas formativas na sua vasta região de implantação, numa dinâmica de “proximidade inteligente” ao longo das três décadas de funcionamento, e que em 2018 envolveu cerca de dez mil formandos jovens e adultos.
Um excelente painel de oradores, que produziu uma reflexão para melhor entender o funcionamento do sistema sobre a formação profissional em vigor no país, e o nível de qualificação dos portugueses no contexto europeu, apresentando uma resenha história do processo e do papel do Serviço de Formação Profissional na promoção da inserção profissional dos jovens e adultos desempregados. Num processo resultante do ajustamento das suas competências aos requisitos no mercado de trabalho, e da melhoria das qualificações e do perfil de competências dos ativos, através da criação de valor e de diferenciação profissional e social. Enaltecendo a capacidade de adaptação às necessidades e a articulação dos mecanismos de ação com as dinâmicas políticas públicas sociais, de educação e de desenvolvimento regional.
Um assunto que suscitou um interesse especial dos oradores, no que diz respeito à realidade da sociedade portuguesa e da região. Apesar dos avanços e dos resultados alcançados, foram consensuais na urgência e na necessidade de apostar no reforço do investimento na educação, na formação profissional e na qualificação. Uma aposta na dupla certificação para ampliar o portefólio de competências, de modo a responder de forma inclusiva e sustentável, às crescentes mutações tecnológicas que se avizinham no contexto da sociedade 4.0. Numa dinâmica para combater o “défice de qualificações”, e potenciar as oportunidades e capacidade instalada, com base no princípio de que “aprender compensa”, e promover a empregabilidade associada a um nível mais elevado de competências, de conhecimento e de qualificações.
Neste sentido, em face da necessidade de responder aos problemas das pessoas e às necessidades de competências das organizações, os oradores defenderam a necessidade de repensar, com alguma urgência, os nossos sistemas de educação e de formação ao longo da vida, identificar as qualificações que precisamos para o futuro, tendo em linha de conta o recuo demográfico e a globalização. Defenderam ainda, um paradigma focado na igualdade de oportunidades de aquisição de competências para o exercício integrado de uma profissão a par de uma cidadania plena e na multiplicidade de contextos sócio-económicos e culturais.
O país e a nossa região estão a enfrentar processos acelerados de transformação, que provocaram e vão continuar a provocar profundas alterações no mercado de trabalho. O ambiente laboral é cada vez mais pautado pela globalização económica, pelas mudanças tecnológicas, pela crescente individualização e pela flexibilização das relações contratuais. As empresas estão num processo de mudança. Estão a ser identificadas necessidades e definidas novas qualificações para os trabalhadores, para os quadros técnicos e para os próprios empresários. Passando um dos caminhos por implementar novas culturas de aprendizagem e pela necessidade de desenvolver experiências que integrem códigos da cultura digital, para o exercício de profissões novas.
Mas, para que possa haver uma verdadeira mudança, é preciso que as próprias organizações mudem. Numa interação mais efetiva com o sistema de formação profissional e com as universidades, em face dos efeitos das novas tecnologias, da robótica e da inteligência artificial no mercado de trabalho . A Comissão Europeia aprovou a estratégia europeia sobre a inteligência artificial, com um enfoque muito importante sobre as questões éticas levantadas, com implicações diretas no mercado de trabalho tal como o conhecemos, na ótica da economia do conhecimento e de uma cidadania mais inclusiva. O mercado de trabalho está a mudar, desenhando novas competências e novas profissões num contexto onde a inteligência artificial, a automação ou a robótica prometem criar verdadeiras revoluções, na perspetiva da sustentabilidade de um sistema de formação profissional ao serviço das pessoas e das organizações.

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