Correio do Minho

Braga,

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A forma como os bracarenses viveram o 25 de Abril

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2016-04-24 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Assinalam-se amanhã os 42 anos da revolução que colocou um ponto final a 48 anos de um regime ditatorial em Portugal.
Em Braga a expectativa era grande, quanto à forma como iria encarar a revolução dos Cravos e a razão era simples: foi daqui que partiu, no dia 28 de maio de 1926, a revolta que instou a Ditadura Militar e, posteriormente, o Estado Novo em Portugal.

Os acontecimentos que ocorreram em Lisboa, no dia 25 de abril de 1974, foram conhecidos em Braga muitas horas depois, através de notícias transmitidas pela rádio. Os bracarenses, curiosos, mantiveram-se na expectativa, para verem no que a revolução iria resultar. Só depois de terem a certeza de que esta se encontrava mesmo em marcha e de que o Estado Ditatorial estava a ser desmantelado, é que o povo saiu à rua para, entusiasticamente, apoiar e defender os ideais democráticos que a revolução trazia.

Deste modo, nas primeiras horas da revolução, a população bracarense, apanhada de surpresa, evitou manifestar-se com grande entusiasmo. Apenas quando se aperceberam que os estabelecimentos bancários e algumas ourivesarias fecharam as suas portas, a população começou a concentrar-se no centro da cidade, com particular destaque para a zona envolvente à “Arcada”.

No “Regimento de Infantaria 8”, a tranquilidade manteve-se durante todo o dia 25 de abril de 1974. O comandante e demais militares mantiveram-se nos seus quartéis. O mesmo se passou no quartel da Guarda Nacional Republicana e na esquadra da Polícia de Segurança Pública, instituições onde os respetivos membros se mantiveram atentos ao desenrolar dos acontecimentos.

A calma que se manteve no dia 25 de abril foi completamente alterada no dia seguinte. Muito mais informados e seguros dos acontecimentos, a população bracarense saiu à rua em numerosa multidão. Logo pela manhã, um grupo de jovens manifestou-se junto ao Liceu Nacional de Sá Miranda, onde as aulas foram interrompidas. Recorde-se que este estabelecimento de ensino era um local simbólico do Estado Novo, uma vez que aí se realizavam muitos acontecimentos relacionados com a juventude.

Mal saiu do Liceu, este grupo de jovens, cada vez mais numeroso, dirigiu-se a outros estabelecimentos de ensino, convidando os estudantes a saírem das aulas. Foram, de seguida, passando por vários locais de trabalho, solicitando que os trabalhadores abandonassem os seus postos, fazendo com que as pessoas também viessem para a rua. Um carro de som ajudava a que as pessoas abandonassem os seus empregos e aderissem a esta manifestação popular.
Durante a tarde, a Avenida Central começou a ficar repleta de gente, no meio da qual se encontravam elementos do “Regimento de Infantaria 8”, que conversavam descontraidamente com as pessoas.

Este aglomerado de gente transformou-se, aos poucos, numa manifestação cada vez maior. Algumas pessoas traziam cartazes, muitos deles feitos com sacos de cimento, e cantavam alegremente a canção do momento, “Grândola Vila Morena”.
O Movimento Democrático de Braga organizou um comício, na Praça do Município, local onde acorreram milhares de pessoas que saudavam em permanência as forças armadas. O próprio edifício da Câmara Municipal ficou repleto de bandeiras nacionais.

Pouco passava das 19 horas, quando algumas das personalidades de Braga se dirigiram para uma das varandas principais da Câmara Municipal. Entre elas encontravam-se os representantes das forças armadas locais, coronel António da Conceição Marcelino e capitão Soares Leite. Falou, nessa ocasião, Victor de Sá, que proferiu um brilhante discurso (agradecendo às forças armadas e a todos os portugueses por este dia de liberdade ter chegado, finalmente, a Portugal) e ainda Lestra Gonçalves (advogado), Manuel da Silva (operário), Humberto Soeiro (advogado), uma senhora, em nome das mulheres do distrito, o jovem estudante universitário, José Manuel Mendes e ainda o Lino Lima.

A encerrar este momento verdadeiramente histórico, usou da palavra o capitão Joaquim Soares Leite, afirmando que o “Regimento de Infantaria 8”, situado em Braga, esteve sempre ao lado do plano militar que se desenrolou em Lisboa. Prometeu lealdade ao general António de Spínola e ao “Movimento das Forças Armadas”.

Esta enorme manifestação de alegria terminou com a canção “Grândola Vila Morena” e com vivas às Forças Armadas!
Os valores da liberdade, conquistados há 42 anos, são muitas vezes colocados à prova e cabe a cada um de nós a atenção de não permitir que se desvirtuem. Devemos, neste sentido, eliminar, de forma veemente, qualquer foco de prepotência, ou autoritarismo, que nos surja pela frente. Só assim colocamos em prática as palavras do poeta, quando diz que “nas tuas mãos começa a liberdade”.

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