Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A força do povo

A pretexto de coisa alguma

Ideias Políticas

2015-06-09 às 06h00

Carlos Almeida

A avenida da Liberdade, em Lisboa, foi, no último Sábado, ponto de passagem para milhares de portugueses descontentes com a situação do país. Homens e mulheres que se deslocaram até Lisboa para deixar uma mensagem muito clara de esperança na construção de uma alternativa política. Do Marquês aos Restauradores estima-se que tenham circulado mais de cem mil pessoas na marcha convocada pela CDU, coligação que junta o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista “Os Verdes”.

Números impressionantes numa singular iniciativa política. Retrato rigoroso e apaixonante da situação do país. Milhares de pessoas empunhando bandeiras nacionais e outras de apoio à coligação PCP-PEV, exibindo denúncias e soluções para os problemas do país, erguendo bem alto a voz de exigência de uma nova política ao serviço dos cidadãos por um Portugal com futuro.

De Braga saíram bem cedo mais de mil participantes. Gente que não desiste e não vira as costas à luta, porque sabe que é na rua que têm lugar as manifestações populares e se conquistam diretos. Foram a Lisboa com os problemas concretos do distrito, os que afectam a vida das populações diariamente. Trabalhadores da Bosch em defesa da contratação colectiva, da JadoIberia em luta pelo aumento dos salários, dos CTT por um serviço público de qualidade.

População de Vizela em luta pelo alargamento de horário do centro de saúde. De Guimarães, a demanda de uma nova política para o sector têxtil, bem como a exigência do direito à habitação e a luta em defesa dos serviços hospitalares. Na rua esteve também o direito à água, com a população de Barcelos em defesa do serviço público. Foram mil e uma expressões de luta, protesto, mas também proposta e alternativa.O centro da capital transbordou de esperança num futuro melhor para todos.

Apesar da grandeza, da forte adesão popular, da notável dimensão desta marcha, houve quem tudo fizesse para esconder a força do povo. Com a excepção da TVI, a bem da verdade, os blocos informativos das televisões estiveram abaixo do miserável. Na imprensa escrita do dia seguinte, em quatro jornais de referência, não há um que chame à capa o êxito extraordinário da marcha convocada pela CDU. Percebe-se que não queiram dar visibilidade a esta força imensa que está nas mãos do povo porque a ele cabe o poder de decidir.

E quem manda nos órgãos de comunicação do país, manda também nos maiores grupos económicos e financeiros a quem serve manter a actual política, propagando a ideia de que não há alternativa. Estão seguros de que rouban- do a esperança ao povo lhe tiram a força de lutar. Estão convencidos de que conseguirão manter no poder aqueles que servem os seus interesses.
Há, no entanto, quem se empenhe todos os dias para mostrar ao povo que o tempo da alternância entre PS, PSD e CDS chegou ao fim. Não há mais lugar para o medo.

É tempo de dar a volta à política nacional, com gente séria e capaz, livre de interesses obscuros. É tempo de condenar os responsáveis pela situação a que o país chegou e pôr de lado a política de direita que PS, PSD e CDS nos impingem há décadas. É tempo de forjar com as mãos do povo e dos trabalhadores uma alternativa de esquerda, afirmando os valores de Abril, abrindo um novo caminho de desenvolvimento e progresso ao serviço das populações e do país. É tempo de confiar em quem já deu provas de que está sempre lá quando é mais preciso. Na porta das empresas, nos serviços públicos, nas escolas e universidades, nas pequenas e grandes lutas, nas causas justas. Sempre.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

16 Outubro 2018

Mestres da Ilusão

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.