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A Europa e o pai da Europa vistos a partir de Braga

Eu, Fausto.

A Europa e o pai da Europa vistos a partir de Braga

Ideias

2019-05-26 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Hoje os eleitores portugueses são chamados a exercer o seu direito de voto, nas eleições para o Parlamento Europa, totalmente livres e democráticas.
A construção da União Europeia foi uma sequência da forte destruição provocada pela 2.ª Guerra Mundial. Em 2012 abordei aqui, neste jornal, as consequências desse conflito, que volto a recordar:
Esta Guerra provocou a morte de cerca de 56 milhões de pessoas (judeus, franceses; ingleses; alemães; italianos; polacos; russos; japoneses, chineses e norte americanos foram as maiores vítimas).
Esta Guerra provocou destruições materiais nunca antes vistas: na Alemanha foram destruídas 25% das casas e 3000 pontes e, na França, 450 000 casas e 3100 pontes! Esta Guerra destruiu cerca de 607 000 carros de combate e 304 000 aviões; esta Guerra provocou a destruição de cerca de 70% das infra-estruturas europeias e a destruição de 160 cidades.
Os gastos despendidos com esta Guerra davam, sensivelmente, para construir: uma casa para cada família dos EUA, Grã-Bretanha, França, Bélgica, Espanha e Portugal; comprar um automóvel para cada família dos EUA, Grã-Bretanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca e Noruega; construir uma Biblioteca e uma Universidade em cada cidade de 200 mil habitantes, nos EUA, Rússia e Grã-Bretanha; pagar os vencimentos de 100 000 professores e 100 000 enfermeiros durante 100 anos e, ainda, dava para pagar uma educação universitária para cada rapaz e rapariga dos EUA!
Com base nestes números chocantes, cinco anos após o fim da Guerra, alguns líderes europeus deram início a uma política de colaboração, visando a criação de uma Europa mais unida e mais solidária. Foi o luxemburguês Robert Schuman, radicado em França, e primeiro-ministro francês, quem deu início a estes valores europeus.
A 9 de maio de 1950 iniciou os esforços para a criação de uma organização conjunta de carvão e de aço, aberta à participação de outros países da Europa, levando à criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Desta proposta, o Diário do Minho, de 11 de maio de 1950, recordou as palavras de Schuman, referindo que ”se tratava de uma experiência nova e mesmo revolucionária”. E recordou ainda que “pela primeira vez na história, uma potência propõe acordo tão lato com um adversário secular” tendo como principal finalidade “impedir materialmente uma nova guerra futura”.
Perante as desconfianças da Inglaterra, os alemães e os franceses foram pioneiros na construção desta nova Europa, tendo o presidente do grupo cristão democrata no Parlamento Alemão referido que “a França e a Alemanha estão decididos e corajosamente lançar as bases de unidade europeia”.
Sete anos após a formação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, é assinado o “Tratado de Roma”, pela República Federal da Alemanha, França, Bélgica, Itália, Holanda e Luxemburgo. Como se vê, a Inglaterra não participou neste início de construção europeia.
A 26 de março de 1957, o dia seguinte à assinatura deste Tratado, o jornal “Correio do Minho” referia que “A assinatura efectua-se no Capitólio, na Sala dos Horácios e Cureáceos”. O jornal destacava, ainda, que “Foram precisos vinte e dois meses de negociações para se chegar aqui” e poucos eram “aqueles que confiavam no bom êxito das negociações”. Na realidade, foram negociações bem difíceis, nas quais o ministro dos negócios estrangeiros da Bélgica, Paul Henri Spaak, desempenhou um papel fundamental, uma vez que foi necessário “Encontrar um meio termo entre o proteccionismo francês e o liberalismo alemão, em matéria de economia política”. E acrescentou, além disso, que “ninguém sabe se o Euro-Mercado evoluirá para a criação de uma zona de alta protecção tarifária ou se, pelo contrário, terminará por estabelecer uma zona de trocas cada vez mais livre”.
Esta “pequena Europa” dos seis, como então ficou conhecida, sem a Inglaterra, tinha objetivos bem claros que passavam pelo aumento da produção, pela melhor distribuição das indústrias especializadas, pela incrementação da produtividade, pela descida dos preços e também pela subida do nível de vida.
Passados 62 anos da assinatura do Tratado de Roma, repito, sem a Inglaterra, realizam-se hoje mais umas eleições para o Parlamento Europeu, marcadas pela incerteza quanto ao futuro de uma Europa unida, desencadeado pela hesitação da Inglaterra em se manter, ou sair, desta Europa unida e solidária.
O que desejamos é que os deputados portugueses, que mais logo serão eleitos para o Parlamento Europeu, possam contribuir nos próximos anos para a consolidação de uma Europa unificada e solidária e que vise consolidar os princípios que estiveram na origem desta união, centrada na subida do nível de vida dos europeus.

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