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A Europa e o futuro

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A Europa e o futuro

Ideias Políticas

2020-02-25 às 06h00

Pedro Sousa Pedro Sousa

Por estes dias, em que se negoceia o “pequeno” orçamento da União Europeia, percebemos melhor a dimensão desapontante do Brexit. A Europa está mergulhada na procura dos seus equilíbrios, um contexto que torna mais clara a posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros, apostado em não se unir de forma acrítica ao famoso eixo franco-alemão.
Se, à primeira vista, a lógica do poder parece dizer-nos que alinhar politicamente com os ditames do eixo Paris-Berlim (tal como vergonhosamente e sem nenhum assomo de coragem Passos Coelho fez há uns anos atrás) poderia dar-nos mais influência no xadrez europeu, hoje, e porque as boas estratégias são aquelas que, sempre sem abdicar do essencial, se adaptam à realidade de seu tempo, não parece tão claro que a condução da Europa continue nas mãos da Alemanha ou que o europeísmo chauvinista de Macron não passa, apenas, de um jogo de cartas marcadas a favor dos interesses franceses.

Talvez tenha chegado a hora de também Portugal tornar sua a velha máxima de Lord Palmerston: “Não temos aliados eternos ou inimigos perpétuos. Apenas os nossos interesses são eternos e perpétuos e são esses e apenas esses que temos a obrigação de salvaguardar”. E se é verdade que Portugal mostrou o melhor da sua vocação europeia quando defendeu os seus interesses enquadrados no interesse coletivo, talvez hoje a integração europeia consista em apostar numa lógica diferente, de geometria variável, pelo menos até que a tempestade do orçamento seja ultrapassada.
O interessante do momento é a possibilidade de observarmos, ao vivo, como são construídas as pobres narrativas europeias. Este facto, coloca-nos frente-a- -frente com um dilema de longa data: por que razão a narrativa europeia não coincide, não faz, em tantos momentos e circunstâncias, parte das nossas narrativas nacionais? A resposta não é simples, mas talvez seja por causa da sua complexidade, o que constitui um problema para os políticos, ou talvez porque do alto do nosso paroquialismo mentiroso o assumimos como uma "perspectiva elitista".

Durante a negociação, os observadores procuram dar coerência aquilo que vêem e hoje podemos, claramente, identificar três níveis que nos permitem decifrar esse jogo de perspectivas sobrepostas: a governação económica, as migrações e o papel da Europa na globalização. A primeira, na realidade, aborda a distância dramática entre os centros de tomada de decisão e os cidadãos, ao passo que a questão das migrações desempenha um papel central no debate identitário da Europa como sociedade. Mas talvez o ponto mais central desta discussão esteja no papel que a União Europeia representa no tabuleiro da globalização.
Ainda sobre esta questão do papel da Europa no quadro da globalização, um alto representante europeu disse há dias, em pleno debate sobre o orçamento, que “para o entendermos verdadeiramente temos de viajar até à Ásia e sentir o seu tamanho e dinamismo. A partir daqui torna-se mais fácil encaixar as peças e estarmos cientes do nosso lugar no mundo.

Talvez seja por isso, também, que os orçamentos expressam de forma transparente a ambição geopolítica da União Europeia, pois, na verdade, não há maior demonstração de poder do que colocar o Pacto Verde Europeu no centro da agenda política, porque com isso a Europa define sem tibiezas aquele que entende ser o maior desafio da humanidade. Mas não nos deixemos enganar: novas estratégias serão possíveis, se, numa lógica humanista, apostarmos em políticas públicas ao serviço da integração.

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