Correio do Minho

Braga,

- +

A estratégia cultural que tarda

Preste mais atenção a si

A estratégia cultural que tarda

Ideias

2020-10-20 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

AEstratégia Cultural de Braga para os próximos dez anos, documento aprovado pelo Executivo municipal no início deste mês, pretende preencher uma lacuna que se faz sentir desde há muito e, nesse sentido, dar resposta aos anseios de largas camadas da população.
Passando ao lado de questões processuais que, a esse nível, ensombraram a elaboração do documento, conforme foi sublinhado na altura pelo vereador Artur Feio, líder da oposição, julgo ser digno de registo o facto de o dossier estratégico ter merecido o consenso das forças políticas que integram o Executivo municipal. Sim, porque ficou bem claro que a abstenção do PS pretendeu assinalar apenas a forma como o documento foi construído e não com a estratégia em si. Aliás, são públicos os lamentos socialistas, ao longo dos sete anos de governação da coligação de direita, relativamente a inexistência de uma verdadeira política cultural.
Este plano estratégico sugere um rol de projectos e iniciativas de grande relevância, conjunto esse que foi produzido a partir de um levantamento bastante completo, embora não exaustivo, das realidades bracarenses. Desse ponto de vista, terá que ser valorizado à partida como um potencial pilar da política cultural do município na próxima década, uma vez que traça finalmente uma estratégia para o sector e, nessa medida, vem colmatar uma das mais gritantes e inexplicáveis falhas da política municipal.
Embora mandado executar com o foco primordial na candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura (CEC), em 2027, a verdade é que o documento não se esgota, nem seria compreensível que o fizesse, nesse objectivo. De uma forma inteligente, na elaboração do plano nota-se uma preocupação em dotar o município com os instrumentos que permitam aos seus responsáveis políticos tomar as decisões mais adequadas à afirmação de Braga como verdadeira cidade de cultura.
Aliás, na introdução do plano, elaborado por uma equipa externa contratada para o efeito, é colocado em destaque o facto de nos encontrarmos perante “uma oportunidade excepcional para reflectirmos sobre o caminho a percorrer, para que a cidade esteja à altura desse desígnio (CEC), e qual o seu lugar e papel numa Cultura Europeia”.
A equipa que produziu o Plano Estratégico manifesta, pelo menos em relação ao momento presente, grande assertividade. Contudo, o sucesso ou insucesso das propostas insertas no documento estará sempre pendente da vontade política dos autarcas que actualmente lideram a gestão do município. É certo que Ricardo Rio já exaltou a relevância da estratégia, não apenas para o sucesso da candidatura à CEC, mas para um horizonte mais alargado – até 2030. Porém, para a execução dos diferentes programas no terreno, é necessário um envolvimento objectivo e alargado tanto quanto possível, “de todas as forças políticas e forças vivas da cidade”, conforme frisou o presidente da Câmara, mas também um investimento municipal compatível.
Acredito que a primeira das condições exigíveis estará garantida, pelo menos a julgar pelo facto de a ausência de uma estratégia cultural gerar inúmeras reclamações dos bracarenses, em geral, e dos agentes culturais, em particular.
É sabido que a generalidade dos bracarenses denota grande orgulho na sua cidade, uma cidade milenar, que tem sabido conciliar o riquíssimo património herdado dos seus antepassados com a modernidade e a inovação do presente. Esse brio cidadão, essa compreensível vaidade nos recursos patrimoniais e históricos comuns, serão seguramente a garantia de que o empenhamento cívico será uma realidade.
A questão do financiamento deste Plano Estratégico poderá, todavia, ser uma conversa bem diferente. Neste particular, temos que aguardar pela apresentação do próximo Plano e Orçamento do município para 2021 para, aí sim, confirmar se as verbas inscritas para investimento têm, de facto, correspondência com a aparente vontade política da maioria.
E este aspecto é da maior relevância, numa primeira fase devido à candidatura a Capital Europeia da Cultura. Mas não só. A sua importância advém, também, do facto de não ser minimamente aceitável que se perca a oportunidade de Braga desenvolver, finalmente, uma estratégia cultural.
Na perspectiva do sucesso da candidatura, urge avançar tão rapidamente quanto possível para o terreno, por forma a possibilitar que os jurados, que terão a responsabilidade de escolher a cidade portuguesa que em 2027 será CEC, possam apreciar modos de actuação e resultados, e não apenas planos de intenção. Que possam comprovar as competências e capacidades locais. Que possam testemunhar a vontade colectiva de uma cidade, expressa através do empenho e envolvimento dos seus cidadãos. Não nos podemos esquecer que a abertura das candidaturas está para breve e que o anúncio formal da vencedora ocorrerá em 2023. Ou seja, o tempo começa a escassear. Há que meter mão à obra!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho