Correio do Minho

Braga, terça-feira

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A estratégia da cidade

Granjear futuro

Escreve quem sabe

2016-12-30 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Assistimos a um processo acelerado de expansão e globalização das cidades, com impactos cada vez mais relevantes a nível demográfico, ambiental, económico, social e cultural. A tendência mundial é clara: as cidades florescem como nunca e o mundo rural definha, sobretudo em termos demográficos e de dinâmica económica e social.
Braga é uma cidade que há mais de 2.000 anos atrai e encanta quem a descobre. Todavia, enfrenta, como muitas outras cidades e territórios, o grande desafio de se afirmar e distinguir à escala global.
Partindo-se desta realidade tão evidente e desafiadora, há que debater, definir e procurar consensualizar um caminho coerente, afirmativo e vencedor, dando prioridade ao que realmente é estratégico e fundamental para a afirmação futura de Braga no mundo.
Braga tem de ser capaz de renovar a sua base económica, orientando-a para um mercado global em constante mutação e cada vez mais imprevisível, exigente e competitivo. Em causa está uma dimensão transversal a todo o processo de recriação e rejuvenescimento, que importa estimular como pilar essencial de uma nova ambição.
Que identidade e diferenciação devemos potenciar? Do que precisamos para competir no mercado global? O que temos de fazer para inovar, atrair investimento e talentos e, consequentemente, rejuvenescer a sociedade bracarense? Que cidadania, governo e modelo de participação democrática deverão ser estimulados? Como afirmar a marca e destino Braga no mundo? São apenas algumas das questões que se colocam e que não devemos menosprezar em todo o processo de construção do novo rumo e da nova narrativa sobre o futuro de Braga.
Parafraseando Michael Porter “ter uma estratégia significa ser diferente, significa escolher um conjunto distintivo de atividades que proporcione uma oferta de valor única”. Por isso, pensar “fora da caixa” pode funcionar como mote para agitar consciências e provocar as necessárias ruturas com o passado, de navegação e governação à vista. Temos de ser capazes de inovar e reinventar o que em Braga se faz para que ambicionemos ser uma marca e um destino à escala global.
Pensar a médio e longo prazo é assim condição essencial para o sucesso. E, a este nível, há que, sobretudo, romper com a cultura do imediato, com os hábitos de governação de calendário na mão, tendo apenas como meta a vitória na eleição seguinte. A nova geração de autarcas tem de ser capaz de planear as cidades para além dos ciclos eleitorais. Tem de ser capaz de definir uma estratégia a 20 ou mais anos.
No século IV A.C. o filósofo e historiador grego Xenophon de Atenas escreveu umas das primeiras e das mais bem conseguidas definições de estratégia apresentadas até hoje: estratégia significa conhecer a empreitada que se quer realizar. Daqui depreendem-se dois conceitos fundamentais: a definição da empreitada, ou, numa linguagem mais empresarial e institucional, a definição da visão e do caminho a percorrer para lá chegar; e o conhecimento, isto é, a estratégia tem de ser conhecida pela sociedade. E esta definição leva-nos a outro eixo fundamental no processo de formulação estratégica da cidade: o envolvimento da comunidade. Nas últimas décadas, se Braga teve uma estratégia de longo prazo, não era do conhecimento da generalidade da população, logo, aos olhos dos bracarenses, era inexistente.
O atual executivo municipal tem, em múltiplas áreas, dado sinais de reconhecer que o futuro de Braga tem de ser repensado/reinventado com o envolvimento ativo das instituições e população bracarense. O “Orçamento Participativo” é um bom exemplo disso mesmo.
A constituição de estrutura de missão para o desenvolvimento de uma “Estratégia Participativa” para a cidade de Braga poderá ser uma ideia a ponderar e aprofundar; evitando-se, deste modo, que seja validada e imposta uma qualquer proposta de estratégia apresentada por esta ou aquela consultora de renome nacional e internacional, que, provavelmente, resultará numa proposta indistinta e sem atender às singularidades da cidade de Braga.
De um processo de reflexão e participação democrática o mais abrangente possível resultarão contributos e, de certeza, soluções pertinentes, consensuais e viáveis.

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