Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A Educação pela ação

O mito do roubo de trabalho

Escreve quem sabe

2012-04-20 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Educar pela ação (ou aprender fazendo) - outro dos elementos fundamentais do Método Escutista - leva, crianças e jovens, a desenvolver uma atitude ativa re-lativamente a todas as suas vivências, fazendo deles verdadeiros obreiros da sua educação e formação ao longo da vida.

Na educação pela ação, o “jogo escutista”, ou “jogo social espontâneo”, assume um papel de relevo, pois aproveita este gosto natural de crianças e jovens pelo jogo, para promover o desenvolvimento harmonioso de cada um deles. Este instrumento pedagógico leva o jovem a desenvolver-se enquanto pessoa, fortalecendo sempre a vertente social que lhe está subjacente.

Graças ao imaginário, à ação, ao espaço, ao grupo, às regras e aos papéis, o jogo todos envolve no desenvolvimento pessoal e comunitário, permitindo que os valores da convivência democrática se desenvolvam, desde logo pela participação ativa, compreensiva e colaborativa, mas também leal, frontal e enérgica. Vive-se o sentimento de liberdade, sustentado na afirmação dos direitos de cada um e na assunção das responsabilidades individuais e grupais.

Para Baden-Powell: “as atividades são a parte mais visível do Programa; representam o que os jovens fazem no Escutismo”, por isso, em cada uma das secções, em função do enqua-dramento pedagógico, as atividades têm uma designação própria: Caçada - nos Lobitos, Aventura - nos Exploradores, Empreendimento - nos Pioneiros e Caminhada - nos Caminheiros. Em bom rigor, cada uma destas atividades típicas de secção, é composta por várias ações que se desenvolvem em tempos variados: entre um e seis meses. Mas as atividades só são tão importantes na educação ativa porque concebidas de acordo com a metodologia de projeto, isto é, são as crianças e os jo-vens que as pensam e escolhem, constroem, vivem e avaliam.

A cada um destes momentos corresponde uma fase da metodologia de projeto, sendo na primeira, a fase da idealização e da escolha, onde cada um, em pequeno grupo (bando, patrulha, equipa ou tribo) constrói a sua proposta que depois é apresentada e defendida em conselho de unidade, sendo confrontada com as restantes, terminado o debate, os jovens (ou as crianças) escolhem, de forma democrática, a melhor de todas.

A segunda fase corresponde à preparação da atividade, é gerida pelo conselho de guias, sendo o projeto enriquecido e depois distribuídas tarefas a cada um dos jovens. No terceiro momento passa-se à fase da realização: são tempos de viver a aventura. Finalmente, a fase da avaliação, para se colher os ensinamentos, para se confrontar o caminho percorrido, para se perceber porque houve necessidade de fazer algumas alterações de rumo e para se reconhecer o progresso, pessoal e comunitário, alcançado pelos participantes.

”O homem que faz coisas comete erros, mas nunca comete o maior erro de todos - não fazer nada” (Benjamin Franklin), por isso o fundador, alerta para a importância do erro no processo educativo e considera natural que os jovens, enquanto protagonistas da sua educação, cometam alguns erros. O adulto deve, responsavelmente vigilante, permitir que eles aconteçam para depois os trabalhar no sentido do desenvolvimento educativo dos jovens.
Esta forma de promover os jovens a protagonistas da sua educação faz do Escutismo um método ativo à luz da Escola Nova.

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