Correio do Minho

Braga, terça-feira

A democracia e a hipocrisia

O conceito de Natal

Ideias Políticas

2018-11-13 às 06h00

Francisco Mota

Ocentenário da I guerra mundial ficará revestido e escrito nos livros da história como um dos capítulos mais sensacionalistas da política mundial. No palco do velho continente sentiu-se, muito mais que comemorar o armistício de 11 de novembro de 1918 um evento para evitar a III grande guerra.
O modelo populista e nacionalista optado pelos responsáveis mundiais fazem acreditar que a história não tem evidenciado os maiores atentados ao progresso e à paz entre nações. A facilidade com que se comunica e transmite a visão social, cultural e política contemporânea acarreta uma responsabilidade redobrada a quem as profere. Se a palavra liberdade tem um peso acrescido perante o garante das novas e futuras gerações, a pronuncia e os valores com que são difundidas têm um custo ainda maior. Percorrem o mundo a uma velocidade incapaz de controlar e com consequências difíceis de calcular.

Os episódios recentes, dando conta de uma extrema direita emergente são tão preocupantes como as falidas extremas esquerdas. O fascismo e totalitarismo são reprováveis quer de um lado como do outro. Deixemos é de viver a hipocrisia de uma democracia vazia nos discursos e carregada de raiva nas acções. Acreditemos no sistema politico pela escolha e não pela imposição. O povo será sempre soberano no exercício do seu direito de voto. Semear a desinformação, condicionar a informação e manipular as opções democraticamente sufragadas é totalitarismo. Haja coragem de se definir de que lado da história se quer estar. Não se pode querer dizimar Bolsonaro ou Donald Trump e depois vangloriar Nicolás Maduro ou Kim Jong-un.
Os projectos políticos são cultivados numa alternativa e não numa disciplina cega carregada de demagogia, falta de caracter intelectual e condicionada numa cartilha imposta que não permite ver mundo para além da sala onde é recitada. Não nos deixemos levar por um voluntarismo de propaganda de liberdade, porque no primeiro momento em que coloquem em causa a sua visão e não pensem como eles terão à perna os tradicionais acusatórios de fascistas.

A Europa terá um desafio, hoje, ao nível do período da então falida Sociedade das Nações nos pós I grande guerra. Num olhar atento não podemos desfragmentar a União Europeia, sem nunca esquecer a soberania dos seus estados. Europeísmo, não pode ser sinónimo de Federalismo. O desafio actual não é de reconstrução, mas antes de construção de uma política comum assente nos valores democratas, humanistas, solidários e fraternos que sempre estiveram no ADN das sociedades ocidentais. Espera-se da Europa o equilíbrio para o diálogo estruturado entre nações, porque essa será a grande arma da união europeia neste novo século. Uma guerra hegemónica deixaria de parte países como Reino Unido, França ou Alemanha que desde as guerras das trincheiras cimentaram um lugar menor na era militar. Cabe a estes, sim, liderar o exercito da diplomacia em prol da paz e da hegemonia social.

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