Correio do Minho

Braga, terça-feira

A contextualidade política e o futuro

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Ideias

2017-12-10 às 06h00

Manuel Barros

O fim do ano aproxima-se. Empurrado por um conjunto de acontecimentos e circunstâncias, que vão marcar de forma muito significativa a vida do país. Pela sua referência passada, pelo seu significado presente e, sobretudo, pela sua repercussão no nosso futuro coletivo. Uma constelação de factos, que vão desde a cultura à economia, passando pelo terreno, sempre muito fértil, da política.

O desaparecimento de figuras marcantes nos mais diversos setores. a morte do bispo do Porto, D. António dos Santos, apelidado pelo Papa Francisco como 'o pastor afável e generoso”. O centenário do nascimento do Mestre Júlio Resende autor de uma obra vastíssima, desenvolvida entre os anos 30 do século XX e a primeira década do século XXI, e a morte prematura do Zé Pedro dos Xutos & Pontapé, que despertou transversamente as emoções de várias gerações. A despedida dos dois maiores, e mais emblemáticos empresários do país. Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, a par de Belmiro de Azevedo, o empresário irreverente, que sonhou mudar Portugal. Dois acontecimentos que deixaram o país mais pobre, pela perda que representam, e pela expetativa em relação ao futuro dos dois impérios que deixaram em desenvolvimento.
No plano político, o Orçamento do Estado, como expressão financeira da estratégia e da política económica do Governo para o próximo ano, marcou a atualidade mais recente. Um documento que apesar de ter sido aprovado, ficou longe de gerar consensos alagados, mesmo na bancada do Partido Socialista. Num contexto, em que os partidos de suporte da “geringonça”, estiveram muito mais taticistas do que o costume, no que diz respeito à velocidade e à intensidade das medidas de reversão, que sustentaram o acordo inicial. O Partido Comunista cada vez mais apostado em sair para a rua, potenciando a mobilização da sua fortíssima máquina sindical. O Bloco de Esquerda a fazer ensaios para a sua vocação de poder, preparando o caminho para chegar ao governo no futuro. Tentando tirar proveito do seu engenho populista, argumentando com a saúde que a economia respira. Bastante para se poder distribuir, a uma velocidade que poderá prenunciar um desastre a médio prazo, no caso de o PS ceder. Uma atitude que começa a causar alguma preocupação e muita apreensão, no governo e nas hostes socialistas.
Apesar de tudo, o bom senso e a ponderação de quem governa, tenta a todo o custo manter a coerência dos objetivos económicos, financeiros e sociais que foram assumidos com os portugueses. Mas o exercício coerente de todas estas dimensões da governação, começa a manifestar muitas dificuldades. Os critérios e os níveis de tributação e os mecanismos de distribuição da despesa, estão a manifestar incoerências preocupantes, com os objetivos inicialmente traçados. As medidas pouco sustentadas ao nível orçamental, estão a dar sinais de falta de ponderação, deixando-se para o futuro a assunção dos seus compromissos. A luta entre os protagonistas políticos, que suportam a atual solução governativa, faz valer os seus argumentos. Tendo como expoente máximo, a desautorização deselegante da deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, ao desonrar a posição do Governo em relação às taxas contributivas das energias renováveis.

A recuperação do interior do país é outra dúvida. A esperança na reposição dos prejuízos das pessoas afetadas, perante a apreensão do país, não está espelhada com coerência e sustentação. Juntando-se agora a seca, que sendo um problema estrutural, se viu agravado, drasticamente, este ano. Transformando estas tragédias, que podiam ter sido evitadas, numa constelação de problemas que estão a enraizar conflitos profundos, entre os agentes responsáveis, pelas respetivas soluções.

A valorização do Interior e o modelo de desenvolvimento das cidades médias, continuam a ser temas para o futuro. Uma realidade que se confirma, pela posição assumida pela presidente cessante da Unidade de Missão, Helena Freitas, afirmando que as suas propostas, nunca tiveram qualquer resposta do Governo. Apresentou a sua demissão, desiludida com o facto de este projeto ter deixado de ser “uma pedra angular da reforma do Estado”, tal como tinha sido assumida pelo Governo. Este assunto voltou à ordem do dia com os incêndios do verão passado, e do mês de outubro, sem que, entretanto, se tenha feito muito mais contra a inércia do sistema. Com base na sua efetiva valorização, na fixação da população, na atração de pessoas jovens qualificados e na criação de condições, para que o interior se transforme num espaço de prosperidade e de desenvolvimento. Apesar da mais que assumida consciencialização, para a necessidade de se olhar para o interior do país de outra forma.

Avolumando-se os equívocos, a este e a outros níveis, com os professores, com a reposição dos rendimentos prometidos, com as medidas de descentralização de competências para as autarquias. Incertezas e frustrações que contrastam com o prestígio internacional que Portugal, tem vindo a conquistar, com a nomeação de políticos, intelectuais, cientistas e desportistas para o exercício funções em organizações internacionais. O Ministro Mário Centeno, é o exemplo mais recente, ao ser nomeado Presidente do Eurogrupo. Entrou na “ortodoxia orçamental europeia”, apesar das dúvidas de princípio dos parceiros radicais, que apoiam o Governo. Concordância reticente do Presidente da República, pelo receio em relação à, eventual, falta de disponibilidade para assegurar uma pasta tão exigente, como a das finanças.

O elevado número de condicionantes e a contextualidade política no futuro próximo, vão remeter a escolha dos militantes no plano interno, para a diferença dos candidatos se centra no estilo, no perfil dos candidatos e nas dinâmicas de campanha, e no plano externo na adequação das suas propostas, aos novos desafios da governação do país.

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