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A comunidade educa

“Deixai Vir a Mim as Criancinhas”

A comunidade educa

Escreve quem sabe

2021-02-25 às 06h00

Leonel Rocha Leonel Rocha

O conceito de comunidade educadora está amplamente aceite em toda a sociedade, não só porque todos entendemos que se trata da concretização do provérbio “de que para educar uma criança é preciso toda uma aldeia”, como percebemos que a educação não se confina a uma determinada etapa do nosso crescimento, mas é algo que acontece ao longo de toda a vida, implicando, por isso, espaços, momentos e agentes educativos, acontecendo em ambientes informais, como na família e nos media, em ambientes formais, como a escola e ambientes não formais como no associativismo e outros organismos…
Em suma, percebemos que, direta ou indiretamente, a comunidade e o território estão implicados na educação de cada cidadão, ao longo de toda a sua vida, ora através da sua governação, ora através dos espaços e das vivências comunitários. Por isso, a pergunta que se deverá fazer é se educa bem ou mal… porque educar, educa sempre, mesmo que não esteja interessada no ato de educar ou, ainda, que não tenha consciência que está a educar.
A missão que de todos nós, com mais ou menos poder, com mais ou menos responsabilidade, com mais ou menos interação com os outros a quem influenciamos, é fazer tudo o que está ao nosso alcance e o melhor possível para que a comunidade eduque bem.

A comunidade é boa educadora quando dá prioridade à educação, através das suas políticas governativas, quando tem consciência que o ativo mais precioso que existe no seu território são as pessoas e que elas serão tanto mais relevantes no desenvolvimento local, nacional e universal, quanto a educação informal, formal e não formal as potenciar, as capacitar e as motivar para a aprendizagem contínua e para o exercício de cidadania, colocando as suas aprendizagens e os seus talentos ao serviço do desenvolvimento do seu território e dos seus concidadãos.

A comunidade é boa educadora quando proporciona as condições necessárias para que as famílias – educação informal - desempenhem bem o seu papel educador:
- Ajudando as famílias a terem condições condignas de habitação;
- Proporcionando uma ação social que faça com que todas as famílias tenham condições de vida capazes de ajudar a educar cidadãos capazes de lutarem pela sua mobilidade social e pelo seu bem-estar;
- Promovendo espaços de formação e capacitação parental, proporcionando ferramentas para os pais lidarem com os seus filhos ao longo das diversas etapas de crescimento, para melhor os acompanhar no seu percurso escolar e de desenvolvimento pessoal;
- Capacitando, através de momentos formativos, os cidadãos para terem um sentido crítico em relação aos media.

A comunidade é boa educadora quando aposta nas escolas, enquanto espaços de educação formal, com o objetivo de dotar os cidadãos com conhecimentos, competências e valores humanistas:
- Dotando o território com edifícios escolares de qualidade, desde a creche ao ensino básico, passando pelo ensino secundário, pelo ensino profissional e pelo ensino artístico e, se possível com o ensino superior;
- Fomentando o trabalho em rede entre parceiros, envolvendo todos os agentes, facilitando processos de convergência e de comunicação;
- Preocupando-se que as escolas sejam realmente inclusivas e que não deixem nenhum aluno para trás, apoiando as Escolas e as suas equipas com recursos técnicos especializados que reforçam as suas respostas nas diferentes áreas e valências, apostando em dinâmicas que ajudem os alunos a gostar, intrinsecamente, da escola;
- Levando os alunos a adquirir um conjunto de conhecimentos e competências que os faça ter sucesso académico, profissional e pessoal;
- Estabelecendo parcerias com instituições de ensino superior reconhecidas a nível nacional e internacional, apoiando o desenvolvimento do conhecimento cientifico, através da investigação-ação
- Colaborando com os diretores, os professores e outros profissionais das Escolas e ainda com as Associações de Pais na concretização dos Projetos Educativos das Escolas;
- Ajudando a conceber escolas sem muros, nem horários, para poderem interagir com o meio e comunidade envolvente, para que se influenciem e enriqueçam mutuamente, numa simbiose que envolva escola, famílias, governo local, associações e organismos do território.

A comunidade é boa educadora quando aposta na complementaridade da educação informal e formal, com a educação não formal, onde os cidadãos, ao longo da vida, têm oportunidade de aprender novas ou renovadas competências e de crescer em cidadania:
- Fomentando um associativismo dinâmico, diversificado e consciente do seu papel educador na sociedade;
- Dinamizando programas, projetos e ações que proporcionem aprendizagens complementares à oferta do território e que vão de encontro às necessidades de cada cidadão;
- Construindo, melhorando e apetrechando espaços desportivos, recreativos e culturais capazes de servir a formação/educação de cada cidadão segundo os seus gostos, as suas aptidões, os seus talentos e a sua vocação, ao longo de toda a vida;
- Apostando numa programação cultural diversificada, variada e descentralizada que consiga chegar verdadeiramente a todos;
- Dando oportunidade aos cidadãos de complementarem a sua formação e de certificarem as suas aprendizagens e competências, ao longo da via;

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