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A coisa e o nome

Falemos de felicidade

A coisa e o nome

Escreve quem sabe

2020-12-27 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Andarei às avessas ou brado maior suscita veado abatido que camionista violentado, porque penas lhe inflijam, quando o impedem de concluir caminho, chegar a casa, abraçar os seus, descansar?
Indignação e lamento. Indignação pela carnificina, lamento pela triste sina de motorista sem Natal. Lamentamos, e libertamos conselhos de consciência leve - que de paciências se revistam, que aguentem, posto que não há muito a fazer, que prioritário, mesmo, é conter a propagação do agente infeccioso.
O pânico. Que a estirpe britânica suplanta em 70% a taxa de contágio do primo remurchado. Em que central de verdade levantam estes números? Informação paralela – que infectando mais, não avulta o parente em letalidade. Irra! Mas em que é que ficamos? Não estamos fartos de arranques sucessivos em marcha-atrás?

Que razão ponderosa assiste a quem põe e dispõe das vidas alheias? É de mim ou andam paladinos totalitários à solta? Vejamos, no socialismo sumido de antanho, era a clique de pontífices entre o Presente e o Futuro que delimitava a fronteira do bem e do mal, do legítimo e do ilegítimo, sancionando divergências com detenções arbitrárias e excomunhões irreversíveis. Saudosos tempos, dirão as trupes de hoje, suspirando por partido único, por ideia única, por guarda pretoriana hábil no desmembramento e sumidouro de possessos.
Não estamos lá, sei-o, por prova valendo o actual exercício. Se nada me acontece, se aos limites do reino escoltado não sou, com ordem expressa de não regressar, um dilema se me põe: repisar argumentos, ou remeter-me a penoso mutismo?
Haja vírus e catalise ele uma coorte de desfechos fatais. Dêmos por aceite que ninguém queira morrer nem ver os seus morridos por piolhice evitável. Digamos, também, que não há cuidado primário que impeça prevenido de contrair o agente patogénico, vide a virginal Graça Freitas.

Aceite-se, de seguida, que sustente que o vírus já cá andaria e que entre nós continuará na sua modesta labuta. Vejamos: se não existia desde a Criação, quem o inventou? Dizem que existia, mas que terá sofrido mutação que o tenha tornado particularmente letal. Ora, não contraria essa asserção o que normalmente se pensa sobre a vitalidade do sistema imunológico humano? Mesmo esta mutação inglesa, não dizem os especialistas de lá que o agente se difunde com mais celeridade, sem que daí advenha um acréscimo de mortandade?

Esqueçamos o bicho e a paranóia sobre ele montada. Pensemos nas condições deploráveis de casas de repouso, no padrão de qualidade de unidades de cuidados continuados, na degradação do tecido social, na depauperação das populações, no agravamento geral das condições de vida; pensemos, acima de tudo, na Saúde que não temos, por muito que o Costa de cá e os Costas de lá encham a boca com façanhas e prioridades.
Na primeira metade do século XXI, há de concluir-se, viveu-se pior do que na segunda metade da centúria anterior. Acelerou-se o desvalor, rebaixou-se a humanidade a pontos de um monco levar para o outro mundo milhares de pessoas. O pânico que eu começo por ver é o dos dirigentes, que tão prontos são a exaltar mestrias por uma inauguração, por uma ideia comercial travestida de avanço ecologista, e que tão petrificados ficam com uma coisa que nos diz, à laia de historieta batida: o rei vai nu!

De fronteiras fechadas, o covbritish que surja em França é água que escorre do capote do Macron. Terá vindo a nado, responderá a uma Le Pen virulenta.
A que caos nos conduzem? O quieto não erra, diz o Costa. Vulgaridade de almanaque em cabo de peritos de testa fina.

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