Correio do Minho

Braga, terça-feira

A Cidade e as Tradições

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Ideias

2016-04-06 às 06h00

José Maria Rego

As cidades nasceram, fundamentalmente, da necessidade de proteção das pessoas que se sedentarizaram.
Na passagem do estado nómada para o estado sedentário, os homens foram forçados a viver em grupo. A produção dos alimentos, bens e serviços fez nascer a necessidade de se protegerem e protegerem os bens produzidos. Assim nasceram as muralhas à volta dos aglomerados de habitações e assim nasceu o comércio e as primeiras trocas comerciais.

A invenção dos aglomerados populacionais muralhados fez com que surgissem modelos de organização social, ou seja, policia, exército, tribunais, e serviços públicos: cemitérios, escolas, distribuição de água, mercados, tabernas, Igrejas, hospitais, etc.
Nas cidades muralhadas as pessoas começaram a ter uma identidade própria, identificavam-se com os seus concidadãos e com os espaços por eles construídos, criaram tradições e rituais próprios. Os cidadãos nasciam, cresciam, trabalhavam, casavam e morriam com a identidade que era dada pelo espaço construído e que habitavam.

As tradições tiveram um papel fundamental para dar sentido a estas vivências do dia-a-dia. As pessoas começaram a celebrar em conjunto todos os aspetos importantes das suas vidas; o nascimento, o casamento e a morte. Para estes momentos significativos os cidadãos começaram a criar rituais, celebrações, festividades, romarias, danças, instrumentos musicais, mosteiros e igrejas que albergavam pessoas que se dedicavam totalmente à administração e organização destas tradições, rituais e festividades.

As cidades começaram a ter uma cadeia de relações pessoais, bens e serviços, para beneficio dos que as  habitavam.
A arquitetura das cidades era uma mistura de todos estes aspectos: proteção e defesa dos cidadãos, partilha de bens e serviços, relações interpessoais, celebrações e rituais, sentimentos e ideias, poder e politica, etc.  
As cidades de hoje não são diferentes, no essencial, das cidades dos primórdios da humanidade. Todo o crescimento, toda a organização, todos os serviços produzidos, são no essencial e fundamental, os mesmos das cidades de outrora.

Hoje, a nossa cidade é o nosso espaço de segurança, de bem-estar, de identificação e onde temos os nossos familiares e teremos os nossos descendentes, A nossa cidade é o espaço de vida e de significação, que dá sentido à vida e onde celebramos os momentos mais significativos.
Poderemos andar por muitos outros lugares e aí viver... mas haverá sempre o apelo à terra que nos viu nascer. Os cheiros, os sons, os sabores, os olhares, as memórias, estarão sempre presos à cidade dos nossos ancestrais e às nossas tradições.

Estes sentimentos constroem as cidades e estão nas pessoas que as habitam e, por isso, as cidades são espaços de celebração, partilha, educação/formação, desenvolvimento e identidade. É possível viver fora da cidade, mas quem vive na cidade, com estes sentimentos, com estes valores, com este espírito, é sem dúvida mais feliz.
Braga, foi considerada uma das cidades europeias com melhor qualidade de vida e a cidade mais feliz.
“A cidade de Braga ficou em terceiro lugar numa votação que elegeu as cidades europeias mais felizes. 97% Dos inquiridos dizem-se satisfeitos por viverem na cidade de Braga”.

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