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Braga, sábado

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A cidade dos gentios

Norte sobe no Ranking Regional de Inovação

Escreve quem sabe

2014-04-01 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Em 1993 instituiu-se o Dia Nacional dos Centros Históricos. Para o celebrar foi escolhido o dia 28 de março, data de nascimento de Alexandre Herculano, seu patrono.
Como forma de celebração do dia, a Câmara Municipal de Braga desenvolveu algumas iniciativas junto dos monumentos centrais da cidade.

A abertura ao público da Torre de Menagem com exposições de armamento e animação histórica é um primeiro passo para conhecer esta estrutura medieval. Quem, por outro lado, participou na prova de orientação escolhendo o percurso histórico ficou, por certo, a conhecer um pouco melhor a sua cidade. Finalmente, para os mais curiosos, monumentos como a Torre da Porta Nova, a Domus da Escola Velha da Sé, as Termas da Cividade e a Fonte do Ídolo encontraram-se visitáveis, de forma gratuita, durante as celebrações deste dia.

Todas estas iniciativas foram louváveis, pois envolveram os bracarenses com a sua cidade e a afluência de pessoas no centro bem como aos próprios monumentos mostrou isso mesmo. Os bracarenses apenas precisam de iniciativas e de oportunidades, pois são um público bastante assíduo no que à cidade diz respeito.

Braga merece que o seu coração se mantenha VIVO! Porém, nos dias que correm, onde existem cada vez mais pessoas desempregadas e onde mais de metade dos jovens portugueses admite emigrar, para que lhes seja possível haver um futuro promissor, é importante que todos os dias sejam o dia nacional dos centros históricos. Não só pelas celebrações que o dia exige, mas sobretudo pela dinâmica de ocupação que os centros históricos carecem.

É importante refletir que, quando as celebrações terminam, o centro histórico da cidade fica “vazio”. Os prédios ficam “ocos”, as ruas desertas e o silêncio paira no ar de um local que outrora fora a nascente de vida da cidade. Se há 500 anos atrás, a Sé de Braga era o epicentro da cidade e há pouco mais de 300 o centro desenvolveu-se em torno da Avenida Central, hoje assistimos, sobretudo a partir das 19h a um centro deserto.

Tudo acontece devido ao grande desenvolvimento da cidade, que foi ficando com uma periferia cada vez maior e com inúmeras zonas habitacionais. Não desvalorizando a modernidade e todas as consequências que esta trouxe é importante não esquecermos onde tudo começou.
Parece-nos fundamental que volte a existir vida no centro daquela que já Bracara Augusta ou a Braga Medieval. No centro, à medida que os serviços se realojam noutros locais (tome-se o caso do Hospital de Braga, ou a perda de serviços da Loja do Cidadão), vão-se os at(ra)tivos da cidade. Deste modo, é urgente a criação de estratégias de motivação para a habitação do centro histórico da cidade.

Para isso, sugerimos que haja uma maior facilidade no restauro das habitações, quer seja realizado pela Câmara Municipal de Braga, quer por proprietários. Que o valor das rendas seja controlado, e de baixo valor, para que, desse modo, todos se sintam aliciados em viver no centro da cidade.

A criação de programas semelhantes ao Porta 65, pode também ser uma grande alavanca para o aumento de arrendamento dos imóveis centrais da cidade. Sendo Braga uma das cidades mais jovens da Europa, parece-nos pertinente que o arrendamento jovem seja uma das prioridades, não esquecendo no entanto os restantes bracarenses, tendo em conta, por exemplo, algo que deveria funcionar como uma renda social de habitação para jovens casais ou rendas partilhadas para seniores, para evitar o isolamento.

Estes são apenas alguns resultados de uma breve reflexão sobre o que se poderá fazer para resgatar o centro histórico do excesso de calma que o atormenta. Estamos certos de que antes de qualquer decisão, o melhor a fazer será ouvir as ideias de todos os bracarenses. Pois ninguém se importa mais com a cidade, do que os seus próprios habitantes.

A iniciativa da CMB, denominada “À Descoberta de Braga”, tem tido o condão de dar a conhecer os recantos da cidade, mas, além disso, é preciso que ocupar, de forma coerente, o coração de Braga. É preciso que se queira viver no centro histórico de Braga, para que este não fique adormecido com o fechar das lojas e dos cafés…

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