Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A China e Portugal

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Ideias

2018-12-07 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha

Nesta semana da visita de Xi Jinping a Portugal, já quase tudo foi dito sobre as relações de Portugal com a China. O Presidente chinês escreveu mesmo um artigo no Diário de Notícias a lembrar os laços históricos entre os dois países e o futuro promissor.
É necessário ser claro sobre estas relações. É certo que os portugueses foram os primeiros ocidentais a fixar-se no solo chinês, mas muito dificilmente as duas culturas se cruzaram. Os macaenses são mais o resultado do cruzamento de portugueses com emigrantes vindos do sudoeste da Ásia e, mesmo, do Japão e até africanos que por lá passaram a defender o império. As duas comunidades permaneceram separadas ao longo dos séculos. Recordo-me de, quando nos Estados Unidos, a minha esposa se cruzou com um chinês de Macau no departamento de economia e lhe referiu que Macau era uma colónia portuguesa e de ele lhe ter dito que não sabia, sendo certo que havia por lá alguns portugueses. Macau para eles era China. De resto, tradicionalmente, os portugueses não eram donos do território de Macau, mas arrendatários.
E o que ficou de Portugal em Macau? Muita pouca coisa. A China é outro mundo, uma cultura estruturada de forma diferente, com valores que não coincidem com os nossos. Também em Xangai, do imperialismo ocidental ficou apenas a imponência das feitorias que os chineses mantiveram, apesar da revolução maoista.
Mas que quer a China agora, já que não assimila outras culturas nem se deixa assimilar? E quando ocupou territórios vizinhos colocou lá chineses da etnia dominante, a etnia Han ( Veja-se o que está a acontecer no Tibete).
Na minha opinião, a China nunca deixou de se considerar o centro do universo, mesmo quando parte do seu território foi ocupado pelas potências ocidentais e pelos japoneses. O crescimento económico das duas últimas décadas veio avivar esta marca cultural. Todavia, rapidamente se deram conta de que os equilíbrios sociais internos e a manutenção das elites obriga a uma maior internacionalização que não passa apenas pela exportação de produtos de baixo custo, mas a uma política mais agressiva, sobretudo depois da eleição de Trump que acusa a China de desequilibrar a seu favor o comércio internacional.
É neste contexto que se deve entender os investimentos chineses em países estrangeiros e, sobretudo, o projeto da nova Rota da Seda, apelando para a nova centralidade com sede em Pequim.
Portugal conta muito pouco neste xadrez em que a China se prepara para ser o novo polo das relações internacionais (mundo bipolar) e ultrapassar os Estados Unidos no médio prazo, com ou sem guerra. Portugal é uma das portas de entrada na EU, mas a diplomacia portuguesa não se pode esquecer que os grandes países da Europa, em especial a França e a Alemanha vêm com maus olhos a agressividade da China dirigida para países débeis economicamente, mas estrategicamente bem situados, como Portugal e a Grécia (compraram recentemente o porto de Pireu e, agora, estarão interessado em Sines).
Como diz um autor conhecido, o pêndulo que, desde o sec. XVl estava do lado ocidental, oscila agora para o oriente.

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