Correio do Minho

Braga, terça-feira

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A cabra de Cabanelas apareceu em Fareja!

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Ideias

2012-02-06 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Provavelmente já ouviu falar num animal que anda à solta na freguesia de Fareja, em Fafe. Trata-se de uma cabra que, desde há cerca de três meses, invade o cemitério da freguesia, apodera-se das flores que estão colocadas nas sepulturas, ingere-as, e desaparece sem deixar rasto!
A forma como actua está a causar uma grande indignação nos habitantes da freguesia por-que, para além de comer as flores que são colocadas no cemitério, ninguém a consegue capturar e, mais intrigante, nem sequer a conseguem ver.

O fenómeno tem causado perplexidade nas pessoas, de tal forma que o estranho caso tem sido noticiado em vários jornais de âmbito nacional e, inclusive, nas próprias televisões!
Este caso faz recordar outro que ocorreu em Vila Verde, há quase 80 anos (1933) e que já há uns anos atrás fiz referência neste jornal. Tratava-se, à semelhança do que está a ocorrer em Fareja, de uma cabra que aparecia e desaparecia sem deixar rasto. Na altura, na freguesia de Cabanelas (Vila Verde), onde este estranho episódio ocorreu, a população mostrou-se assustada e muito preocupada com essa cabra que não aparecia, mas que todos juravam terem-na visto.

Em 1933 esse episódio também foi noticiado por vários jornais, o que aguçou o apetite e a curiosidade de muita gente.
Mesmo os mais corajosos de Cabanelas, de Prado e das freguesias próximas, sentiam um forte arrepio sempre que se falava na cabra. Alguns diziam mesmo que a tinham visto a voar, mas que ninguém a conseguia apanhar.

Ao jornal “Correio do Minho”, de 2 de Maio de 1933, o sr. Laurentino, da freguesia de Cervães, afirmou que de início não acreditava na existência de qualquer cabra e, pelo contrário, até se ria de quem afirmava ter medo do animal. Mas quando foi ver, o caso mudou de figura, porque ficou aterrado de medo: “Eu vi-a voar e miar e muitas dezenas de pessoas também viram”. Outro velhote, com grande experiência de vida, e que já tinha estado no Brasil, ainda disse que deveria tratar-se de alguma “alma penada, que andava a cumprir o seu fado”, mas outros responderam de imediato que a situação era bem pior, uma vez que se tratava do diabo em figura de cabra!

O mistério da cabra de Cabanelas atraia cada vez mais pessoas, que percorriam aquelas terras à sua procura, sendo aos domingos o dia em que a multidão mais se concentrava no local e era de tal ordem, que se verificavam momentos de verdadeira loucura. Todos queriam ver o diabo, que diziam que berrava como uma cabra e miava como um gato assanhado!

Com muita ansiedade, mas também muito medo à mistura, vários homens (os mais corajosos e astutos) agrupavam-se, munidos de varas, enxadas, foices encabadas e até caçadeiras, para tentarem capturar a cabra. Os habitantes mais próximos das “terras do sr. Carvalho”, local exacto onde a cabra aparecia com mais frequência, faziam tudo para tentarem resolver o mistério do animal assustador. Até “a Cegonha de Bastuço” uma mulher de grande experiência em exorcismos, e muito conhecida na época, tinha sido consultada e…nada!

Em determinadas alturas, parecia que a cabra voadora (ou o diabo, para muitos) queria jogar às escondidas com as pessoas presentes, uma vez que aparecia num canto do campo, envolto numa nuvem negra, e depois rasava por cima da cabeça das pessoas!

No dia 30 de Abril de 1933 essa enorme multidão resolveu, por volta das 11 horas da noite, esperar a “cabra voadora”. E, segundo relatos da época, e transcritos no jornal “Correio do Minho”, de 2 de Maio de 1933, a cabra apareceu mesmo, já passava da meia-noite, e “fazia tanto barulho a voar e a miar que até os castanheiros e as oliveiras pareciam que desabavam sobre o campo”. Mais uma vez assustados, os muitos homens e mulheres que lá estavam deitaram a fugir em altos gritos, bradando: “Abrenuncio, abrenuncio!”.

Com o passar dos dias, o entusiasmo em Cabanelas foi abrandando, mas nunca o medo. Afinal, a cabra voadora continuou a aparecer em locais e momentos em que as pessoas menos esperavam.
Depois de quase 80 anos, o mistério continua, agora noutras paragens. A cabra voadora de Cabanelas regressou e actua no local onde menos se esperava que actuasse: no cemitério de Fareja, em Fafe!

Tal como na época, também em Fareja vários homens, os mais valentes, têm-se agrupado para tentar capturar a cabra misteriosa. Todos sabem que ela existe, mas poucos conseguem afirmar terem-na visto. E o medo… mantém-se!
Prometo estar atento ao desenrolar deste misterioso caso, porque, depois de quase oitenta anos de um autêntico jogo às escondidas com as pessoas e, presume-se, depois de ter criado vários cabritinhos (e como há tantos na actualidade) pode ser que finalmente consigam capturar essa misteriosa cabra, que voa como uma ave de rapina e assusta como o diabo!

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