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A cabala e o desgoverno

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A cabala e o desgoverno

Ideias Políticas

2023-06-06 às 06h00

Fernando Costa Fernando Costa

De um lado, a cabala. O espetáculo montado pela comunicação social e pela oposição, que não a sabe ser, tentando dar relevo a inóspitos casos, de forma a esconder os bons números alcançados pelo Governo. A repetição incessante das mesmas notícias, dia após dia, nos ecrãs de nossa casa, com o tema a afunilar-se cada vez mais em detalhes folclóricos sem qualquer relevância para a resolução do problema, à procura da mais pequena incongruência que possa provocar (ainda) mais desconfiança aos portugueses. “E a TAP?”, perguntam, à espera de serem confrontados e questionados sobre os verdadeiros problemas do país. “E o PIB?”, questionam, enquanto rotulam orgulhosamente o seu trabalho como o trabalho “das contas certas”, em claro confronto com os “casos e casinhos” enaltecidos pelos adversários da esquerda à direita deste Governo.
De outro lado, o contrário: o desgoverno. A ausência de ética e de escrúpulos num Governo do Partido Socialista que passou muito rapidamente do “à vontade” para o “à vontadinha”, esquecendo-se num ápice que a Mulher de César também tem, normalmente, de parecer séria.

Um executivo que não soube adaptar-se à maioria absoluta, com uma equipa mal montada e que parece assumir com as próprias mãos matérias que não lhe dizem respeito.
Um primeiro-ministro que decide confrontar o Presidente da República sem qualquer pudor, um ministro das infraestruturas que apresenta a demissão, mas não a obtém, um ministro das finanças metido entre companhias áreas e tutti-fruttis numa tempestade crescente, sob o escrutínio crescente de um Ministério Público que promete ser tão lento como atento.
Um governo que apresenta folhas de cálculo para realçar o seu bonito trabalho, enquanto os portugueses apresentam os seus bolsos vazios para realçar o salário que não têm. Um país com sistemas públicos falidos, onde os professores, médicos e profissionais do transporte fazem do protesto o seu mote diário.

Duas visões quase antagónicas, mas que vivem lado a lado no nosso espetro noticioso e político, quase sempre corroboradas pelos mais experientes comentadores do nosso vasto painel, composto maioritariamente por gravatas rosas, cor-de-laranja e cabelo grisalho que aspiram (tentar) seguir o mesmo caminho que o Presidente Marcelo. Em suma, é cabala contra a desgovernação total. Infelizmente, em vez de se estar sempre a tentar discutir quem é o vencedor desta triste batalha, seria interessante discutir a possibilidade de ambas serem possíveis, em simultâneo.
Será possível que tenhamos hoje a principal oposição – PSD - sem soluções de fundo para a realidade do país? Será possível que a tenhamos a principal oposição sem um líder nato e capaz de renascer o partido social-democrata, mesmo com tantos erros sucessivos do atual executivo?

E será possível que, em simultâneo, tenhamos um governo que não se governa, nem a si nem aos portugueses? Será possível que estejamos hoje numa realidade onde nem a atual solução nem a principal alternativa sejam, de facto, algo que interesse a Portugal?
Se um dia conseguirmos ter esta discussão de forma ampla e imparcial em Portugal, significa que já não viveremos dentro da alçada de um Estado Central, centrado num “hoje és tu, amanhã sou eu”, onde saltamos do rosa para o laranja sem que na realidade tenhamos saído do sítio (como as autarquias de Lisboa, aparentemente).
Até lá, fica para regozijo meu e do leitor, perceber em quem (não) vencerá a disputa de realidades que, até ver, parecer não viver uma sem a outra.

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