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A bola de neve

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A bola de neve

Voz às Escolas

2023-01-18 às 06h00

Paulo Antunes Paulo Antunes

Não obstante ser residual no AE Maximinos, a falta de professores é um dos graves problemas na Educação em Portugal, sem solução à vista, apesar de algumas medidas paliativas implementadas pela tutela. As estatísticas assim o previam há muitos anos, contudo, este e outros problemas estruturais na educação, foram varridos para debaixo do tapete por sucessivos governos, da esquerda à direita, quiçá à espera de que se resolvessem por obra e graça do Espírito Santo. Conquanto as medidas positivas implementadas na área da Educação, porque é inegável que as houve, ao envelhecimento da classe docente, às reformas de professores, soma-se atualmente uma baixa procura por mestrados que dão acesso à carreira docente.
Em 2010, ano de publicação do primeiro Estado da Educação, já o Conselho Nacional de Educação sublinhava o “envelhecimento acentuado e progressivo”. Mais recentemente, no relatório Estado da Educação 2017, a situação é apresentada como dramática, carecendo de urgente planificação, nomeadamente na formação inicial de professores e implementação de medidas atrativas e de retenção destes profissionais no sistema educativo.
Face ao descontentamento geral dos profissionais da educação (pessoal docente e não docente), acumulado ao longo da última década, foi fácil perceber, para quem sente o pulsar da escola, longe dos gabinetes, que o rastilho estava cada vez mais curto e não foi difícil um sindicato, fora dos cânones habituais, despoletar os movimentos espontâneos de união dos profissionais da educação, com manifestações, vigílias e greves. Face ao estado atual da arte, qual é o/a jovem que deseja ser professora/a?!
Não tem sido fácil na qualidade de diretor, gerir e decidir sobre o funcionamento / abertura ou não, dos estabelecimentos de ensino do AE Maximinos durante este período de greves diárias. Na semana passada, por vezes, senti-me só, sem os parceiros institucionais públicos a colaborar comigo, com opiniões ambíguas e/ou silêncios ensurdecedores, na mitigação dos imensos problemas e transtornos causados.
O meu objetivo primordial tem sido assegurar a segurança e bem-estar no interior das instalações das diversas escolas e fazer respeitar a lei. Face às barreiras físicas e arquitetónicas das nossas escolas, tenho de proteger as nossas crianças e alunos, nomeadamente os de baixa visão, cegos, cadeirantes e autistas. Abrir com parcos recursos humanos seria um disparate e irresponsabilidade, com as quais não pactuo.
Ressalve-se que a greve é uma conquista de Abril, independentemente dos transtornos que possa causar. Um estado de direito democrático, que em Bruxelas condena atentados às liberdades e direitos democráticos em países como a Hungria e Polónia, não deveria agora, questionar e tentar limitar um direito garantido na Constituição da República Portuguesa.
Tenho apelado ao bom senso de todas as partes envolvidas, na esperança de ver uma luz ao fundo do túnel, já que estamos todos do mesmo lado, na defesa da Escola Pública. Colocar pais e encarregados de educação contra os profissionais da educação, ou colocar a inspeção nas escolas, não é ético nem salutar no contexto atual. Os profissionais de educação nunca desistem quando o aluno desiste, a família desiste e algumas instituições públicas desistem.
Como professor desde 1996, congelado no 4.º escalão desde maio de 2022, leciono atualmente Cidadania e Desenvolvimento no 8.º ano e exerço as funções de diretor, com o brio que me caracteriza. É meu entendimento, que só faremos a diferença, na Europa e no Mundo, com uma verdadeira Escola Pública, num ambiente promotor do elevador social, com melhores salários, melhor carreira docente e não docente, melhor educação inclusiva (com todos os recursos necessários), mais justiça na avaliação dos profissionais, mais democracia, mais equidade, mais dignidade nas condições de trabalho, mais autonomia, menos burocracia, menos precariedade, menos atos administrativos, menos autocracia, mais Educação… mais Abril.

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