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A avó de Bryan e o Paradoxo das marcas

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A avó de Bryan e o Paradoxo das marcas

Escreve quem sabe

2020-09-11 às 06h00

Rui Martins Ferreira Rui Martins Ferreira

Conheci o João e a Joana quando estive em Laos, no sudeste asiático. Eles trabalhavam na China e estavam a fazer uma viagem pela zona. Eu tinha vindo de Moçambique e estava a fazer o mesmo. Assim que os conheci fomos jantar, jogar bowling e beber umas cervejas juntos. Parecia que já nos conhecíamos há muitos anos.
Atualmente, lido com portugueses todos os dias mas dificilmente vou jantar, beber umas cervejas e jogar bowling, sobretudo se for essa a ordem dos acontecimentos.
Eu sei que isto não deverá ser grande surpresa. É provável que algo semelhante já tenha acontecido com o leitor mas isso não torna, pelo menos para mim, o fenómeno menos curioso.

A explicação para o mesmo terá várias nuances, mas o facto de eu partilhar algo em comum (como o país de origem) com o João e a Joana em contraponto com todas as pessoas à nossa volta, parece ter funcionado como elo de ligação e de criação informal de um grupo.
As marcas também têm esse poder. No meu 1º ano de Universidade, numa aula de finanças, lembro-me de ver o meu professor saudar um dos meus amigos como se fossem colegas, por ambos serem os únicos na sala com um Mac (computador da Apple).

Curiosamente, as melhores marcas (aquelas a que nos referimos como marcas e quase nunca como empresas) como a Apple, são aquelas que, ao mesmo tempo que conseguem criar um sentimento de pertença a uma comunidade, também conseguem reforçar a individualidade das pessoas.
É como se a marca reforçasse aquilo em que acreditamos e, ao mesmo tempo, fosse um sinalizador da nossa identidade.
Nós sabemos que um proprietário de uma Harley partilha um conjunto de valores e um sentimento de pertença com os outros proprietários, da mesma forma que, ter uma Harley permite ao seu dono transmitir algo sobre ele sem que tenha de dizer uma palavra.

Esse paradoxo grupo/individualidade que (só) as marcas mais admiradas conseguem fornecer lembra-me duma história que adoro, contada pelo Bryan Stevenson sobre a sua avó, numa das minhas Ted Talks preferidas.
O Bryan começa por contar que cresceu num lar tradicional dominada pela sua avó, uma matriarca à antiga, com 10 filhos, imensos netos e uma casa sempre cheia de gente.
Quando ele tinha 8 ou 9 anos, a avó chamou-o à parte e disse-lhe: “Bryan, tenho uma coisa para te dizer mas tens de me prometer que nunca vais contar nada a ninguém”.
“Prometes?” “Sim, avó, prometo”.

Depois sentou-o, olhou para ele e disse: “Quero que saibas que tenho estado a observar-te…e acho que és especial. Acho que podes fazer tudo aquilo que quiseres na vida”.
O Bryan diz que nunca mais se esqueceu desse momento, apesar de, anos mais tarde, um dos irmãos lhe ter dito que a Avó tinha aquela conversa com todos os netos.
Talvez as melhores marcas tenham traços da avó do Bryan. Conseguem fazer-nos sentir especiais e únicos, como se soubessem exatamente aquilo que sentimos, ao mesmo tempo que o fazem com outros milhares de pessoas.

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