Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

A árvore do amor na Avenida Central de Braga

Plano, Director e Municipal …

Ideias

2015-04-12 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Dizem que o mês de fevereiro é o mês do romance e da paixão. Especificam, inclusive, que o dia 14 desse mês, “Dia dos Namorados”, é aquele em que a paixão e, eventualmente, o amor, mais se revelam.
Tal como é comum afirmar-se em relação ao Natal, que “deveria ser todos os dias”, também o “Dia dos Namorados” deveria ser todos os dias, para que as paixões, os sentimentos e os relacionamentos perdurem de forma mais salutar.

O próprio Papa Francisco, no ano passado, abordou este tema, afirmando que se o amor for limitado só a “uma condição psicofísica”, não pode ser construído algo sólido, mas se o amor se “basear numa relação”, então essa é uma realidade que cresce e se constrói na “companhia do outro”.
Para que um relacionamento possa ser duradouro, é importante que existam constantes momentos reveladores do mesmo, onde as surpresas, os presentes inesperados, os momentos oportunos e inesquecíveis marquem a vida do casal.  

Existem diversas formas de revelar essa paixão: há os que oferecem viagens exóticas; os que oferecem o jantar em locais apaixonantes; outros oferecem chocolates ou doces repletos de romantismo; há ainda aqueles que escrevem mensagens das mais diversas formas (postais, cartas, e-mails, SMS); outros (cada vez menos) decidem surpreender com cartas manuscritas de sedução, idênticas às que se escreviam na segunda metade do século XIX; há ainda os que decidem oferecer objetos próprios dos apaixonados, onde os corações ou o nome da pessoa vem mencionado; há também os que decidem oferecer flores, embora existam alguns que optam por oferecer plantas, para que dessa forma as raízes das mesmas possam simbolizar o crescimento e fortalecimento do amor ou da paixão (AN).

Porém, a moda que mais se destaca, na atualidade, são os cadeados do amor. Esta moda centra-se na colocação de cadeados em pontes, como forma de provar de forma férrea a paixão que une as duas pessoas. Essa moda é muito mediática não só nas pontes de Paris como em outras cidades europeias. Recentemente chegou ao Porto este costume através da colocação dos primeiros cadeados do amor na Ponte D. Luís.

Alguma comunicação social tem abordado este tema, destacando a preocupação existente que o peso destes cadeados acarreta, uma vez que podem danificar a ponte e rebentar com os fios e tubos que lá se encontram. Veremos como as autoridades portuenses lidarão com esta situação. Terão coragem para proibir os cadeados do amor?

Esta não é uma preocupação das autoridades bracarenses, pois o rio que atravessa Braga não carece de pontes encantadoras como as que existem em Paris ou no Porto.
Numa outra perspetiva, a moda dos cadeados do amor já existe em Braga, há anos, concretamente no Bom Jesus do Monte. Quem não se lembra dos cadeados que os apaixonados colocaram na pequena grade que protege o célebre monóculo que se encontra no miradouro do Bom Jesus do Monte?

Durante uns anos, podemos observar algumas dezenas de cadeados, de todas as formas e cores, onde se podiam ler os nomes do casal e imaginar os momentos de paixão que os levou a colocar esse objeto e lançarem a chave dos mesmos, presume-se, para cima das árvores que em baixo desse miradouro se encontram. Provavelmente, algumas dessas chaves, não conseguindo equilibrar-se nas árvores, acabaram por se “estatelar” no chão, tal como, eventualmente, muitas das paixões que por lá passaram.

O peso desses objetos de metal foi aos poucos colocando em causa a estrutura de gradeamento que lá se encontra e, por isso, os mesmos acabaram por ser retirados do local, para normal tristeza dos casais apaixonados. Desde então, o que lhes restou foi o monóculo que se encontra mesmo em frente, para verem o seu amor por um canudo!

Uma vez que em Braga, como vimos, não existe propriamente uma ponte adequada para que os casais apaixonados possam lá colocar os cadeados do amor, seria importante que aqui existam outras formas de revelar as paixões publicamente. Por isso, aconselho a Câmara Municipal de Braga a colocar num local adequado, de preferência na Avenida Central, uma árvore em metal, atraente, para que todos os que assim o entendam lá possam colocar os seus cadeados e demonstrarem o seu amor e a sua paixão.

Ainda neste contexto, seria também importante que a Câmara Municipal de Braga colocasse, junto a essa árvore das paixões, uma outra mais pequena, mas com outra forma que não um coração, onde os apaixonados lá colocassem as chaves do cadeado. Isto para que, quando quisessem desfazer as suas paixões, dignamente lá fossem retirar o romântico cadeado!

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

30 Novembro 2020

Um Natal diferente

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho