Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

37 anos ao serviço da comunidade

A vida é um diálogo entre fronteiras

Voz às Escolas

2010-04-12 às 06h00

Jorge Amado Jorge Amado

A curva para o terceiro trimestre do ano lectivo é sempre uma excelente altura para se olhar para trás. Imenso caminho percorrido em seis meses de empenhamento nas componentes várias que se cruzam e que condicionam, cada uma delas, o sucesso que dá sentido e norte à instituição.

Alunos, professores, funcionários e pais entrançados numa teia de relações assentes em bases tão importantes mas tantas vezes tão intrincadas como a amizade, o respeito mútuo, a competência e a responsabilidade, factores essenciais para a construção de uma escola sempre melhor, promotora do sucesso e da cidadania.

É também um percurso de tensões e conflitos, de sonhos e algumas frustrações num horizonte que somos tentados a alargar para longe no tempo, num passado já de impor respeito pela extensão. Trinta e seis anos de projecto Francisco Sanches. Um desfilar de nomes que por aqui passaram e credores de uma clara dívida de reconhecimento, achegas sucessivas e impossíveis de mensurar no justo peso em que foram deixando marca, no sentido de ser sempre acrescentado um contributo, subido um degrau na escalada da excelência que hoje continuamos a perseguir.

No presente, coube-nos a feliz coincidência de prepararmos a comemoração do centenário da República - e não foi a educação o grande estandarte e essência do republicanismo? - numa altura em que não é exagero falar-se em fase revolucionária para a nossa escola.

De facto, implementadas as bases que enquadraram o nosso agrupamento de escolas no nicho de oportunidade aberto por termos sido considerados um território educativo de intervenção prioritária, será finalmente, a altura de vermos avançar a requalificação que separará, indelevelmente, o futuro que adivinhamos gerador dos maiores sonhos e o tal passado para onde olhamos com apreço mas de todo prenhe de constrangimentos.

É pois deste patamar de avaliação privilegiado que nos propomos anunciar a intenção de parar para celebrar, dentro da festa anual do Agrupamento, a escola que fomos e os que a têm vindo a fazer ao longo de todo este tempo. Alu-nos, pessoal docente e não docente, que já não estão connosco de forma activa, merecerão a nossa homenagem e o reconhecimento pelo tributo que deram e a cuja dívida de gratidão não poderemos mais dar do que um pagamento simbólico.

Será também o tempo de divulgar, junto dos pais/encarregados de educação e da comunidade educativa em geral, aquilo que os seus educandos têm vindo a construir de modo mais ou menos visível, seja nas áreas da Expressão Artística, seja nas performances em termos de tantos prémios e reconhecimento conquistados extra-muros e que muito nos trazem orgulhosos em vectores tão diversificados como o âmbito de provas regionais do desporto escolar, dos campeonatos nacionais de jogos matemáticos, de prestações em termos dos grupos de teatro, dos cavaquinhos, da jardinagem, entre outros e, claro, em termos de excelência académica. A todos tenta-remos pública e festivamente homenagear.

Contudo, agora mais que nunca, cabe-nos olhar para a frente. Para o terceiro período, claro, em que todos colocaremos a energia e entusiasmo necessários para terminar com o ansiado brilho o ano lectivo, mas, mais que isso, para o horizonte do médio e longo prazo em que carregaremos a singular responsabilidade, não só de optimizar os meios materiais de que esperamos vir a dispor em breve prazo e que não estiveram ao alcance dos tais muitos que nos antecederam e que foram fazendo a história da nossa escola mas, dizíamos, sobretudo, no discernimento assertivo do rumo a seguir num enquadramento de realidade social decididamente muito mais complexo do que nos primórdios da implantação da escola.

Desde logo pela transformação da nossa comunidade, hoje singularmente transcultural, cheia de nichos de minorias residentes que coabitam no espaço escolar e que mais que gerarem, amiúde, um mundo de tensões e equilíbrios fugazes, se constituem num mar de oportunidades, desafios e riquezas que importa saber explorar. Além das incertezas transversais a toda a sociedade, no sentido do descortinar do que hoje é o interesse dos estudantes, menores ou adultos, dos encarregados de educação, do papel de cada um na comunidade e do papel da escola em harmonizar uns e outros de modo a poder atender às mutantes expectativas académicas e profissionais concretas, tendo, inclusive, a capacidade de antecipar mudanças, cujo diagnóstico, se desajustado, muito difícil será de reverter no curto prazo.

Neste propósito tem vindo a nossa escola a transformar-se numa plêiade de ofertas formativas diversificadas que contemplam, desde um conjunto de possibilidades de opção na vertente profissionalizante, à busca de respostas para a necessidade de manter a vida estudantil concomitantemente à vida profissional, num alargamento de serviços prestados abrangentes de uma fatia da comunidade que servimos que extravasa, em muito, o âmbito do ensino regular, com a capacidade crescente que temos vindo a demonstrar de alcançarmos outros públicos, num exercício de flexibilidade mesmo ao nível dos horários de dinamização dos espaços.

Obviamente, não são fáceis estes tempos tão marcados pela mudança. Mas não temos dúvidas de que a tarefa que, enquanto direcção, nos cabe conduzir, é absolutamente fascinante e, cremos, capaz de empolgar toda a comunidade educativa, co-responsabilizada em todo o processo que temos em mãos.

Enquanto director, expresso aqui o meu orgulho por colaborar com uma equipa de profissionais e uma comunidade no geral que tantas provas tem dado de absoluta capacidade de desenvolver um verdadeiro trabalho, um projecto conjunto de todo meritório, que leve a uma realização crescente de cada um de nós.
Assim, a última palavra é claramente de alento e optimismo a todos os que aqui trabalham, a todos os que estudam e aos que nos confiam os seus educandos. Sem deixar de ser, claro, uma palavra de imensa gratidão.

Deixa o teu comentário

Últimas Voz às Escolas

06 Fevereiro 2020

Que professores queremos?

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.