Correio do Minho

Braga, quarta-feira

28 anos de TSF

O que nos distingue

Ideias Políticas

2016-03-01 às 06h00

Hugo Soares

Já aqui escrevi sobre o papel que julgo terem os Media nos dias que correm cada vez mais depressa. Acredito mesmo que a clássica separação de poderes, a trilogia de Montesquieu, está hoje ultrapassada; um novo se levantou e se juntou ao poder executivo, judicial e legislativo: o poder dos Media.

Julgo não ter hoje contestação que a comunicação social - escrita, radiofónica e televisiva - encerra em si um poder de tal maneira poderoso que é recorrente discorrermos sobre a sua independência, sobre o seu controlo e até sobre a sua parcialidade. Nada disto seria tema não fosse, de facto, a capacidade que os media hoje concentram de persuadir a opinião pública, de a influenciar e até de a determinar.

Ora, se o verdadeiro poder radica e deve radicar no povo soberano, que outro instrumento de poder mais forte pode haver do que aquele que pode efetivamente influenciar o povo? A capacidade de criar e relatar factos, de criar ou destruir personagens de todos os tipos, de promover ou desclassificar empresas, deve conferir à comunicação social um papel de charneira na sociedade que queremos construir. Confesso que este é um tema dos que mais me fascina e mais reflexão me motiva. Se tenho como certo as premissas que já expus, a questão que se coloca é o que fazermos para construir, também a partir dos Media, uma sociedade melhor. Como termos os melhores jornalistas? Como se pode criar uma verdadeira cintura de proteção aos Media que em simultâneo seja garante de independência e qualidade?

Vem isto ao propósito da celebração, ontem, do 28º aniversário da TSF. Um projeto sonhado na informação e pela informação. Pela mão de Emídio Rangel - um dos maiores impulsionadores e responsáveis por este fantástico projeto - a TSF afirma-se pela capacidade de informar, em cima de cada meia hora, pela capacidade de entreter com qualidade, pela diversidade da sua oferta e pela interação e valorização da opinião do ouvinte.

Do desporto à cultura, da sociedade à política, das tradições à globalização, a TSF tem sabido ocupar um lugar bem cimeiro no panorama da comunicação social portuguesa. Pode-se gostar mais ou menos dos seus comentadores (Deus sabe como às vezes discordo!!). Pode-se contestar este ou aquele alinhamento. Pode-se até duvidar do gosto melodioso desta ou daquela música escolhida. Há uma certeza que temos sempre: na TSF procura-se fazer rádio com informação, isenção e qualidade. Foi assim que aprendi a ouvir a TSF.

É, confesso, a rádio que tenho sintonizada, por defeito, no carro (e que vou saltitando com a Antena Minho, claro está!!). É uma rádio de referência, sempre superiormente comandada. Na minha modesta opinião, hoje liderada por um dos maiores da sua geração, o David Dinis, que prova que os grandes jornalistas não se medem pela idade.
Por ocasião do seu 28º aniversário, a TSF, as rádios deste país, todos os Media, estão de parabéns. Mas merecem uma reflexão: Quo Vadis, jornalismo?

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