Correio do Minho

Braga, quinta-feira

2016: Balanço Ambiental

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2017-01-25 às 06h00

Pedro Machado

Nesta altura é habitual fazer-se uma retrospetiva do ano anterior e, em jeito de balanço, enfatizando o mais relevante.
Para a Braval, 2016 foi um ano marcante! Assinalou os 20 anos da sua criação e, fazendo uma retrospetiva destas duas décadas, é incrível constatar que foi feito muito em tão pouco tempo!
Relembro que, em 1996, todos os resíduos eram depositados em lixeiras a céu aberto sem qualquer tratamento, separação ou proteção ambiental, eram autênticos Cancros Ambientais!!

Depois da entrada em funcionamento do aterro sanitário, estas lixeiras foram encerradas e recuperadas ambientalmente. Em 2000, iniciou-se a recolha seletiva de resíduos com a colocação de ecopontos. Nesse ano foram recolhidas cerca de 1.000 toneladas de resíduos recicláveis, em 2016, chegamos às 16.000 toneladas!
Entretanto, em 2004, por nossa iniciativa, lançamos o conceito do Ecoparque Braval, derivado do novo paradigma, no concerne aos resíduos: a Valorização dos Resíduos.

O Ecoparque integra vários projetos, que muito nos engrandecem, como por exemplo: o Óleo +, a valorização de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos, a receção de Pneus, Ecocentro para resíduos de grandes dimensões, o tratamento de Resíduos Hospitalares e o aproveitamento do biogás para produção de energia elétrica.

No ano em que celebramos 20 anos, é inaugurada a Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB), a 19 de fevereiro de 2016, em cerimónia presidida pelo Ministro do Ambiente, Eng.º João Pedro Matos Fernandes. Na cerimónia marcaram presença os Presidentes dos municípios acionistas da Braval, representantes de diversas instituições oficiais de âmbito local, regional e nacional bem como, representantes de outros sistemas de tratamento de resíduos e outros convidados, honrando o momento tão significativo na história da Braval.

Tratou-se do maior investimento realizado pela Braval, aproximadamente 22 milhões de euros, co-financiado pela União Europeia, apoiado em 69% pelo Fundo de Coesão (QCA III), numa 1ª fase, e em 85% pelo QREN - POVT, numa 2ª fase.
A Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico tem capacidade para o tratamento mecânico de cerca de 100 mil toneladas de resíduos indiferenciados, a valorização de 30 mil toneladas da fração orgânica e 10 mil toneladas de resíduos verdes e castanhos.
Durante o primeiro ano de funcionamento tratou cerca de 55 mil toneladas de resíduos indiferenciados, ou seja, cerca de 50% da sua capacidade total.

Mas também há lamentações!
Em termos negativos, em 2016, continuamos a destacar o vandalismo de ecopontos e a colocação de todo o tipo de resíduos na envolvente dos ecopontos, por fora dos ecopontos, comportamento que é proibido e punível com coima por todos os regulamentos municipais de resíduos, dos 6 concelhos abrangidos.
É também frequente encontrar restos de comida, animais mortos e outro tipo de resíduos contaminados, dentro dos ecopontos, prejudicando a sua triagem e inviabilizando até a sua reciclagem. Há que utilizar os ecopontos com civismo, colocando apenas os resíduos permitidos, os resíduos de embalagens recicláveis.

A finalizar o ano, como abordei na altura, em termos internacionais também há uma preocupação: A eleição de Donald Trump como 45.º Presidente dos Estados Unidos da América vem abalar o acordo histórico de Paris alcançado no final de 2015, relativo ao combate às alterações climáticas, através do qual, todas as partes assinaram um acordo juridicamente vinculativo, num esforço conjunto dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, para manter o aumento da temperatura global do PLANETA nos 1,5ºC.

Trump declarou, durante a campanha, que não irá cumprir o acordo e, logo no primeiro dia, após a sua tomada de posse, todas as notícias sobre alterações climáticas que estavam na página oficial da Presidência norte americana desapareceram do site, o que não augura nada de bom relativamente ao futuro do combate às alterações climáticas no Planeta.
Vamos continuar a trabalhar para que 2017 seja um ano excecional em termos de tratamento e valorização de resíduos. Só o conseguiremos com a colaboração da população.

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