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“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” HUMOR

O “primeiro poder”

“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” HUMOR

Escreve quem sabe

2021-01-26 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Serendipidade, Espanto, Otimismo, Resiliência, Humor, Liderança, Talento, Conhecimento, Excelência e Felicidade. As 10 palavras desta caminhada que partilho neste espaço, durante 10 meses. Nos meses anteriores, SERENDIPIDADE, ESPANTO, OTIMISMO, RESILIÊNCIA. Hoje: HUMOR. Pensei várias vezes, nestes últimos dias, se deveria ou não omitir esta palavra e passar à frente, a outra. Como falar, escrever e até mesmo pensar em HUMOR quando o país (e o mundo) está mergulhado nesta odiosa pandemia? Como falar de HUMOR quando só apetece chorar, chorar pelos que partem e acima de tudo por aqueles que todos os dias trabalham para cuidar e salvar vidas? Como falar de HUMOR quando as nossas escolas mais uma vez interrompem as suas atividades letivas presenciais confinando as nossas crianças a quatro paredes? pois… mais valia desistir desta palavra e passá-la à frente. Até que me recordei de um dos maiores filmes do cinema, tão conhecido por todos. A Vida É Bela, um filme italiano de 1997, uma comédia dramática de Roberto Benigni, dele e com ele, que se passa durante a II Guerra Mundial: com muita inteligência e bom humor Guido (Roberto Benigni) leva o seu filho a acreditar que estão num jogo, protegendo-o assim do horror do campo de concentração onde estavam. Na altura, a utilização da comédia para abordar este tema de guerra foi alvo de duras críticas, que rapidamente se esbateram fazendo deste filme um grande sucesso. E por isso… aqui está. HUMOR… o humor em educação… o HUMOR na sala de aula… o HUMOR contigo… o HUMOR comigo. Em 2008, na Universidade Aberta, Handerson Engrácio no seu trabalho de mestrado “O Humor em Educação” apresenta uma investigação que confirma que o uso do humor é uma forma de incentivar a criatividade, o envolvimento na aprendizagem e a boa relação entre professor e aluno. Os resultados e dados que observaram levou-os a considerar a relação humor-educação como sendo útil ao nível do interesse, motivação e classificações em exames. O ambiente na sala de aula é de suma importância para a qualidade das aulas e o professor deve ter a sensibilidade para garantir que esse ambiente seja produtivo e agradável. Usar o humor é um dos instrumentos que pode ajudar a que isso aconteça. Fazer rir é meio caminho andado. Como? Citando Morrison, Engrácio refere que o humor implica em muitos casos, jogos de palavras, imagens surpreendentes e incongruentes, a capacidade de criar e se desviar do pensamento padrão. Ora, esta característica é precisamente a característica principal da criatividade. “O humor e a criatividade são grandes companheiros. O humor aumenta o potencial do pensamento divergente e a habilidade de resolver problemas complexos. Ligando áreas que anteriormente não estavam ligadas no cérebro, o humor forja novas associações envolvendo conceitos existentes”. Então, para lá das capacidades comunicativas inerentes ao professor, podemos acrescentar um novo passo: ensinar com HUMOR. Sim… mesmo em tempo de pandemia! Mesmo dentro ou fora da sala, presencial ou virtualmente. Num outro estudo alargado, dois grupos de alunos foram sujeitos a duas abordagens diferentes: um grupo em que as matérias foram ensinadas com recurso a linguagem e exemplos “sérios” e o outro, a mesma matéria, mas com recurso a exemplos e intervenções humorísticas. Mostrando pequenos cartoons, ou contando histórias engraçadas sobre os temas a abordar, o professor reforça seguidamente os conceitos que estão ligados àqueles episódios. Os resultados do grupo em que o humor foi usado na explicação da matéria foram mais elevados do que os resultados do grupo de controlo. O autor do estudo acredita que isso aconteceu porque o humor não foi somente usado por si só, nem como forma de melhorar o ambiente na sala de aula, mas como ilustração e exemplificação dos conceitos a ensinar. Este condicionamento fez com que os alunos compreendessem e memorizassem melhor. Condicionar o comportamento pela negativa, como obrigar os estudantes a escrever 100 vezes “não voltarei a fazer barulho” nem sempre tem efeitos positivos, mas tem sido constantemente usado. Infelizmente, e porque sempre associamos a educação a um assunto muito sério (a que eu não retiro nem um pingo de seriedade) os professores esqueceram-se de sorrir, e, mais ainda, de fazer sorrir. Sorrir também se ensina… também se aprende. Como? Fácil. (Aliás, como muita coisa em educação). Fazendo! Neste caso… sorrindo! Rir é contagiante. Quando vemos ou ouvimos alguém a rir, rimos também. A afabilidade que o riso provoca aproxima-nos dos outros seres humanos e faz-nos sentir integrados nos grupos, como diz Engrácio. E como sorrir e rir são também o resultado do uso do HUMOR, sorria e ria com os seus alunos, dentro e fora da sala de aula, nos tempos bons, mas sim, e acima de tudo, nos tempos maus: como este! Ah… e já agora, SORRIA: alguém pode estar a olhar para si e vai sorrir para si também.

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