Correio do Minho

Braga, terça-feira

1,3 milhões de razões para pensar diferente

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Ideias

2017-11-27 às 06h00

Pedro Morgado

Na última sessão da Assembleia Municipal ficámos a conhecer um pouco mais acerca dos planos do executivo municipal para o processo de renovação do Mercado Municipal de Braga. A obra, que é muito necessária, irá obrigar à deslocalização dos seus comerciantes durante vários meses, gerando dificuldades acrescidas para aqueles que ali estabeleceram os seus negócios.

Depois de vários debates e audições com os comerciantes, entendeu o Município que a melhor solução seria criar um espaço provisório no Campo da Vinha com recurso ao aluguer de estruturas móveis. Esta solução apresenta duas vantagens relevantes: a proximidade ao atual mercado garante a fidelidade dos utilizadores do espaço comercial; e a concentração de comerciantes num único local mantém intacta uma das maiores virtudes do mercado.

Segundo os documentos apresentados na Assembleia, a solução escolhida pelo executivo municipal tem um custo superior a 1,3 milhões de euros que serão inteiramente dedicados ao aluguer das estruturas que albergarão de forma provi- sória os comerciantes do Mercado Municipal no Campo da Vinha.
A magnitude do investimento e a completa extinção do seu valor após o período de obras do atual Mercado, levam-nos a questionar se não existiriam outras soluções que pudessem constituir-se como um investimento para o futuro.

Uma das soluções poderia passar pela identificação de um edifício municipal que pudesse beneficiar daquele investimento, transformando-o depois num espaço permanentemente dedicado ao serviço das populações.
Perguntamos: não seria possível canalizar aqueles 1,3 milhões de euros para uma reabilitação low-cost da Fábrica Confiança que se encontra abandonada e à mercê da voragem destruidora do tempo? Não seria possível utilizar aqueles 1,3 milhões para transformar a Fábrica Confiança num espaço de exposições e eventos que pudesse albergar provisoriamente os comerciantes do Mercado Municipal e ser devolvida à cidade após o restabelecimento do atual edifício do Mercado?
É certo que esta solução poderia desagradar um pouco mais aos atuais comerciantes do Mercado Municipal devido à maior distância da Fábrica Confiança. Mas também é certo que a mudança temporária poderia ser uma oportunidade para chegar a novos públicos e conquistar novos clientes. E, por outro lado, os transtornos causados pela maior distância ao atual mercado poderiam ser mitigados com a disponibilização de um serviço de transporte públicos em regime de vaivém.

Há duas semanas refletimos neste espaço sobre o que não estamos a fazer coletivamente para preparar o futuro das próximas gerações. Um pouco por todo o mundo ocidental, o futuro está a ser dese- nhado para que as infraestruturas, os bens e os serviços sejam partilhados de forma a garantir a sustentabilidade do planeta. Centramos então a nossa reflexão no uso do automóvel individual e na necessidade das nossas cidades deixarem de investir em trazer mais carros para os centros urbanos, passando a privilegiar o uso de outros meios de transporte e devolvendo às pessoas apeadas o usufruto dos espaços agora ocupados pelos carros.

Hoje refletimos sobre a benevolência de investimentos em soluções provisórias que não são geradoras de valor para o futuro. É que, a par da partilha de infraestruturas, bens e serviços, a reutilização é um dos caminhos para garantirmos a sustentabilidade do planeta mas também do Estado e das diferentes instituições que o compõem.

Importa salientar que não está em causa a generosidade da solução adoptada pelo executivo que acreditamos ter sido pensada para servir da melhor forma os comerciantes e os utilizadores do atual Mercado Municipal. Mas para responder eficazmente aos desafios do futuro é preciso pensar fora da caixa, incrementar a democracia participativa e estimular a participação democrática da sociedade civil para além dos atos eleitorais. Se o fizermos, estaremos com toda a certeza a construir um futuro mais sustentável em termos económicos e ambientais. E neste caso havia, pelo menos, 1,3 milhões de razões para pensar diferente.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

20 Fevereiro 2018

Nós somos um Rio

20 Fevereiro 2018

Termas Norte de Portugal

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.