Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Vida das cadeias dos séculos XVIII e XIX retratada em Livro
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Vida das cadeias dos séculos XVIII e XIX retratada em Livro

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Braga

2018-09-09 às 08h05

Miguel Viana

Obra da autoria de Alexandra Fernandes pretende alertar consciências para as formas de vida nas cadeias portuguesas.

‘Grades que Silenciam. A Punição e a Procura da Regeneração: os Espaços Carcerários do Alto Minho nos Séculos XVIII e XIX’ é o título do livro de Alexandra Esteves, que ontem foi apresentado no Palácio do Raio.
O livro, declarou ao ‘Correio do Minho’ a autora e historiadora’, pretende alertar consciências para o trabalho de reintegração que é necessário fazer nas cadeias portuguesas. “Custa-me ver, hoje em dia, as pessoas a colocarem uma etiqueta nas pessoas e não conseguirem ir além dessa etiqueta e que não tenham a capacidade de ver que a pessoa se transformou. Esta obra serve para verem que homens, mulheres e crianças viveram autênticos infernos, por cometerem pequenos furtos e viviam em condições miseráveis”, revelou a autora.

Alexandra Esteves tomou como exemplo o caso de Ponte de Lima, onde muitos reclusos morreram afogados. “Ponte de Lima é um caso paradigmático. A antiga cadeia fica próxima do rio, que até aos anos 80 (do século XX), enchia frequentemente, e muitas vezes os reclusos ficaram submersos e alguns chegaram a perder a vida, porque estavam na enxovia, um espaço onde estavam os criminosos considerados perigosos, contou Alexandre Esteves.
A obra surgiu de uma tese de doutoramento e revela que as cadeias dos séculos XVIII e XIX tinham a preocupação de regenerar as pessoas. “Portugal ficou um pouquinho aquém do que seria expectável. Verificamos que as cadeias são espaços de punição mas não são de regeneração”, disse Alexandra Esteves.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Bernardo Reis, destacou que a obra “constitui um inegável contributo investigativo para o universo das prisões nos séculos XVIII e XIX, abordando também uma faceta intrinsecamente ligada à missão das Misericórdias, relacionada com a assistência aos presos.”
Bernardo Reis frisou ainda que “insere-se na missão cultural da Misericórdia o apoio à publicação de obras e estudos de investigação que nos trazem novos conhecimentos sobre temáticas específicas da nossa história, sobre tudo da história social, que nos permitam pensar e reflectir o presente e preparar o futuro, um futuro melhor e mais promissor.
A apresentação do livro esteve a cargo de Ofélia Rey Castelão, investigadora da Universidade de Compostela (na Galiza, Espanha).

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