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Viana do Castelo: José Maria Costa defende uma maior proximidade dos eurodeputados com as regiões de origem
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Viana do Castelo: José Maria Costa defende uma maior proximidade dos eurodeputados com as regiões de origem

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Alto Minho

2018-09-05 às 06h00

Redacção

Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e da CIM Alto Minho defende que deve haver uma maior proximidade dos eurodeputados com o seu país e regiões de origem. José Maria Costa falava na Polónia, onde se encontra a participar no Fórum Económico.

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e da CIM Alto Minho, José Maria Costa, defende uma maior proximidade entre os eurodeputados e o seu país e regiões de origem. A declaração do autarca surge no âmbito do convite para participar no Fórum Económico, a maior conferência internacional da Europa Central e Oriental, que arrancou ontem em Krynica, na Polónia.

Até à próxima quinta-feira, o Fórum Económico em Krynica reunirá mais de 4 mil convidados, entre líderes políticos, económicos e sociais, oriundos de mais de 60 países da Europa, África, Ásia e América.A cimeira dedicará a edição deste ano ao tema “Uma Europa de Valores Comuns ou Uma Europa de Interesses Comuns?”

Nos três dias de debate estarão mais de 200 painéis de discussão sobre as questões e os desafios mais importantes que a Europa tem de enfrentar nas próximas décadas.

Para o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Europa está, neste momento, “perante um dilema civilizacional”, e aponta três questões fundamentais. Em primeiro lugar, a Europa “tem de mostrar à comunidade internacional que é, de facto, o grande baluarte dos direitos, das liberdades e das garantias”, e aqui a questão fundamental é saber “qual o diálogo que a Europa vai ter com as novas realidades das migrações” e saber “se a Europa quer continuar a ser um espaço sem fronteiras, de cidadania, aberto ao diálogo”. Em segundo lugar, a Europa está com um dilema de “competitividade face aos novos mercados emergentes e face àquilo que são as novas realidades de desestruturação do mercado internacional, com uma intervenção cada vez mais presente dos Estados Unidos”. E nas questões do comércio internacional, José Maria Costa defende que “é preciso que a Europa tenha uma voz unida e capacidade de intervenção na negociação com os mercados da China e dos EUA”, sem perder a regulação do mercado internacional, pois “a Europa não é capaz de gerar um mercado suficiente para a sua própria produção e os produtos europeus precisam de ter razões de competitividade em outras partes do mundo”, explica o autarca. Em terceiro lugar, a Europa tem de fazer uma aposta na inovação e nos jovens. Nesta área, José Maria Costa realça o que Portugal tem vindo a defender: “a Europa tem de ser, cada vez mais, um projeto de coesão territorial, que tem de haver uma aproximação entre a Europa do norte e a do Sul e tem de haver uma aposta clara nos centros de conhecimento e na competitividade dos centros de conhecimento europeus”. O presidente da CIM Alto Minho alerta que “nas áreas da inovação e da investigação, ainda se investe menos na Europa do que em outras realidades mundiais”, pelo que defende alguma coesão nos apoios às entidades de conhecimento: “Não podemos correr o risco de, no próximo período de programação comunitária, haver financiamento mais dedicado à Europa do Centro e do Norte do que aos países, às universidades e aos centros de investigação da Europa do Sul”. Outro grande desafio, conclui José Maria Costa, é a Europa encontrar “projetos de empregabilidade e de sustentabilidade para as novas gerações, projetos que assentem nos valores europeus da liberdade, fraternidade e coesão social”.


O perfil do eurodeputado

Quando questionado sobre o perfil dos eurodeputados, considerando as eleições europeias que se avizinham, José Maria Costa começou por explicar que a Europa tem cada vez mais intervenção nas políticas nacionais, pelo que “é importante que os eurodeputados tenham um trabalho de maior proximidade para transportarem os debates da Europa para o centro de debate do seu país e das suas regiões, pois aquilo que se debate na Europa são as grandes linhas de orientação para o nosso país”.

Nesse sentido, o autarca enumerou alguns requisitos para aqueles que nos vão representar numa escala europeia: alguém que conheça bem a sua região e o seu país e que tenha um conhecimento das organizações e das realidades nacionais; mas também um conhecimento das realidades europeias, das redes europeias, das suas instituições e do pensamento europeu. O eurodeputado tem de ter uma grande disponibilidade para que haja uma forte relação entre os territórios de origem e o território europeu, de forma a conseguir-se uma capacidade de influência e de discussão a nível europeu, com base nas realidades nacionais e regionais. No fundo, explica o autarca, pretende-se que os deputados europeus sejam pontas de lança regionais e nacionais nos fóruns de debate e de decisão europeus.
O José Maria Costa afirma que ainda nos deparamos com algum distanciamento entre a realidade parlamentar europeia, a realidade parlamentar nacional e as próprias organizações e instituições, pelo que, na próxima legislatura, devia haver um compromisso dos eurodeputados de transporem as questões europeias para o seu país e regiões, para que estes possam tirar mais partido das oportunidades que a União Europeia nos coloca, quer seja do ponto de vista de investimento, financiamentos, quer seja da interação e cooperação entre instituições e projetos nacionais e europeus.


Viana recebe dois grandes fóruns europeus

E falando de oportunidades, Viana do Castelo vai acolher este mês de setembro dois debates relevantes sobre questões europeias. A 28 de setembro, o Forum Europeu do Mar, que irá debater a estratégia marítima europeia, e que segundo o autarca local, será “um espaço muito importante de debate e de afirmação da própria individualidade portuguesa e da nossa expressão marítima atlântica relativamente à União Europeia. A cimeira dedicará boa parte da discussão aos novos desafios do mar, como as energias renováveis, os portos tecnológicos, as grandes auto-estradas do mar, entre outros. Portugal e Viana do Castelo, que foi selecionada para acolher este evento, vão estar, assim, no centro do redesenhar das novas políticas europeias marítimas.
A 19 de setembro, terá lugar também em Viana o Fórum da OCDE sobre as novas formas de trabalho "A New World of Work: Global Trends and Local Actions". Uma oportunidade que Viana do Castelo irá aproveitar, segundo José Maria Costa, “para transportar para este fórum europeu a nossa visão de que os territórios têm de ter mais qualificações, têm de estar mais disponíveis para acolherem projetos de inovação e, acima de tudo, temos de ter outras formas de diálogo entre empregadores e empregados, comm relações mais justas e mais atrativas”.

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