Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Um dos perigos do futuro é que a política vire religião
Missa e Procissão que assinalam 100 anos da GNR em Viana do Castelo hoje e amanhã à noite

Um dos perigos do futuro é que a política vire religião

Coleção de Postais Digitais sobre o Mosteiro de S. Miguel de Refojos para visitar no Espaço BONINA, Porto, até final do mês

Entrevistas

2018-12-15 às 06h00

José Paulo Silva

Mentor do Presépio ao Vivo de Priscos, o padre João Torres falou ao Correio do Minho e Rádio Antena Minho da necessidade de fixar o Natal como a comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Ao Correio do Minho e à rádio Antena Minho, destaca o papel que o Presépio assume ao nível da reinserção social de reclusos, missão que se desenvolverá com o projecto ‘Fronteiras’, um dos vencedores do Orçamento Participativo Portugal. Entrevista com o coordenador da Pastoral Penitenciária da Diocese de Braga, com um discurso pouco ortodoxo interior da Igreja Católica.

P – O Presépio ao Vivo de Priscos tem vindo a tornar-se um elemento importante da celebração do Natal. Ultrapassa a mera figuração?
R – Sim. O interessante é percebermos que, hoje em dia, se um pai quiser explicar a um filho o que é o Natal, terá muitas dificuldades de o fazer num centro comercial. Alguma fantasia até faz bem à vida, mas quando há fantasia a mais corremos o sério risco de não percebermos porque é que estamos a fazer determinada coisa. Há um semi-pensamento clandestino para legalizar o Natal como o nascimento de Jesus. Parece quase proibido falar-se disso. Em Priscos conseguimos dizer que o Natal, independentemente de eu ser crente ou não, é a comemoração do nascimento de Jesus.

P - Dizia isso há um ano. É uma tarefa difícil?
R - Eu não tenho de ser religioso para saber que o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus. Imaginemos que um de nós vai para um país qualquer do Oriente e alguém nos pergunta o que é o Natal e não sabemos o que é. É o Pai Natal, a Leopoldina, a Popota...Mas isso é o quê?

P - Faz questão de ter entre os figurantes do Presépio de Priscos pessoas de outras confissões religiosas?
R - Continuamos a ter uma família muçulmana, alguns ateus e agnósticos. O Presépio de Priscos é um espaço aberto a todos.

P - O Presépio de Priscos tem uma atitude pedagógica, chamando as pessoas a participar?
R - É gente que se mistura com gente. Quando a nossa vida se mistura com os outros, percebemos para que é que serve viver. Foi isso que tentámos fazer em Priscos: as pessoas estavam dispersas na comunidade e tivemos que inventar alguma coisa, que foi juntar as pessoas à volta de uma ideia que as pudesse congregar.

P - As pessoas que vão ao Presépio de Priscos estão imbuídas de diversas formas de estar e de ver o Natal que ali está?
R - Nós pegámos na capacidade de cada um fazer algo e transformar essa capacidade numa mais valia para a comunidade. As pessoas não vão a Priscos ver uma feira medieval, vão ver alguma coisa que as impressiona.

P -?O Presépio é uma grande resposta da freguesia de Priscos?
R - Sim. O povo de Priscos alinhou muito na ideia de se poder congregar e de dar o testemunho de que, quando nos juntamos por boas causas, somos capazes de fazer o sorriso nos outros.

P - O Presépio Vivo de Priscos tem sido considerado o maior da Europa. Tem sido replicado noutros locais. Agrada-lhe?
R - Fico feliz. Não me assusta, não estamos a competir com ninguém.

P - Tem tentado opor-se à ideia de transformar o Presépio de Priscos num evento mais turístico?
R - Nós somos muito visitados. O Presépio de Priscos é dos eventos que se realizam no concelho de Braga que mais gente atrai de outros pontos do país. Claro que não nos vamos comparar à Semana Santa. Temos gente do Algarve a Bragança e muita gente da Galiza.

P - Mas chegou a aventar-se a hipótese de o Presépio se transformar num parque permanente ao longo do ano.
R - Essa ideia teria de ser muito bem trabalhada. O que dá encanto ao Presépio de Priscos são as pessoas que fazem parte dele, aqueles rostos.

P -?Não consegue evitar que muitas pessoas cheguem a Priscos com um espírito turístico.
R - Muitas pessoas não vão à espera de encontrar um sinagoga, não vão à espera de perceber o que é um tabernáculo, ou por que é que ali estão umas catacumbas com múmias, por que é que a entrada para a gruta é muito estreita. Hoje, as pessoas querem ir para sítios onde não seja difícil perceber o que estão a ver.

Gostaria que o Presépio de Priscos fosse replicado

P – Chamar a pessoas que estão privadas da sua liberdade para construir o Presépio de Priscos tem a ver com o facto de ser o coordenador da PastoralPenitenciária de Braga ?
R – Os pastores de Belém que foram ao Presépio eram, na sociedade do tempo, os marginalizados. Há cinco anos pus-me a pensar quem eram os marginalizados da nossa sociedade e pensei nos reclusos. Se esta gente pagou pelo que fez de mal, também pode dar o seu contributo à sociedade.

P - Tem informação sobre o percurso dos reclusos que têm passado pelo Presépio de Priscos?
R - Alguns vão passando pelo Presépio de Priscos nesta altura com as famílias. Tenho dificuldade em reconhecer alguns que estão mudados, com outra forma de viver a vida.

P - A inclusão dos reclusos não começou com o início do Presépio.
R -Não. Começou há quatro anos. E o contributo do Município de Braga, através do Orçamento Participativo, foi importante para nós.

P -Esses reclusos são remunerados?
R - Durante algum tempo, ao abrigo do Orçamento Participativo, fomos tendo algum dinheiro. O Presépio vai tendo alguma receita através das pulseiras solidárias que vendemos a quem quer contribuir para esta causa. Mas já gastámos cerca de 90 mil euros com os reclusos, fora o instrutor, os seguros e a alimentação.

P - O Estado o que é que dá?
R - O Estado sorri, o que é bom. Eu acho que o Estado ainda não olhou com olhos de ver estas questões da reinserção social. Não há um acompanhamento sério. Reparem: nós nunca tivemos a visita de alguém ligado ao Instituto de Reinserção Social.

P -Esta é uma experiência que não está a ser avaliada pelo Instituto de Reinserção Social?
R - Eu gostaria que o Presépio de Priscos fosse visto como um projecto-piloto que pudesse ser replicado noutros locais do país. Era necessário avaliar este trabalho e ver se este caminho pode ser interessante para ser replicado e criar condições para que as instituições pudessem abraçar projectos deste tipo. Não estamos a falar de um trabalho sazonal dos reclusos, de um ou dois meses, mas de uma experiência com quatro anos. Gostava que os nossos políticos olhassem para isto com olhos de ver.

P - Mas há muitos políticos que vão ao Presépio de Priscos. A mensagem não tem chegado?
R - Eu vou dizer uma asneira: os reclusos não dão muitos votos ao sistema.

P - Como fazem a selecção dos reclusos que trabalham no Presépio de Priscos?
R -Não somos nós que a fazemos, é a direcção do Estabelecimento Prisional de Braga, ao abrigo de uma decisão de um juiz que determina se um recluso pode entrar num regime aberto. A direcção da Cadeia faz o que pode, mas há um trabalho que deveria ser feito pelos técnicos de reinserção social com condições para o fazerem. Se um técnico tem de ver o futuro de 80 ou 100 reclusos, é muito complicado que possa fazer um trabalho minimamente sério. E há tantos assistentes sociais no desemprego!

P - Não há um estudo sobre a reinserção social dos reclusos em Portugal?
R - Esse estudo interessaria a quem? O Estado não pensa sobre isso. Não há um estudo minimamente sério sobre a reincidência criminal em Portugal. Eu conheço reclusos que saem e reentram várias vezes na cadeia. E não vou dizer que a culpa é só do sistema. Seria redutor. Há um trabalho que a sociedade também deve fazer.

P - O projecto ‘Fronteiras’, do qual é um dos subscritores, ganhou no Orçamento Participativo Nacional...
R - Sim. A ideia é fazer com que alguém que saia do Estabelecimento Prisional não seja logo confrontado com o mundo do crime. Se um recluso que sai da cadeia não tiver suporte familiar, os amigos que vai encontrar são os que conheceu dentro da prisão.?Se alguém tiver dúvidas, que vá investigar.

P - Esse trabalho vai ser feito através de residências de transição?
R - Vamos criar uma coisa que o nosso país não tem. ‘O Companheiro’ é uma instituição fabulosa que acolhe reclusos, mas que continuam institucionalizados. Em Priscos será diferente: terão uma casa. E o recluso será o senhor dessa casa. Estará em supervisão mas em liberdade. Vão-lhe ser dadas algumas ferramentas para que possa procurar trabalho. Durante alguns meses não estará coagido por não ter dinheiro para alugar uma casa ou para comer. Depois do cumprimento da pena, não devemos procurar mais culpados, mas procurar trabalho para estas pessoas. Eu acho que a ociosidade é o grande sistema do mundo do crime, é ganhar dinheiro rápido e fácil.

P -?O?projecto ‘Fronteiras’ terá quantas residências?
R - Estamos a pensar em cinco para acolher reclusos entre três a seis meses.

P - A herança que já existe do Presépio é importante para o sucesso do projecto?
R - Já há um trabalho feito. Não estamos aqui com uma ideia peregrina que vai revolucionar este mundo.

P -?O projecto será gerido por quem?
R - Vamos tentar que seja gerido por vários actores. Temos associadas ao projecto a assistente social Marcela Dias e a psicóloga Sílvia Oliveira. Claro que vamos querer contar com o contributo dos técnicos de reinserção social.

P -?Estamos a falar de residências para reclusos em situação de liberdade condicional?
R - A ideia é essa. Ou até para reclusos em situação de saídas precárias. Muitos não saem para esta experiência em liberdade porque não têm quem os acolha.

P - O facto do projecto ter sido reconhecido no Orçamento Participativo Nacional com 300 mil euros significa que, a este nível, pouco ou nada se faz em Portugal?
R - As pessoas vão tomando conhecimento do trabalho que se está a fazer em Priscos. Se formos capazes de mudar a vida de alguém, neste caso reclusos, isso é uma mais valia para a sociedade.

P - Como é que a comunidade de Priscos se prepara para receber o projecto ‘Fronteiras’?
R - A comunidade já me conhece. Eu digo-lhes que entre nós, que estamos em liberdade, e os que estão detidos na prisão só há uma diferença: quem está detido foi descoberto. Nós, se fôssemos descobertos de muitas coisas que fazemos, seríamos detidos. Quantos de nós não ultrapassam os 120 na auto-estrada, não bebem uns copos com os amigos, não fogem ao fisco? Só que não fomos descobertos. O povo de Priscos vai entrando nesta ideia de que as pessoas que cometeram um crime e que pagaram por ele têm o direito de voltar à sociedade.
P - Para além do Presépio de Priscos, o João Torres passa também essa mensagem no púlpito das igrejas?
R - Nós, os padres, às vezes corremos o risco de termos boas intenções e de não termos nenhumas acções, o que é igual a nada. Quando temos boas intenções e boas acções, isso é igual a uma vontade de ajudar os reclusos a ter uma vida diferente.

P - ‘Fronteiras’ é para avançar quando?
R - Queremos começar já no próximo Janeiro. Os reclusos estão já disponíveis para ir trabalhando este projecto. Ainda não sabemos como é que o Estado vai operacionalizar. Tomámos conhecimento de que fomos vencedores do Orçamento Participativo Portugal, entregaram-me um quadro muito bonito, esperemos que não fiquemos pelo quadro.

P -É mais uma oportunidade que se dá aos reclusos.
R - São mais uns dias em alguma liberdade que os ajuda a repensar o que os levou à prisão e a desenvolverem mecanismos internos para não voltarem.

P -?Em muitos casos é difícil lidar com a liberdade?
R - Quando temos o mundo da droga associado é muito complicado.

Prisão não tem de ser a continuidade do mundo marginal

P - Está na Pastoral Penitenciária da Diocese de Braga há 20 anos. Que análise faz da evolução do sistema prisional em Portugal?
R - Há um esforço de humanizar. Há vontade, boas intenções e algumas acções. A prisão não tem de ser um hotel, mas um juiz quando condena um recluso, condena-o à falta de liberdade, não o condena a comer mal, a não dormir de noite e a viver num ambiente hostil. O estabelecimento prisional não tem de ser a continuidade do mundo marginal de onde muitos saíram.

P - E caminha para aí?
R - Eu acho que há um esforço. Devíamos ter um sistema muito mais faseado, onde as pessoas pudessem fazer pequenas experiências antes de saírem em liberdade.

P - A própria sociedade muitas vezes não reage mal a esse esforço de humanizar as cadeias?
R - Há intolerância quando o detido é um ninguém. Mas quando for meu filho, meu marido ou minha esposa, aí eu acho que deve comer melhor e que o colchão da cadeia devia ser melhor um bocadinho... As pessoas que prejudicaram a sociedade têm de pagar pelo crime que fizeram, mas o sistema prisional terá de arranjar maneiras destas pessoas pensarem duas vezes antes de voltarem à sociedade e cometerem o mesmo mal que as levaram à prisão. Não faz sentido que alguém que foi condenado por um crime saia do estabelecimento prisional e regresse a ele por um outro crime que aprendeu lá dentro.

P -?Mas nestes 20 anos que leva a entrar e a sair das cadeias...
R -?Algum esforço tem sido feito. Os senhores ministros da Justiça têm muito boas intenções. Alguns deles, se passassem duas ou três noites dentro de uma cadeia, teriam outra ideia.

Reconhecimento da sociedade sem peneiras nem penachos

P – O que é que de novo este ano no Presépio ao Vivo de Priscos?
R – Um templo romano dedicado ao culto do Imperador Augusto.

P - Isso não é uma heresia?
R -?Não. Jesus encarnou numa cultura concreta e com gente concreta. Por baixo desse templo estão as catacumbas. Este templo é a grande novidade que Jesus traz: Deus não está circunscrito a um local, mas aparece na praça, na margem, no caminho, na casa, em qualquer lugar. Este templo vai ser ocupado pelo Senado Romano. Um dos grandes perigos que temos de enfrentar no futuro é que a política vire religião, que os políticos deixem de lutar pelo bem estar dos cidadãos e que lutem, quase como se fossem sacerdotes, pelos seus associados. Quando a política se converter em religião será muito perigoso. É também perigoso a religião converter-se em política. É isso que nós queremos transmitir: a Igreja, qualquer que ela seja, não tem de se colar à política e a política não tem de ser uma religião. É isto a que nós estamos a assistir no nosso país.

P - Tem resistido a uma certa comercialização deste evento. Há muita gente a querer montar a ‘barraquinha’ no Presépio?
R - Há muitas empresas no nosso país associadas a este tipo de eventos. Muita gente soube aproveitar estas oportunidades de negócio. Vejo isso com bons olhos, mas não queremos transformar o nosso Presépio. As pessoas quando vão a Priscos estão à espera de algo mais genuíno. Eu podia transformar todas aquelas casinhas num centro comercial a céu aberto, mas não é essa a nossa intenção.

P - É difícil manter essa genuinidade?
R - A pressão é muita. Toda a gente quer pagar e até muito.

P - Não se sente tentado a utilizar um rendimento dessa natureza na reinserção social dos reclusos?
R - Nós temos alguns rendimentos das pulseiras solidárias, temos a venda de alguns produtos...

P - Mas se houvesse uns mecenas?
R - Poderia aparecer, mas iria dar um conceito ao Presépio que nós não queremos que ele tenha.

P - Projecto que vem do início do Presépio é o Centro Social Paroquial. Tem demorado tempo a abrir.
R - Temos o Centro aberto, não temos é utentes para o frequentar.

P -?Foi mal planeado?
R - Há uma coisa que descobrimos: se tivéssemos um lar, ele estava cheio. As pessoas não vão para um lar por vontade própria. Os idosos dizem que a obra do Centro de Dia está linda mas que querem ficar na sua casinha. Podemos potenciar a instituição para outros fins. Uma coisa que eu não quero são mortuários, para onde os idosos até que a morte chegue.?Temos muitos no nosso país e muito rentáveis. Claro que as pessoas precisam destes sítios, porque não somos capazes de criar condições às famílias.?Se as famílias tivessem um rendimento para poderem cuidar de um pai ou de uma mãe em casa...

P - Não pensam colocar lá o Centro Interpretativo do Abade de Priscos?
R - Sim. A ideia é que quem vá a Priscos possa, integrado numa visita guiada por reclusos, possa comer o Pudim Abade de Priscos onde ele nasceu.?

P -?Recebeu há dias a medalha de mérito municipal de Braga.?Onde a tem?
R - Olhe, no porta-luvas do carro. Ninguém me leve a mal mas esqueci-me dela lá. É bom que a sociedade possa reconhecer, mas isso não me deve pôr aqui com peneiras e penachos. Sinto a medalha como um incentivo. Na medalha está o rosto de muita gente que trabalha comigo na prisão e no Presépio de Priscos.?

A Igreja tem de sair do discurso para a acção

P – A sua experiência como missionário em África ajudou-o a ter uma visão diferente do Mundo?
R – Sim. Eu vivi num ambiente maioritariamente muçulmano. Isso ajudou-me a respeitar os outros. Acho que alguém se deve sentir muito mal quando se é julgado por não ter a mesma matrícula que nós. Eu levei muitas mulheres muçulmanas ao Hospital. Uma vez levei uma mulher grávida ao Hospital e, passados uns meses, a família veio apresentar-me a criança e disseram-me para lhe dar um nome. Eu perguntei que nome haveria de dar e disseram-me: ‘Dá o teu nome’. Imaginem uma criança muçulmana com o nome de um padre católico. Cairam-me todas as peneiras que porventura possa ter por ser um padre católico numa cidade em que quase todos são católicos.

P - A religião muçulmana é hoje associada a algum radicalismo. Como foi recebido?
R - Tive de ir às técnicas de Jesus. Jesus conquistava as pessoas pela proximidade, pela forma como as tocava, pela forma como mostrava que o Mundo podia ser diferente. Como faço hoje na cadeia, em Moçambique percebi que não podia aparecer com o rótulo de padre. Quem me ajudou foram outros missionários que estavam ali há muitos anos e que não tinham as peneiras eclesiásticas que nós, às vezes, temos. Peneiras eclesiásticas é ir estudar para Roma e escrever algumas coisas interessantes. Mas depois, por detrás delas, não existe vida, só existe teoria. Estas pessoas chegam a bispos e têm umas teorias muito interessantes para os outros cumprirem.?Estou a ser um bocadinho radical. Temos de apertar as mãos às pessoas.

P - Foi no Alentejo que disse que uma Igreja que não está com os pobres não serve para nada?
R - A Igreja tem de sair do discurso para a acção. No Alentejo, vivi cerca de dois meses num bairro de lata.

P -?Já era padre?
R - Ainda era seminarista. Foi aí que pensei que queria estar com os pobres a quem aperto a mão, que sei quem são. Imaginem que toda a Igreja em Portugal, quando chama a atenção para alguma realidade, pudesse fazer alguma coisa. É essa Igreja que eu quero.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.