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Braga, quarta-feira

Tradição e ‘aula de catequese’
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Tradição e ‘aula de catequese’

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Braga

2012-04-05 às 06h00

José Paulo Silva

Recuperada em 1998, a ‘Procissão da Burrinha’ ganhou estatuto como ‘aula de catequese”. O cortejo bíblico afirma-se no programa de solenidades da Semana Santa de Braga.

Momento marcante da Semana Santa de Braga, o cortejo bíblico ‘Vós sereis o meu povo’, popularmente conhecido como ‘Procissão da Burrinha’, reentrou não sem algumas dificuldades no programa oficial das Solenidades.
O padre José Carlos Azevedo, um dos párocos de S.Victor, tem ainda presente algumas retiçências que surgiram no seio da comissão organizadora da Semana Santa, nos finais da década de 90, para a introdução da ‘Procissão da Burrinha’ como primeiro cortejo religioso da chamada Semana Maior.

As resistências iniciais estão ultrapassadas, sendo hoje a procissão valorizada como um dos grandes momentos de Semana Santa bracarense.
A hierarquia da Igreja diocesana e da paróquia de S.Victor apresentam a procissão como uma verdadeira “aula de catequese”, aceitando que o desfile dos quadros vivos que transportam os assistentes a diversos momentos do Antigo Testamento e da infância de Jesus Cristo podem incentivar muitas pessoas à leitura da Bíblia.

Ex-líbris de S.Victor

A “Procissão da Burrinha” regressou à Semana Santa em 1998, após um interregno de 25 anos. Na altura em que foi suspensa, realizava-se na noite de sábado santo, entre as igrejas de S.Victor e da Misericórdia, em moldes diferentes dos actuais e com muito menor participação popular.
O presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, Firmino Marques, retém como imagem forte dessas procissões do seu tempo de infância “muitos cavalos adornados com capas brancas”. O sábado de aleluia não era, em sua opinião, dia propício a um grande envolvimento popular no evento.

No final da década de 90 do século passado, a ‘Procissão da Burrinha’ foi recuperada pela Paróquia e Junta de Freguesia de S.Victor como cortejo de quadros bíblicos.
Desde o chamamento de Abraão, passando pela era dos Patriarcas, pela escravidão no Egipto e gesta libertadora de Moisés, até à infância de Jesus, incluindo o episódio da sua fuga para o Egipto com José e Maria montada numa burrinha, desfilam, “em verdadeira catequese viva”, figuras de profetas, reis, símbolos e quadros bíblicos do Antigo Testamento.

Verdadeiro ‘ex-líbris’ cultural e religioso de S. Victor, a ‘Procissão da Burrinha’ afirmou-se em poucos anos como uma das mais concorridas que se realizam em Braga.
Os responsáveis da paróquia e da autarquia de S. Victor sublinham o facto de as centenas de figurantes pertencerem ao povo de S.Victor, das mais diversas idades e condições sociais, em representação de bairros, ruas ou lugares da freguesia mais populosa do distrito de Braga.

Mafra sem burra verdadeira

Para além de S. Victor, realiza-se uma ‘Procissão da Burrinha’ na vila de Mafra. Também conhecida por ‘Procissão das Dores de Nossa Senhora’, realiza-se no domingo de Ramos. Trata-se de uma procissão diferente da de S. Victor: oito andores desfilam em Mafra, um deles representando ‘A Fuga para o Egipto’, mas sem recurso a uma burrinha de carne e osso.

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