Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Sete milhões de habitantes num território com 38 cidades ibéricas
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Sete milhões de habitantes num território com 38 cidades ibéricas

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Nacional

2018-03-16 às 06h00

Rui Miguel Graça

Agenda Urbana é tida como um documento histórico, um passo único na vida de uma Euro Região. Trata-se de um desafio de 38 cidades ibéricas, no sentido de criar pólos atractivos, sustentáveis e integradores. Em suma, um novo território formado pelos sete milhões de habitantes.

Com este documento o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular espera diminuir, de forma significativa, a disparidade de indicadores de desenvolvimento sócio-económico entre os municípios, maior valorização da contribuição dos territórios, aumentos dos fluxos internos entre as regiões, aumento da soberania alimentar e retenção da população rural, diminuíndo o êxodo graças à pluriatividade rural. Ousado? Muito. Possível? Os 38 municípios do Eixo Atlântico acreditam que sim, que vai ser possível criar uma cidade de sete milhões de habitantes, que engloba o Norte de Portugal e a Galiza.
Este novo território terá como base um documento histórico e o lançamento da Agenda Urbana aconteceu ontem na Corunha num Fórum que serviu igualmente para partilhar ideias com outros municípios exteriores ao Eixo Atlântico, conhecendo, de forma mais profunda, o trabalho que está a ser desenvolvido em Bilbau ou então a forma como Ada Colau lidera a cidade de Barcelona.

Acima de tudo ficou claro que há uma nova forma de pensar as cidades, que elas próprias tornaram-se marcas e que as suas próprias marcas são um contributo importante para os países. Apesar de existir, de forma natural, uma competitividade entre as cidades, há igualmente uma necessidade de proximidade, de colaboração, de erguer projectos comuns e de olhar o território do Norte de Portugal e da Galiza como um todo.
Aliás, no dia em que se ficou a conhecer o relatório de felicidade mundial, que coloca Portugal no 77.º posto e Espanha no 36.º, e numa altura em que as Nações Unidas colocaram as cidades na sua agenda, do Fórum saiu a necessidade de criar cidades seguras e sustentáveis. O urbanismo é cada vez mais multidisciplinar e somos cada vez mais seres urbanos.

Ricardo Rio: "Uma agenda urbana carece de um novo modelo de cidades"

Ricardo Rio marcou presença na mesa de debate acerca das novas políticas urbanas, onde marcaram presença Xulio Ferreiro (Corunha), Ada Colau (Barcelona), Alfredo García (Barco de Valdeorras, Fernando Pizarro (Plasencia) e a vice-presidente do município de Guimarães, Adelina Pinto.
O autarca bracarense apresentou o caso da capital do Minho, apontando alguns exemplos do passado, do presente e abordando também o futuro. Sobre o passado e, porque em questão era uma análise à crise, Ricardo Rio apontou os gastos no Estádio Municipal de Braga e na Parceira Público-Privada nos relvados sintéticos que servem de limitação ao orçamento da Câmara Municipal de Braga.

Da crise saiu, na óptica de Ricardo Rio, uma nova forma de fazer política, centrada nas pessoas e menos na obra e, perante isso, referiu ainda que as autarquias têm assumido competências do estado, tal como já tinham arrancado com projectos que agora o próprio estado está a levar a cabo. Nesse âmbito, falou dos três projectos na área da saúde que foram implementados pelo seu executivo: protocolo com o Hospital de Braga na realização de um diagnóstico oftalmológico aos 4 anos de idade, projecto pimpolho e o Braga a Sorrir.
Na análise à temática do Turismo, o edil destacou que Braga está a viver uma transformação boa, que tem permitido inclusivamente alguma reabilitação urbana direccionada para essa área. Abordou ainda a necessidade de resgatar o estacionamento à superfície para desenvolver o modelo de mobilidade pensado e salientou ainda que é imperioso encetar uma reorganização do estado, porque uma agenda urbana carece de um novo modelo de governança do território.

José Maria Costa: "É nas cidades que se ganha o futuro"

Foi na qualidade de presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e presidente da delegação portuguesa do comité nas regiões que José Maria Costa analisou este momento histórico para o Eixo Atlântico e, também, na sua opinião para a Europa, uma vez que este não é um documento para ficar na gaveta, mas sim para ser usado, trabalhado e seguido como exemplo na União Europeia.
Pegando no caso de Bilbao que preconiza ser um HUB no capítulo da modernidade, o Eixo Atlântico pretende tornar-se numa cidade de sete milhões de habitantes com 38 paragens, todas elas com características próprias, mas que, num trabalho em rede, tornam-se complementares.

Vamos lançar projectos-piloto, com a clara intenção de tornar essas 38 paragens cada vez mais competitivas e de forma a que andem todas à mesma velocidade, destacou ainda o autarca da capital do Alto Minho.
No que diz respeito a Viana do Castelo, José Maria Costa destacou que o seu posicionamento como cidade atlântica é a grande mais-valia e o principal contributo para o fortalecimento desta Euro Região. É com a aposta que estamos a fazer na economia do mar, nos desportos náuticos, na recepção de grandes eventos que temos vindo a afirmar a marca Viana do Castelo. Naturalmente que há outras características, mas essa é a nossa linha condutora. Naturalmente que associado a esse conceito, existe também a preocupação com a sustentabilidade ambiental e esse é outro compromisso que Viana do Castelo está a construir. Para além de cidade do mar, ser cada vez mais uma cidade sustentável e amiga do ambiente.

Afirmar Guimarães pela qualidade de vida

A vice-presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Adelina Pinto, esteve presente também na mesa debate em torno das novas políticas urbanas e abordou a actual política levada a cabo pelo executivo liderado por Domingos Bragança, concretamente nos objectivos e desejos com a candidatura a Capital Verde Europeia em 2020. Mais do que uma cidade amiga do ambiente, queremos afirmar Guimarães pela qualidade de vida, salientou, frisando que esta candidatura não aborda apenas uma questão, mas sim uma estratégia com várias áreas.
Somos uma cidade histórica e cultural. Guimarães é o berço da nação portuguesa e parte do seu projecto turístico passa por aí, referiu.

Nesse capítulo asseverou que Guimarães tem dois tipos de turistas. Aqueles que nos preocupam são os que vêm do Porto e que chegam de manhã e que ficam meia hora em Guimarães. Esse tipo de turista em massa não nos interessa, porque não cria valor. O que nos interessa é o turista selectivo.
Adelina Pinto referiu ainda que, associado à candidatura, Guimarães está a trabalhar a limitação do carro no centro histórico e a introdução da bicicleta, no sentido de melhorar os coeficientes ao nível da mobilidade e sustentabilidade, para além das naturais melhorias no meio ambiente.

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