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As Nossas Escolas

2018-04-21 às 10h12

Paula Maia

Adelino Gomes, jornalista; Alfredo Cunha, fotógrafo, José Alves da Costa, ex-cabo do?Regimento de Cavalaria n.º 7, e Manuel Correia da Silva, ex-furriel participaram nas movimentações do 25 de Abril.

Adelino Gomes (jornalista), Alfredo Cunha (fotógrafo), José Alves da Costa (ex-cabo apontador do Regimento de Cavalaria n.º 7) e Manuel Correia da Silva (ex-furriel) foram os oradores que ontem participaram na sessão 25 de Abril de 1974 - um olhar retrospectivo e prospectivo que o grupo de História da Escola Secundária Carlos Amarante promoveu para assinalar o 44.º aniversário da Revolução de 25 de Abril. Em comum têm o facto de terem participado, cada um nas suas respectivas funções, nas movimentações da revolução que ocorreu no dia 25 de Abril de 1974. E foi precisamente esse testemunho que deixaram a uma vasta plateia de jovens alunos numa autêntica aula de história ao vivo.

Foi ao microfone da Rádio Renascença - na qual tinha sido proibido de trabalhar - que Adelino Gomes testemunhou as movimentações da revolução durante o dia 25 de Abril de 1974. Durante 7 horas de emissão, o repórter fez chegar ao grande público todas as emoções que se viveram. Alguns do sons emitidos pela Rádio Renascença nesse dia foram reproduzidos ontem no auditório da Carlos Amarante, onde se inclui algumas passagens da primeira conferência de imprensa que Salgueiro Maia improvisou por volta das 12 horas do dia 25 de Abril.
O conhecido fotógrafo Alfredo Cunha trouxe à escola bracarenses imagens deste dia marcante e que nos dão conta das movimentações dos Capitães de Abril e da imensa moldura humana que os acompanhou desde as primeiras horas do dia, especialmente no Terreiro do?Paço ou o Largo do Carmo.

Com apenas 19 anos, o jovem fotógrafo estava ao serviço do jornal O Século e, apesar dos 40 rolos de fotografias que fez, Alfredo Cunha diz que há muitos hiatos temporais que não foram retratados devido à necessidade de se deslocar para revelar as imagens.
Um dos testemunhos mais emotivos foi o de José Alves da Costa, ex-cabo apontador do Regimento de Cavalaria n.º 7 que se recusou a disparar sobre Salgueiro Maia e Manuel Correia da Silva, este último também presente nesta sessão. Inicialmente sem saber o que se estava a passar, o cabo Costa, como era conhecido, esteve ao comando de um dos carros militares estacionado no Terreiro do Paço, tendo recusado ordens superiores para abrir fogo sobre a coluna de Salgueiro Maia.

Em 2013, José Alves da Costa foi redescoberto por Alfredo Cunha e Adelino Gomes que fizeram dele um dos heróis da obra Os Rapazes do Tanque onde os responsáveis fazem justiça aos 240 magníficos que integravam a coluna revoltosa da Escola Prática de Santarém, comandada pelo capitão Salgueiro Maia. O ex-cabo revela, por isso, que a sua vivência do 25 de Abril adquiriu um novo significado a partir dessa data, percorrendo o país para dar o seu testemunho dos factos.
Não menos importante foi o testemunho de Manuel Correia da Silva, então furriel e um dos 240 magníficos a quem coube a missão de comandar a viatura chaimite Bula em que o presidente do Conselho, Marcelo Caetano, e dos seus ministros, foi transportado do Quartel do Carmo para a Pontinha e daí para o exílio. Foi um dos dias mais felizes da minha vida, diz o ex-furriel.

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