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Sector têxtil tem ambição mas pede reformas
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Sector têxtil tem ambição mas pede reformas

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Sector têxtil tem ambição mas pede reformas

Vale do Ave

2019-12-05 às 06h00

Teresa M. Costa Teresa M. Costa

Indústria têxtil traça estratégia ambiciosa para o futuro, mas a ATP pede reformas na legislação laboral, no ensino, na justiça e na fiscalidade.

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Mário Jorge Machado, pediu ontem reformas na legislação laboral, em prol de uma maior flexibilidade, a par de reformas no ensino, na justiça e no sistema fiscal “para que quem produz e exporta possa ser discriminado positivamente”.
Os pedidos de Mário Jorge Machado foram dirigidos ao ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que esteve, em Vila Nova de Famalicão, na abertura do Fórum da Indústria Têxtil, este ano dedicado ao “ITV no horizonte 2025”.

O presidente da ATP criticou o aumento do salário mínimo para 750 euros, sustentando que o salário tem que crescer associado às questões de produtividade e de inflação .
“Não podemos querer crescimentos salariais desajustados daquilo que as empresas podem crescer em termos de produtividade e em termos de inflacção” afirmou o dirigente.
Reconhecendo a necessidade de dar condições de remuneração atractivas aos trabalhadores, nomeadamente no sector têxtil que precisa de quadros qualificados, Mário Jorge Machado reforça que “o crescimento do salário mínimo desenquadrado de factores que não permitam às empresas criar maiores níveis de produtividade pode ser um problema grave”.
“Temos que ter cuidado com a demagogia, com o vender soluções que parecem muito atractivas, mas no fim podem ter consequências complicadas para o crescimento económico” acrescentou o dirigente da ATP.

Entre as mudanças, Mário Jorge Machado pede que se altere a formação. “O nosso sistema de ensino precisa de estar mais adequado às necessidades e saídas profissionais” defende.
Perspectivando o sector para o futuro, “o cenário que prevemos para os próximos anos é muito exigente, difícil, mas estamos perfeitamente convencidos que os empresários, as empresas, os seus quadros, os seus colaboradores, com a requalificação e com o investimento que temos feito na inovação e com o investimento que queremos continuar a fazer é atingível” antevê o presidente da ATP, realçando que “este sector já mostrou, ao longo dos últimos dez anos, que é capaz de superar as suas ambições e é nisso que vamos trabalhar”.

A qualificação e a automação têm que ser apostas. “Com a evolução da demografia, vai haver menos pessoas disponíveis para trabalhar na indústria, na economia e nós temos que encontrar soluções que vão passar por mais automação, utilizando processos em que vão precisar de pessoas mais qualificadas, de jovens com outro tipo de conhecimentos e formação, novas áreas de negócio” explicou Mário Jorge Machado.

“Estado vai acompanhar a ambição do sector”

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, garantiu ontem, em Vila Nova de Famalicão, que “o Estado vai acompanhar a ambição do sector têxtil e vestuário”.
O governante referiu-se ao acesso a financiamento, assumindo que as instituições financeiras do Ministério da Economia podem contribuir para melhorar o acesso das empresas a financiamento.
Pedro Siza Vieira reconhece que “a capacidade de continuar a investir é crucial para atingir o patamar de ambição que a ATP está a colocar”.

O ministro admite que “há trabalho a fazer nos custos de contextos como os da energia” defendendo que o diferencial em relação a concorrentes europeus tem que continuar a diminuir nos próximos anos.
Pedro Siza Vieira mostrou-se agradado com “a ambição de um sector que quer crescer em valor, em volume de negócios, em exportações, que quer crescer em produtividade e que quer fazê-lo apostando na inovação e na economia circular”.

Para isso, é preciso continuar a apoiar o esforço de investimento das empresas e também os factores de qualificação e de inovação, reforça o governante.
Sobre a anunciada extinção de postos de trabalho e encerramento de empresas neste sector, o ministro da tutela remete para sucessão de gerações na indústria e para a renovação da força de trabalho. “Empresas produtivas que sejam capazes de produzir mais com menos gente” afirmou.

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