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Braga, terça-feira

‘Santíssima Trindade’: o olhar do artista José Pedro Santos
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‘Santíssima Trindade’: o olhar do artista José Pedro Santos

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Braga

2018-08-30 às 08h07

Isabel Vilhena

José Pedro Santos apresenta ‘Santíssima Trindade na I Bienal Internacional de Arte Sacra Contemporânea que decorre até 3 de Setembro no Museu Pio XII.

A obra intitula-se ‘Santíssima Trindade’. Para o artista José Pedro Santos “a obra consistiu um desafio para mim, pelo significado que transmite, por vezes difícil de carregar e transportar para a tela ao longo da sua concepção. Não obstante ser a Santíssima Trindade um dos dogmas primordiais da fé cristã é, através da razão, tido como um mistério incansável que define Deus como três hipóteses: O Pai, o Filho (Jesus Cristo), e o Espírito Santo”.
O artista explicou que “a integração da obra no contexto do tema proposto deveu-se a uma visita ao museu Pio XII onde pude observar uma escultura do séc. XVIII representando a Santíssima Trindade. A obra aqui apresentada, dotada de uma técnica que procura ir ao encontro dos cânones clássicos de representação, pretende ser uma observação mais enriquecedora sobre o tema”.
Como artista, o rigor e a qualidade pictórica está também presente na concepção da obra com vista à sua preservação, isto é, a sua feitura com materiais de excelente qualidade, a compreensão da natureza e comportamento dos materiais envolvidos na obra. Para José Pedro Santos esta é “uma das prioridades na produção de uma obra – a compreensão das técnicas e dos materiais para a preservação desta a longo prazo para usufruto das seguintes gerações. Assim entendo ser feita uma obra madura na sua concepção material”.

Para o artista “a pintura assenta numa linguagem figurativa e narrativa. A obra é reveladora de uma ideia exposta, imaginativa e criativa que nos convida á meditação. A perspectiva do tema adquire verticalidade acompanhando a cruz. A composição é tomada por uma tensão mística. Nela se apresenta Jesus Cristo cruxificado, as mãos de Deus, o Espírito Santo e o mundo. A relação formal entre os elementos, constitui a sua estrutura básica, guiando o olhar do espectador para a figura central de Jesus Cristo”.
José Pedro Santos é natural de Oliveira de Azeméis. Exerce actividade profissional como conservador restaurador de bens culturais, tendo estudado na Universidade Portucalense e Universidade Católica, e também como artista plástico, com a realização de trabalhos de pintura baseados em técnicas clássicas de representação. Criado num ambiente de criação artística, o contacto com as obras de arte despertou em José Santos a admiração pelo artista, a sensibilidade e o gosto pelas artes.
Demonstrando desde cedo tendência para o desenho e para a pintura, inicia o estudo da pintura em 2008.

O inicio na pintura é marcado por trabalhos de influência surrealista, tendo como inspiração, autores do séc. XX da mesma corrente como Salvador Dali mas, a necessidade de maturação na pintura o leva rapidamente à pintura clássica, sendo percursor no seu estudo e na recriação dos processos e técnicas clássicas de pintura.
A pintura de José Pedro Santos é de cariz clássico e baseada na recriação das técnicas de representação dos mestres da pintura. Tem por influências pintores como o francês William Bouguereau, os norte-americanos John Singer Sargent, Teresa Oaxaca e Jacob Collins, os portugueses Henrique Medina e António Macedo, e os tão conhecidos Rembrandt e Miguel Ângelo.

Como conservador, durante, e após o término do seu percurso académico, este tem realizado intervenções de conservação e restauro, nomeadamente a urna-relicário pertencente ao Cabido da Sé Catedral do Porto em âmbito do desenvolvimento do mestrado na Universidade Católica, a pintura sobre madeira «composição» (1968) da autoria do Pintor e Professor Joaquim Pinto Vieira (n. 1946) proveniente da Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto, entre outros trabalhos presentes na Igreja de São Francisco do Porto, Igreja Matriz de Valongo, Igreja de São João da Madeira, Igreja de Santa Bárbara (como colaborador do Atelier de Conservação e Restauro de obras de arte da Ilha de São Jorge, Açores) , etc.

O artista refere-se a Braga como “uma cidade bonita, a sua historia/tradição ligada à criação de arte sacra e os inúmeros artífices e artistas que dela fizeram forma, cor e volume marcaram o norte português pela influencia que imprimiram nos templos cristãos. O meu bisavô, um conhecido entalhador na época, tinha um colaborar de braga, um artista que era especialista em douramento.Por isso também de Braga saiam artistas, pelo que o advento desta I Bienal Internacional de Braga é fundamentada nesta sinergia e simbiose entre, primeiro, os vários intervenientes na criação das obras de arte contempladas sob a égide de Deus, e em segundo, na troca e partilha de saberes que levaram ao embelezamento de obras no campo das artes plásticas noutros pontos do país”.

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