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Região “tem tudo” para aumentar  estada média dos turistas

Alto Minho

2019-09-17 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Ecoturismo no Minho foi o tema da conferência internacional realizada ontem nos Arcos de Valdevez. Mais trabalho em rede e necessidade dos operadores turísticos olharem para a região são “caminho a trilhar” para conquistar turistas por mais tempo.

A região do Minho “tem tudo e pode perfeitamente acompanhar os bons exemplos da Europa para conseguir fixar os turistas por cinco ou seis dias”. A garantia foi deixada ontem por Paulo Carrança, técnico de Turismo da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal, que participou na conferência internacional ‘Ecoturismo no Minho’, que se realizou nos Arcos de Valdevez. Para isso se concretizar falta “mais trabalho em rede” e que os operadores turísticos “olhem, finalmente, para a região”.
A conferência que se dedicou à temática ‘Ecoturismo no Minho - estratégias e perspectivas futuras para a sua internacionalização’, organizada pela In.Cubo, em parceria com a TecMinho e o apoio da Escola Superior de Desporto e Lazer do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) juntou alguns especialistas, tendo ‘chamado’ mais de 80 pessoas ligadas ao ecoturismo.

“A região tem tudo, tem o parque nacional, tem muitas empresas no terreno, tem muito investimento público, temos a questão da mobilidade resolvida, por isso, parece-me que é perfeitamente possível acompanhar os bons exemplos pela Europa e conseguir que as pessoas fiquem cinco ou seis noites neste território”, assegurou o técnico de turismo da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal.
O que está “em falta”, continuou aquele responsável, é o trabalho em rede. “Temos que conseguir captar, em termos de pro- moção, algumas experiências. E o certo é que também já se está a fazer algum trabalho nesse sentido com a própria Adere Peneda Gerês a participar em feiras e certames internacionais de turismo da natureza”, realçou Paulo Carrança.

Mas é preciso fazer mais. “Temos que conseguir que os grandes operadores olhem para a região de uma forma muito mais activa. Estamos a falar do mercado francês, alemão e espanhol”, sublinhou ainda aquele responsável, acreditando que “com o nível de satisfação dos turistas que passam na região é possível catapultar e criar resultados bastante assinaláveis”.
Presente na sessão de abertura da conferência, Sandra Sarmento, da Direcção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte, começou por explicar a nova orgânica criada naquele instituto. “Agora temos um director regional que também tem assento no conselho directivo, o que significa uma maior proximidade das regiões ao conselho directivo”, esclareceu Sandra Sarmento, destacando que com este novo funcionamento “é possível levar os problemas daqui e discutir em conjunto, facilitando a sua resolução”.

Por outro lado, o novo modelo de co-gestão “vem ao encontro destas vontades de proximidade, que é gerir em conjunto com os municípios e outros agentes no território”, adiantou ainda aquela responsável, acreditando que esta “gestão partilhada, colaborativa e de proximidade com o território é uma mais-valia para todos”.
Já o coordenador geral da In.Cubo, Francisco Araújo, justificou a temática da conferência porque o ecoturismo é um eixo estruturante no território minhoto”. Por isso, “é fundamental potenciar a componente ambiental como estratégia de desenvolvimento da actividade turística na região, que tem como base essa singularidade”.

Ecoturismo marca a diferença para criar “futuro com passado”

Com um “espaço de excelência reconhecido internacionalmente”, como o é o Parque Nacional da Peneda-Gerês, “é preciso ir mais além para que efectivamente o ecoturismo seja um impulsionador do desenvolvimento local e se crie um futuro com passado”, assumiu o presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, que participava ontem na conferência internacional ‘Ecoturismo no Minho’, desafiando os privados a reforçarem-se, porque só com “trabalho em parceria” é possível aproveitar o “elemento diferenciador” que a região tem.

A participar na conferência, promovida pela In.Cubo, em parceria com a TecMinho e o apoio da Escola Superior de Desporto e Lazer do Instituto Politécnico do Viana do Castelo (IPVC), João Manuel Esteves evidenciou “a necessidade de criar motivos e fontes de criação de rendimento para fixar as pessoas, mas também apostar em projectos que sejam impulsionadores de biodiversidade”. E se a “excelência ambiental” resulta da interligação do homem com a natureza, o autarca alertou para os movimentos demográficos. “As pessoas estão a sair daqui e temos que reequilibrar esta equação para esta paisagem continuar a ser o que é. Temos que ter bons motivos para que as pessoas possam ficar e, ao mesmo tempo, atrair mais turistas ao território”, defendeu.

E a par do trabalho realizado pelas entidades públicas, João Manuel Esteves destacou aqui a importância do sector privado. “Temos que consolidar a qualidade da oferta. Precisamos que o privado se reforce e, em parceria, possamos puxar pelo ecoturismo, que será, sem dúvida nenhuma, um pilar fundamental do desenvolvimento económico, social e cultural da região”, assegurou o presidente. E o responsável autárquico foi mais longe: “temos património ambiental e monumental, mas se não tivermos privados que garantam a sustentabilidade com alojamento, restauração e actividades não conseguimos nada”.
João Manuel Esteves aproveitou, ainda durante a sessão de abertura da conferência, para enumerar os vários projectos que já foram realizados e que estão a ser desenvolvidos para promover o ecoturismo.

Projecto ‘Lima Fronteira Esquecida’ avança até ao final do ano

O projecto transfronteiriço ‘Lima Fronteira Esquecida’, que une seis concelhos galegos e quatro portugueses, mereceu ‘luz verde’ do programa Interreg V e vai avançar até ao final do ano. Para o presidente da Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, este projecto vai permitir “dotar a Galiza e os municípios da Ribeira Lima (Arcos de Valdevez, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Viana do Castelo) de uma verba superior a 1,6 milhões de euros para desenvolvimento de acções ambientais com fins turísticos.

“O nosso território é fortemente marcado pelas relações transfronteiriças e prova disso é que temos o Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés e a primeira Reserva da Biosfera, mas também temos outro património que nos liga que é o rio Lima. Fizemos uma candidatura exactamente para chamar a atenção para a necessidade de promover, em termos turísticos, e ser elemento e motivo agregador”, justificou o autarca. O nome do projecto não foi escolhido ao acaso, já que os municípios envolvidos consideram que “aquela fronteira não tem a mesma relevância que tem, por exemplo, o rio Minho”.
Em carteira estão um conjunto de actividades que vão ser promovidas em conjunto e tendo sempre o rio Lima como elemento agregador. “Vamos ter uma agenda comum com actividades dos dois lados da fronteira, potenciando sempre as enormes riquezas ali existentes”, adiantou o presidente da autarquia de Arcos de Valdevez.

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