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Braga, sábado

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Quando a GNR bate à porta dos idosos e ajuda a combater a solidão
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Quando a GNR bate à porta dos idosos e ajuda a combater a solidão

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Quando a GNR bate à porta dos idosos e ajuda a combater a solidão

Vale do Ave

2019-11-11 às 06h00

Teresa M. Costa Teresa M. Costa

Policiamento Comunitário leva a GNR ao encontro dos mais vulneráveis. Outubro foi mês para actualizar os ‘Censos Sénior’ junto dos idosos que vivem sós e/ou isolados, mas o trabalho de proximidade é feito ao longo de todo o ano.

Depois de alguma insistência, D. Júlia lá abre a porta de sua casa aos militares da GNR que logo convida para entrar. A viver sozinha, com 98 anos de idade, D. Júlia aproveita para pôr a conversa em dia e, por momentos, afastar a solidão de todos os dias.
A visita dos militares que integram a Secção de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC) do Destacamento Territorial de Guimarães da GNR, José Silva e Cláudia Magalhães, não é novidade, mas é sempre motivo de alegria para D. Júlia.

“Estou contente de os ver aqui” confessa a idosa que, apesar da avançada idade, gosta de conversar e, acima de tudo, aprecia um pouco de companhia.
Em troca dos conselhos de segurança, os militares levam alguns conselhos de vida: “é preciso saber viver” afirma D. Júlia que, ao fim de 98 anos de uma vida de trabalho e a ajudar os outros, passa agora os dias em casa, onde sobra muito tempo para rezar, mesmo sem intenções, porque “Deus lá sabe” quem precisa das orações, explica.
D. Júlia é a mais idosa com registo nos censos sénior da SPC de Guimarães, o que lhe valeu “honras” no facebook do Comando Territorial de Braga da GNR no dia em que Cláudia Magalhães e José Silva a surpreenderam com um bolo no dia do seu aniversário.

O bolo foi um “mimo”, mas a visita é cumprida com a frequência possível numa Secção cuja prevenção criminal tem outros públicos, nomeadamente o escolar. No caso dos idosos que vivem sozinhos “tentamos ir lá com alguma frequência” explica o guarda José Silva.
Desta vez, D. Júlia tem também um pedido para os militares: quer saber da irmã com quem partilhava a casa e que, após uma queda, foi hospitalizada e depois encaminhada para uma casa de acolhimento de idosos. Depois disso, não conseguiu saber mais nada da irmã, lamenta a idosa que alerta para a situação de outra idosa da freguesia pedindo, também para esta, uma visita dos militares da GNR.
José Silva e Cláudia Magalhães comprometem-se a trazer novidades da irmã de D. Júlia na próxima visita.

No mesmo dia, os dois militares da SPC do DTER?de Guimarães batem à porta de uma idosa referenciada por vizinhos, noutra freguesia, mas que ainda não consta dos censos sénior.
Os militares trazem alguma informação sobre a situação da idosa que tentam confrontar no terreno, mas sem resultados, porque a idosa não se encontra em casa. A missão de recensear e tentar perceber as condições em que vive fica adiada para uma próxima visita.
Nem todos os idosos sinalizados no âmbito dos censos sénior carecem de visita, refere Cláudia Magalhães que reserva este acompanhamento para os casos mais complicados em que as pessoas vivem sozinhas e/ou isoladas, sem apoios nem retaguarda familiar e/ou institucional.

“Felizmente, são cada vez mais as entidades e associações no terreno que ajudam a resolver as situações sociais” sublinha a militar da SPC do DTER?de Guimarães.
Quando são detectadas e sinalizadas situações de carência económica ou de problemas habitacionais são encaminhadas para as entidades competentes, nomeadamente para os serviços de Acção Social dos respectivos municípios. “São eles que podem dar resposta na melhoria das condições físicas em que vivem os idosos” reforça José Silva.
Nas situações em que os idosos são vítimas de crime, de violência doméstica por exemplo, ou mesmo burlas e furtos elas são reportadas ao Ministério Público.
O trabalho da Secção de Prevenção Criminal articula-se, também, com o dos postos territoriais, de modo a que os idosos sinalizados fiquem no “radar” da GNR no que toca ao patrulhamento de rotina.

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