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Entrevistas

2019-01-14 às 06h00

José Paulo Silva

Poiares Maduro, docente no Instituto Universitário de Florença, perspectiva os desafios das próximas eleições para o Parlamento Europeu. Debate no programa ‘Da Europa para o Minho’.

O ex-ministro Adjunto e do Planeamento Regional, Miguel Poiares Maduro, considera que as eleições europeias de 26 de Maio “serão seguramente das mais importantes da História da União Europeia”. Convidado do programa ‘Da Europa para o Minho’, o docente do Instituto Universitário Europeu de Florença considerou que a União Europeia apresenta, actualmente, “um conjunto de desafios importantes” ao nível económico e social e atravessa um “profundo momento de mudança política, com novas formas de organização e comunicação no espaço digital” que fazem com que a escolha do próximo Parlamento Europeu surja como um momento decisivo.

À conversa com o eurodeoputado José Manuel Fernandes e o director do Correio do Minho e Rádio Antena Minho, Paulo Monteiro, o ex-governante antevê um novo Parlamento Europeu “mais fragmentado e com crescimento das forças populistas que pode exigir um acordo que junte o PPE, os liberais democratas, as forças políticas da área de Macron e até o próprio Partido Socialista Europeu”.
Aos microfones da rádio Antena Minho, Poiares Maduro constatou que se está a assistir, na Europa, “a uma profunda polarização do debate político com o surgimento de partidos radicais”, fenómeno para o qual, em sua opinião, tem contribuído as redes sociais.

“No facebook lemos as pessoas que pensam como nós, o facebook selecciona os nossos amigos para nós lermos o que eles escrevem. Isso tende a polarizar e radicalizar o discurso político”, exemplificou.
O ex-ministro do Governo de Pedro Passos Coelho antevê “vida mais difícil das forças políticas mais moderadas”, defendendo o alargamento do “âmbito de participação política nos partidos tradicionais”.
Poiares Maduro sugere como “prioridade para os partidos políticos a introdução de formas de participação que façam uso das plataformas sociais”, as quais “transportaram inicialmente uma transformação democrática pelo acesso enorme à informação, à comunicação directa com os responsáveis política e à mobilização”.

Brexit: do risco de uma saída desordenada à hipótese de permanência

“O risco de saída desordenada do Reino Unido da União Europeia é idêntico ao risco de ficar, se for chumbada a proposta de acordo e com um novo referendo”, entende Miguel Poiares Maduro, segundo o qual “o Brexit é um bom exemplo de como a democracia directa tem riscos: ou ganha-se ou perde-se tudo” numa decisão que é muito complexa.
Na véspera de o Parlamento britânico votar o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, o ex-ministro entende que há ainda “a possibilidade de referendo sobre a forma de saída com possibilidade de permanência”.
Sob esta questão, o eurodeputado do PSD, José Manuel Fernandes, revelou “muitas dúvidas sobre a viabilidade de um novo referendo”, levantando a “possibilidade de, não havendo acordo, haver uma extensão” da presença do Reino Unido e de, com com novas eleições, “verificar se há clima ou não para o Brexit”.

Poiares Maduro apontou uma “fragmentação de poder na União Europeia” que torna difícil lideranças claras que tradicionalmente vinham da Alemanha ou da França. “Na Alemanha, a líder está de saída e, por isso, com capacidade diminuida; em França, aquele que seria o novo líder europeísta está com grandes dificuldades internas”, constatou. Comentando a afirmação de José Manuel Fernandes de que existe “um fenómeno estranho no Parlamento Europeu: uma aliança entre as forças de extrema direita e extrema esquerda nas votações mais importantes”, Poiares Maduro revela a existência de “uma nova fronteira ideológica entre quem tem uma concepção mundial mais aberta e interdependente e os que resistem e que oferecem uma oferta populista de regresso às fronteiras nacionais e ao proteccionismo”. Em parte, isso acontece porque “as pessoas acham hoje que os governos não são capazes de responder eficazmente aos problemas da sociedade”.

Europeísta convicto, Poiares Maduro entende que “as condições de vida dos cidadãos europeus são hoje muito melhores do que eram antes do processo de integração europeia. Para além do clima de paz, há também condições económicas e sociais relativamente muito favoráveis.

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