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Procissão do mar celebra meio século

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Alto Minho

2018-08-21 às 06h00

Isabel Vilhena

O Barco ‘Sempre em Frente’ volta a ter o privilégio de levar ao mar o andor de Nossa Senhora d’Agonia na procissão ao rio e ao mar que, todos os anos, atrai milhares de pessoas.

“É uma emoção muito grande levar o andor de Nossa Senhora d’ Agonia. É a nossa padroeira. Quando vou para o mar peço-lhe protecção a todas as famílias que vão no barco” contou ao ‘Correio do Minho’ Ricardo Guia, mestre do barco ‘Sempre em Frente’, momentos antes de iniciar a procissão ao rio e ao mar que este ano assinala 50 anos.
Ricardo Guia conta que já não é a primeira vez que ‘O Sempre em Frente’ tem o privilégio de transportar a Senhora da Agonia, o que tem ‘obrigado’ a uma manutenção da embarcação que se sente “protegida pela santa”.
Além de Nossa Senhora da Agonia, são ainda transportados na procissão ao mar e ao rio - um dos números mais emblemáticos das Romaria d'Agonia - as imagens de Nossa Senhora de Monserrate, de São Pedro e da Senhora dos Mares. Este ano, vai também o andor de Nossa Senhora do Minho e o de Frei Bartolomeu dos Mártires que, desde 2015, passou a integrar a procissão.

Trata-se de um dos números mais recentes, mas um dos mais aguardados das Festas de Nossa Senhora d’ Agonia, que este ano completa meio século. Desde 1968 que, sempre a 20 de Agosto, feriado municipal, a procissão se repete, numa demonstração de profunda religiosidade e fé. Porém, em Viana do Castelo, o culto à padroeira dos pescadores conta com uma primeira referência escrita de 1744.
Nas margens, são milhares de pessoas que não perdem este momento alto das festas. Este ano não foi excepção, apesar do calor intenso, milhares de pessoas concentraram-se para ver e saudar a procissão ao mar e ao rio, num magnífico desfile de mais de uma centena de embarcações de pesca e de recreio.

O orgulho de ser da terra e fazer parte da festa são factores que unem as gentes de Viana do Castelo e quem vem de fora. Daniela Gonçalves, é da Ribeira, tem 37 anos, é devota de Nossa Senhora d’ Agonia e sempre participou na procissão. “Amo participar na procissão ao mar. Isto quando se veste uma vez nunca mais se desiste”, confessou. Também Cândida Costa, de 58 anos, emigrante França, decidiu aceitar o desafio da amiga de Viana do Castelo para participar é a primeira vez que participar na procissão. “Estou a adorar. é uma festa muito bonita e é muito emocionante participar”.
Outro momento muito aguardado neste dia é o regresso da procissão à terra. Os homens do mar carregam os andores, percorrendo as cinco ruas e a alameda da ribeira de Viana do Castelo que foram, entusiasticamente, engalanadas com os típicos tapetes de sal, flores e algas que durante a noite anterior decoram as ruas para acolher os andores da procissão.

A Romaria d’Agonia junta-se à história da igreja d’Agonia. Data de 1674 a história da igreja em honra da padroeira dos pescadores. Na altura, foi edificada uma capela em invocação ao Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário e, um pouco acima, uma capelinha devota a Nossa Senhora da Conceição.
Hoje, o nome da santa está associado à rainha das romarias e às múltiplas tradições da maior festa popular de Portugal: a romaria em honra de Nossa Senhora da Agonia, nascida em 1772 da devoção dos homens do mar vindos da Galiza e de todo o litoral português para as celebrações religiosas e pagãs, que ainda hoje são repetidas anualmente na semana do dia 20 de Agosto, feriado municipal.
A Romaria d’Agonia recebeu em 2013 a Declaração de Interesse para o Turismo.
Face à decisão do Governo, a câmara de Viana do Castelo anunciou que a Serenata – fogo tradicionalmente lançado da ponte Eiffel sobre o rio Lima – será realizada no dia 25 à meia-noite.
Esta sessão de fogo de artificio encerra todos os anos a romaria da Agonia.

Bispo de Viana recorda os pescadores de homens: Monsenhor Daniel Machado e Frei Bartolomeu dos Mártires

“Um homem corajoso que deu início às procissão ao mar e ensinou a pescar noutras águas, não apenas nas do mar, mas nas águas da terra, através da fé em Cristo. Monsenhor Daniel Machado tentou seguir esse exemplo de Pedro e dedicar-se nas suas fainas apostólicas na paróquia de Monserrate a encontrar homens e mulheres a sofrer os perigos semelhantes aos que se vivem no mar”, afirmou o Bispo de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira, momentos antes de iniciar a procissão ao mar.
O bispo referiu-se ainda a um outro pescador de homens: Beato Bartolomeu dos Mártires. “Foi alguém que incentivou e ajudou os pescadores do mar, sendo um pescador de homens”, afirmou, lembrando que “a este homem devemos muito como diocese. Foi ele que promoveu Viana do Castelo, vila então e depois concelho e distrito”.

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