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‘O Mundo ao Contrário’ revela “território inventivo e criativo”
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‘O Mundo ao Contrário’ revela “território inventivo e criativo”

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Alto Minho

2018-07-29 às 06h00

José Paulo Silva

Hoje ainda é dia de ‘O Mundo ao Contrário’ em Paredes de Coura. Festival de rua afirma-se na programação da vila do Alto Minho, “território inventivo e criativo que se afirma pela diferença”.

Para ser romancista, poeta, músico, pintor, antes de mais nada é preciso saltar para cima do telhado da casa em que nascemos.’
Aquilino Ribeiro

Sob a inspiração de Aquilino Ribeiro, Paredes de Coura anima-se este fim-de-semana com a conclusão da quinta edição de ‘O Mundo ao Contrário’, uma aposta da Câmara Municipal no formato de festival de rua, ainda pouco experimentado em Portugal mas que já consegue atrair à vila do Alto Minho entre 20 a 30 mil pessoas.
Pequenos e graúdos são seduzidos por uma programação de teatro, música, novo circo, instalações e oficinas que os transportam para o mundo da fantasia, do riso, do risco e do aparente absurdo. Um mundo ao contrário imaginado por artistas nacionais e estrangeiros, em espectáculos de rua em quase permanência desde a tarde de sexta-feira, mas também em residências artísticas, oficinas e na instalação artística de Madalena Martins na rua central de Paredes de Coura, inspirada na mensagem de Aquilino Ribeiro gravada no chão.

O presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, Vítor Paulo Pereira, assume as vertentes pedagógica e lúdica de ‘O ?Mundo ao Contrário’, realçando que o evento que hoje encerra encaixa na estratégia da autarquia em atrair novos residentes ao concelho através do investimento na Educação e na Cultura.
Segundo o edil, ‘O Mundo ao Contrário’ revela “a imagem de um território inventivo e criativo que se afirma pela diferença”, materializando-se esta em projectos como a residência artística que Gonçalo Fonseca, actor do grupo ‘Comédias do Minho’, realizou com jovens courenses e que resultou na apresentação da peça ‘Um Conto ao Contrário’, na noite de sexta-feira, num dos seis palcos desta festa da fantasia.
Rita Nicolau, escritora e ilustradora de livros infantis, participa em ‘O Mundo ao Contrário’ desde a primeira edição. Este ano oferece a oficina ‘Livro do Telhado’, na qual crianças e adultos, “a partir de palavras soltas” elaboram uma pequena narrativa numa publicação que levam para casa.

“A partir da frase de Aquilino Ribeiro criei o conceito dos livros do poeta, do romancista e do pintor”, explica-nos Rita Nicolau, safisfeita com as 450 pequenas edições de autor que saem desta edição de ‘O Mundo ao Contrário’, um projecto que aplaude por ser “muito original” onde “as famílias estão soltas e alegres”. Adianta a escritora e animadora cultural que “aqui as famílias brincam”. E “brincar é a arte do improviso”.
Dani Xavier e Sofia Morais, mentores do projecto ‘Contos e Cantos’, estão ainda a animar a quinta edição de ‘O Mundo ao Contrário’ com várias sessões de histórias para a infância a que muitos adultos também assistiram.
Esta jovem dupla de contadores e cantadores de histórias com recurso à música, ao humor e às metáforas trouxe consigo a ‘Contadeira’, pequena carrinha feita biblioteca itinerante que funcionou como “oficina do livro” fora das horas das sessões de contos.

‘Quem conta um conto muda um ponto’ foi o pretexto que trouxe Dani e Sofia a Paredes de Coura com um projecto que procura valorizar a leitura e o contar de histórias como ferramenta de educação ambiental.
Com muitos espanhóis a assistir à programação de ‘O Mundo ao Contrário’, o presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura revela que a sua autarquia aproveita o facto de a Galiza, estando tão próxima, não ter uma oferta cultural tão “inovadora e agressiva” como o Norte de Portugal.

‘O Mundo ao Contrário’, com uma programação muito direccionada para o público infantil, é apresentado como um festival para as famílias, que anima diversos espaços públicos da vila de Paredes de Coura, que por estes dias palco são palco para manifestações artísticas várias que têm como fio condutor comum a fantasia e o divertimento.
A ‘Fanfarra Bizarra’ desfilou energia pelas ruas da vila, ontem e na sexta-feira, com interpretações muito próprias de sucessos musicais de sempre, de forma menos circense que os ‘Irmãos Esferovite’, que este domingo ainda se mantêm a fazer ‘O Mundo ao Contrário’.

Pedro Santos, um dos cinco músicos da ‘Fanfarra Bizarra’, confessou-se “encantado” com a primeira performance nas ruas de Paredes de Coura de uma formação criada há cerca de três anos e já com “muita estrada” de Norte a Sul do país.
“É a nossa primeira vez em Paredes de Coura e estamos a adorar. As pessoas são muito acolhedoras”, declarou o músico ao ‘Correio do Minho’, recebidos que foram os primeiros aplausos de um segundo dia de actuações em ruas e praças da vila, onde poucos resistiram a uns pés de dança ao ritmo de temas pop dos anos 80.

A oficina ‘Arte em Peças’, da- Comunidade 0937, permite fantasias através de construções Lego na Caixa de Brinquedos, enquanto a ‘Ludothéca’, também instalada no Largo Visconde de Mozelos, junto à Câmara Municipal, proporciona jogos de tabuleiro, outros de grandes dimensões, jogos virtuais e um ciber espaço, fruto de uma geminação entre Paredes de Coura e a cidade francesa de Cenon que agora completa dez anos.
No espaço ‘My Robotic Skils’, ‘O Mundo ao Contrário’ faz-se pela criação de brinquedos robóticos com recurso à impressão 3D.
O festival de rua organizado pela Câmara Municipal de Paredes de Coura surge, assim, na apreciação do presidente da autarquia, como “uma oficina de aprendizagem para os mais novos que também atrai os pais”, criando impacto positivo na economia local, nomeadamente na hotelaria e restauração, cada vez menos dependentes do festival de música, agendado para os dias 15 e 18 de Agosto, evento entendido já como uma verdadeira “indústria” neste concelho do Alto Minho interior e cujo sucesso é, segundo Vítor Paulo Pereira, a prova de que “não é a geografia que determina a realidade, são as pessoas”.

Regulamento de habitação a custos controlados está para breve

A Câmara Municipal de Paredes de Coura vai apresentar antes do final do ano o projecto de construção de duas dezenas de habitações a custos controlados, investimento através do qual pretende fixar 80 novos residentes na sede do concelho.
O presidente Vítor Paulo Pereira adiantou, ontem, ao Correio do Minho que, desde que foi anunciada, no início deste ano, a intenção da autarquia em avançar com a construção de 15 a 20 apartamentos em terreno municipal, surgiram “muitas manifestações de interesse” de famílias na sua aquisição.

O autarca salientou que é preocupação central do executivo municipal elaborar um regulamento de atribuição dos fogos com critérios de selecção que impeçam a sua aquisição para segunda habitação.
“A habitação é um direito constitucional fundamental para fixar as pessoas. E terá de ser mesmo a custos controlados, porque a especulação imobiliária é visível”, sustenta Vítor Paulo Pereira, que quer dar preferência a jovens casais ou a pessoas com início de actividade profissional, em Paredes de Coura, na atribuição dos futuros apartamentos.
O presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura regista a boa integração de muitos emigrantes da Venezuela no território de Paredes de Coura, ocupando postos de trabalho criados recentemente por diversas unidades industriais.

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