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Braga, terça-feira

'Musicando' trabalham-se necessidades educativas especiais
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'Musicando' trabalham-se necessidades educativas especiais

SAD do SC Braga aprova contas de 2017/2018

Braga

2018-05-08 às 06h00

Teresa M. Costa

Uma vez por semana a música invade as unidades especializadas na inclusão de alunos com necessidades educativas especiais e envolve-os nas actividades, trabalhando diferentes competências.

Têm necessidades educativas especiais e alguns até frequentam unidades especializadas em diferentes escolas e jardins de infância do concelho de Braga e, uma vez por semana, é musicando que trabalham competências motoras, cognitivas, sensoriais e até sociais.
O projecto Musicando leva a música às várias unidades que acolhem alunos especiais, numa parceria entre a Cooperativa para o Desenvolvimento Psicossocial de Crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) - Coop21 Especial - e a Câmara Municipal de Braga, através do pelouro da Educação.

O projecto, que resulta de uma candidatura da Coop21 ao Instituto Nacional de Reabilitação, em parceria com a Junta de Freguesia de S. Victor e os Agrupamentos de Escolas Carlos Amarante e D. Maria II, generalizou-se às várias unidades, a partir do corrente ano lectivo, tendo arrancado, a título simbólico, no Dia da Música, a 1 de Outubro de 2017.
A vereadora da Educação, Lídia Dias, reconhece a mais-valia do Musicando não só para os alunos, mas para os professores e técnicos que todos os dias trabalham com eles, justificando a decisão de levar o projecto a todas as unidades especializadas de apoio à inclusão de alunos com NEE.

A música ajuda a desenvolver um conjunto de competências que vão desde a motricidade à atenção, passando pela capacidade de estar em grupo aponta a responsável pelo pelouro da Educação em Braga que destaca a particularidade deste projecto se adaptar às diferentes necessidades e de constituir mais uma ajuda.
Lídia Dias não tem dúvidas de que os ganhos superam o investimento no projecto que, este ano lectivo, chega a 18 turmas, abarcando cerca de uma centena e meia de alunos de diferentes agrupamentos e garante que o Musicando é para continuar.

Precisamos de cada vez mais ajudas admite a directora do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante, Hortense Santos, que reforça: se elas não vierem do Ministério da Educação, têm que vir da comunidade.
O Agrupamento de Escolas Carlos Amarante é uma das entidades promotoras do projecto que, ao nível deste Agrupamento, está a ser trabalhado nas unidades especializadas de apoio a alunos com perturbações do espectro do autismo, complementando outras ofertas que já existem. A experiência mostra que a música é uma área a trabalhar com estes alunos refere Hortense Santos, que dá conta que o primeiro feedback vem logo dos professores.

Um projecto que se adapta às diferentes necessidades

O projecto Musicando possibilita aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) o contacto com a música e com tudo o que ela traz de bom, explica a coordenadora do Gabinete de Apoio à Família da Coop21 Especial, Paula Veras.
A representante da Coop21 Especial realça a adaptação do projecto às diferentes necessidades dos alunos e a tudo o que podemos potenciar nestas crianças, exemplificando com o contacto físico e a interacção nos alunos com perturbações do espectro do autismo ou o desenvolvimento da linguagem no caso dos surdos.
Soraia de Castro, Beatriz Alves e Tiago Horta são os técnicos da Coop 21 Especial que levam o projecto aos vários estabelecimentos de ensino.

Ao ritmo da música e das capacidades

Gosto de brincar
De saltar e rir
Gosto de cantar
De me divertir

O refrão é da canção Gosto de brincar que os alunos do Jardim de Infância (JI) Bracara Augusta envolvidos no projecto Musicando estão a ensaiar para o Dia Mundial da Criança, tal como outros alunos, mas com a particularidade dos ensaios serem em língua gestual portuguesa.
Musicando leva a música à unidade de educação bilingue para surdos do JI Bracara Augusta, uma vez por semana, beneficiando não só os cinco alunos desta unidade, mas também os surdos que estando integrados nas turmas regulares, podem beneficiar deste projecto, abarcando cerca de uma dezena de crianças.
Basta vê-los a ensaiar e a vibrar para perceber o efeito da música nestes alunos.

A professora de Educação Especial, Fátima Salgueiro, sublinha a mais-valia do projecto ao nível da comunicação e da linguagem, mas também no enriquecimento da área da música.
A docente do JI?que é de referência para os alunos surdos realça o trabalho realizado na percepção auditiva, a par do nível rítmico e do conhecimento dos instrumentos musicais, mas também a nível sensorial que é fundamental com estas crianças.
Fátima Salgueiro descreve que, além da surdez, alguns alunos têm outros problemas associados, evidenciando a importância do Musicando que veio enriquecer e muito a dinâmica da sala de aula.
Para Soraia de Castro, uma das técnicas da Coop21 Especial que leva o Musicando às várias escolas, é um desafio trabalhar ao longo da semana com diferentes necessidades.
No caso do JI Bracara Augusta, o desafio é acrescido pela falta de formação em língua gestual. Tem que ser um trabalho conjunto com os professores afirma Soraia de Castro que colhe a recompensa numa experiência muito gratificante.

Música trabalha diferentes competências

Bater os pés, bater nos joelhos e estalar os dedos, ao ritmo da música. É assim que os alunos da EB1 de Gualtar que frequentam a unidade que acolhe as crianças com perturbações do espectro do autismo vão musicando e, ao mesmo tempo, trabalhando os batimentos corporais.
A exploração dos instrumentos musicais é uma actividade comum ao projecto Musicando nas diferentes escolas em que é trabalhado.
No Agrupamento de Escolas de Maximinos, que é de referência para alunos cegos e/ou com baixa visão, o Musicando trabalha mais o auditivo, desafiando a identificar o objecto musical a partir do som, entre outros jogos de discriminação auditiva.

Na EB1 de Gualtar, os instrumentos musicais ajudam a trabalham a motricidade e a coordenação, funções que ajudam depois na escrita, ao mesmo tempo que trabalham competências sociais como esperar pela vez para tocar o instrumento.
Fernanda Cunha, professora de Educação Especial na EB1 de Gualtar, descreve que os alunos conseguem concentrar-se e, apesar de ser pouco tempo - porque é apenas uma vez por semana - é uma actividade que os consegue motivar.
Foi através do Musicando que descobrimos o gosto e capacidade de uma aluna para a música, aponta a docente.

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