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Braga, segunda-feira

Multidão acompanha Passos de Real
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Multidão acompanha Passos de Real

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Braga

2018-03-12 às 06h00

Marta Amaral Caldeira

Majestosa Procissão dos Passos de Real saiu, ontem, apesar da ameaça concretizada da chuva, e foi acompanhada por uma multidão, ao longo do percurso. O momento do encontro entre o Senhor dos Passos e N. Sra. das Dores voltou a ser comovente.

A chuva foi uma ameaça que se concretizou, mas ninguém arredou pé. A Majestosa Procissão dos Passos de Real voltou, ontem, a cumprir-se com toda a solenidade e perante uma multidão de fiéis e devotos que assistiu à sua passagem ao longo de todo o seu percurso.
Uns por promessa, outros pela tradição, uns mais vestidos e outros descalços. Quem integra a tradicional procissão realense fá-lo, acima de tudo, por devoção e pela manutenção de um acto religioso que é, hoje, uma das suas facetas culturais mais emblemáticas.

Ainda antes da hora marcada para a saída da procissão, as irmãs Paula e Anabela Vieira, ambas naturais da freguesia de Real, já se encontravam junto à igreja, representando a Esperança e a Caridade - valores, que, disseram, fazem muita falta nos dias de hoje. Enquanto crianças participámos muitas vezes nesta procissão e, hoje, regressámos para homenagear a nossa mãe, que já partiu, contaram, analisando, por outro lado, que é muito importante as pessoas darem continuidade a esta tradição, porque faz parte das nossas raízes, da nossa cultura.

Aos 16 anos, erguendo as vestes de samaritana, a jovem escuteira Mariana Gonçalves deu o seu testemunho, incentivando outros da sua idade, a participar em actos religiosos como estes, porque só assim se mantém a tradição. Quero, sobretudo, dar o meu exemplo a outros, pois só assim a nossa cultura, religiosa ou outra, perdura no tempo.
As amigas e colegas da EB 2,3 de Real, Andreia e Mariana, vieram juntas para integrar a procissão. Pertencemos a esta freguesia e temos que ajudar a preservar o que é nosso, a nossa tradição.
O cónego José Paulo Abreu foi, este ano, o pregador do sermão do encontro entre o Senhor dos Passos e a Nossa Senhora das Dores - um momento comovente, onde deixou uma mensagem de Paz e um apelo à inter-ajuda. Apontando o dedo crítico à violência que existe no mundo, o pregador pediu mais compreensão e mais responsabilização no sentido de cada um de nós intervir e participar mais na igreja e na sociedade, sobretudo no apoio aos mais fragilizados.

Procissão vai dar azo a museu e potenciar roteiro turístico local

Centenária, comovente e envolvente. Assim é a Procissão dos Passos de Real - uma marca religiosa da freguesia, que se afirma cada vez mais como uma marca cultural e turística do concelho de Braga. A Junta da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe e a paróquia de Real estão, agora, empenhadas em erguer um novo espaço museoló- gico para expôr todo o espólio da Procissão dos Passos de Real.
Ontem, mais uma vez, foram muitas e muitas centenas de fiéis que acompanharam os Passos de Real, uns integrando a procissão e outros assistindo à passagem do seu longo cortejo, encabeçado primeiro pelos escuteiros de Merelim S. Paio e depois com o ritmo mais solene imprimido pela Banda Filarmónica de Cabreiros. A procissão prossegue com várias dezenas de figurantes, encarnando personagens e momentos bíblicos distintos e culminando com o encontro dos ando- res do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores.

Para Francisco Silva, presidente da Junta da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, esta procissão é, antes de mais, uma marca da identidade de Real - que, a seu ver, deve ser potenciada do ponto de vista turístico. Faço questão de marcar presença sempre nesta Majestosa Procissão dos Passos de Real, sendo que é também obrigação da junta manter viva e apoiar esta tradição religiosa e que tanto nos identifica culturalmente, frisou.
O autarca Francisco Silva explicou que dentro de pouco tempo vai avançar a construção da capela mortuária, num terreno junto à igreja, e é também nesse local que se pretende criar um museu de arte sacra, sobre o mote da Procissão dos Passos de Real, onde estarão representadas as 14 estações da via sacra, mas onde se pretende que estejas expostas também as imagens do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores, explicaram o autarca local e o pároco de Real, Hermenegildo Faria.
O nosso grande objectivo é que quem visitar este espaço museológico possa assistir também à procissão, exactamente como ela se realiza ainda hoje, apontou o pároco.

Para o presidente da Junta da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, a construção deste espaço museológico faz parte de um projecto maior que é a criação definita de um Roteiro Turístico entre Real e Tibães, passando pelos seus espaços mais emblemáticos, desde o novo espaço que pretende dar a conhecer aos visitantes a Procissão dos Passos de Real, à Capela de S. Frutuoso, Núcleo Museológico de S. Martinho de Dume e que se espera ainda que possa ficar ligado também ao Mosteiro de Tibães. Estamos empenhados na implementação deste grande roteiro turístico local, que queremos que conste dos roteiros nacionais e internacionais, a fim de valorizarmos e rentabilizarmos este importante património.
Em representação da Câmara de Braga, na procissão, esteve o vereador João Rodrigues, que quanto ao novo museu dos Passos de Real disse ser um projecto com validade.

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