Correio do Minho

Braga, terça-feira

Morreu Altino do Tojal, autor de ‘Os Putos’
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Morreu Altino do Tojal, autor de ‘Os Putos’

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Cávado

2018-07-16 às 20h20

Redacção

O escritor e jornalista bracarense Altino do Tojal, autor da obra ‘Os Putos’, faleceu no ontem à noite em Brunhais, Póvoa de Lanhoso. Trabalhou em diversos jornais e destacou-se na escrita da ficção.

O escritor e jornalista Altino do Tojal morreu no ontem à noite, aos 78 anos, em Brunhais, Póvoa de Lanhoso, Braga. As cerimónias fúnebres realizam-se, quarta-feira, em Sobradelo da Goma, concelho povoense.
De acordo com a fonte familiar do escritor, o velório do autor de ‘Os Putos’ inicia-se na quarta-feira, às 11 horas, e o funeral realiza-se no mesmo dia, às 15 horas, na Igreja de Sobradelo da Goma, Póvoa de Lanhoso. A fonte indicou ainda que o corpo do escritor seguirá depois para o Porto, para ser cremado, “como era a sua vontade”.

Altino do Tojal nasceu a 26 de Julho de 1939, em Braga, onde viveu até aos 27 anos, segundo recordam vários amigos.
Trabalhou em diversos jornais, nomeadamente no ‘Jornal de Notícias’, no lisboeta ‘O Século’, até ao seu encerramento, e depois no ‘Comércio do Porto’.
Destacou-se na escrita de ficção e a sua obra ‘Os Putos’ foi adaptada ao teatro, à televisão e à banda desenhada. A primeira versão deste livro surgiu em 64, com o título ‘Sardinhas e Lua’.
Escreveu igualmente ‘O Oráculo de Jamais’ (1979), ‘Os Novos Putos’ (1982), ‘Orvalho do Oriente’ (1981) e ‘Viagem a Ver o Que Dá’ (1983) .

Nos anos de 2005/2014, a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) retomou títulos do autor, como ‘Ruínas e Gente’, ‘Jogos de Luz e Outros Natais’ e ainda antologias como ‘Noite de Consoada’, ‘Histórias de Macau’ e ‘Os Putos - Contos Escolhidos’. Encetados na década de 1960, ‘Os Putos’ constituíram um projecto que Tojal manteve em curso, durante anos, com histórias de crianças de rua, que o escritor Urbano Tavares Rodrigues definiu como “crianças sós, iludidas, deserdadas”, vítimas da “máquina trituradora dos adultos acomodados à brutalidade, à estupidez pomposa, à intriga reles, ao senhor rei hábito”.
Numa introdução à edição mais recente da INCM, datada de 2014, Altino do Tojal escreveu: “Fez-me bem escrever este livro, conto a conto, durante meio século, porque dei por mim a sublimar dificuldades de sobrevivência e fastios existenciais que, de contrário, exigiriam um estoicismo superior àquilo de que sou capaz”.

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