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Junta de Cavez reclama compensações de barragem de Daivões
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Junta de Cavez reclama compensações de barragem de Daivões

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Vale do Ave

2018-08-22 às 18h42

Redacção

Junta de Cavez acusa Câmara de desviar compensações devidas à freguesia por impactos da barragem. Câmara repudia acusações e diz que esta é “uma campanha de intoxicação dos cavezenses”.

O presidente da Junta de Cavez acusou ontem a Câmara de Cabeceiras de Basto de “estar a desviar” daquela freguesia o dinheiro da compensação pelos impactos e “constrangimentos” que a construção da barragem de Daivões está a provocar.
Em declarações à Lusa, o autarca Paulo Guerra explicou que, num “primeiro momento”, a Câmara, a Junta de Freguesia e a construtora da barragem acordaram fazer um aumento à “mundialmente famosa e aclamada” pista de pesca desportiva da freguesia, que está inoperável durante o decurso do projecto, contudo, “num segundo momento”, as partes chegaram à conclusão que “era mais proveitoso não aumentar a pista, mas aplicar a verba que seria usada para esse efeito, cerca de 2,7 milhões de euros, em obras de beneficiação em Cavez”.

No entanto, segundo Paulo Guerra, o dinheiro transferido por tranches pela construtora - a Iberdrola - “está a ser aplicado em outras freguesias”, pelo que a população “está disposta a protestar até ao fim” pelo cumprimento do referido acordo, estando marcada para a manhã de hoje uma manifestação junto à entrada da obra da barragem de Daivões.
“Para que se tenha uma ideia, dos 400 mil euros transferidos pela Iberdrola em 2018 foram aplicados aqui [na freguesia de Cavez] apenas 100 mil. Com o resto do dinheiro foi feito, por exemplo, o relvado de dois campos noutra freguesia e o nosso campo continua por relvar”, referiu.

Paulo Guerra explicou que até nem está “contra o princípio da solidariedade” e que o dinheiro seja aplicado noutras freguesias, mas “tem que ficar claro” que essas verbas são de Cavez e terão de regressar à junta a que preside.
Para o autarca, a obra da barragem “está a causar muitos constrangimentos à freguesia e é justo que quem é prejudicado seja recompensado”.
“Cavez é a freguesia que está a ser mais prejudicada e ainda por cima há aquele acordo que não está a ser cumprido”, sustentou.
A Lusa tentou contactar, sem sucesso, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Na página oficial da internet da autarquia está, no entanto, publicado um comunicado sobre esta questão, no qual a autarquia refere que “não compreende que a Junta de Freguesia de Cavez e, particularmente, o seu presidente, promovam uma campanha de intoxicação dos Cavezenses, porque baseada em informações falsas, que não correspondem à verdade”.
No texto, a autarquia defende que “a gestão das verbas recebidas pelo município a título de contrapartidas é da exclusiva competência da Câmara municipal que, no exercício das suas atribuições e competências, define e decide quais os investimentos que deverão ser realizados com recurso a estes financiamentos”.

A Câmara de Cabeceiras de Basto diz ainda que “não decorre do acordo celebrado a obrigação de alocar as verbas atribuídas a título de contrapartidas de forma exclusiva ou maioritária à freguesia de Cavez” e que “os investimentos que foram já realizados, ou que estão previstos, e cujas verbas já foram entregues à Câmara Municipal, ou se encontram cativas para o serem, foram investimentos aprovados pelos órgãos autárquicos, designadamente nas Opções e Orçamentos Municipais para os anos de 2016, 2017 e 2018”.

A autarquia acrescenta que, “até ao momento, afetou ou cativou 73% das verbas do referido acordo para obras nos territórios afetados pela construção da barragem”, designadamente, a requalificação do centro urbano da vila de Cavez, beneficiação do sistema de abastecimento de água à freguesia, apoio para arrelvamento do campo de futebol do Grupo Desportivo de Cadez e, entre outros projectos, a ampliação da rede de saneamento de Cadez.
A Iberdrola está a construir as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, no distrito de Vila Real, infra-estruturas inseridas no Sistema Electroprodutor do Tâmega, que é considerado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos e prevê um investimento de 1.500 milhões de euros.

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