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Ensino

2018-03-10 às 06h00

Patrícia Sousa

Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior participou, ontem, na Universidade Católica, numa conferência sobre os desafios e oportunidades do ensino superior. Fernanda Rollo defendeu a responsabilidade social científica.

Daqui a uns anos, acredita a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior não vai haver recursos humanos para trabalhar, tendo em conta a evolução demográfica e o facto de hoje, apenas um em cada três jovens, com 20 anos, estuda. Vivemos uma situação dramática, e essa é a grande preocupação das políticas públicas e do ensino superior, assumiu, ontem, Fernanda Rollo, lamentando que o nível de aban- dono e insucesso escolar seja enorme e para isso tem contribuído aquela ideia peregrina que se instalou que não vale a pena estudar, que é absolutamente criminosa e muito grave.

A falar durante a palestra Ensino superior, tecnologia e emprego: desafios e oportunidades, que se realizou ontem no Centro Regional de Braga da Universidade Católica, Fernanda Rollo admitiu que os contextos sociais e culturais são muito influenciáveis e essa ideia de não estudar é uma asneira da grossa. Até porque, continuou aquela governante, nos próximos anos, 50% das profissões como as vemos hoje, tendem a desaparecer e o trabalho está em mutação e será necessário substituir por outras que exigem diferentes competências e o país não vai ter resposta.
A governante valorizou ainda as competências sociais e culturais (nomeadamente digitais e formação em mais de duas línguas), que obrigam as instituições a completar a formação com oferta formativa. Estamos a desperdiçar uma oportunidade, porque dois terços dos nossos jovens nem vão a jogo e temos 13% de jovens que nem estudam nem trabalham, alertou a secretária de Estado, admitindo que Portugal é seguramente o país onde o acesso ao ensino está mais desequilibrado e é preciso trabalhar mais com a sociedade, nos contextos regionais, poderes locais, escolas e tecido empresarial.

Aqui entre a responsabilidade social científica para com a sociedade. Este é um desafio interessante e exigente para todos os parceiros, destacando-se a importância da formação e educação de base humanista, referiu Fernanda Rollo, admitindo que ainda há um percurso muito difícil. Apesar de se ter avançado muito na formação, na ciência, na investigação e no comunicar o que se aprender ainda existe, de acordo com aquela responsável, uma assimetria complicada, mas é preciso recuperar uma sociedade com graus de literacia frágeis. Há um esforço acrescido e uma necessidade de criar ferramentas que ajudem na apropriação desse conhecimento. E Fernanda Rollo foi mais longe: é preciso convencer os parceiros empresariais que precisam de pessoas bem formadas e ajudar a comunidade a apropriar-se desse conhecimento.

Vive-se hoje uma revolução da era digital e da relação social. Este é outro grande desafio que pode ser uma oportunidade enorme se se conseguir apanhar este mundo, caso contrário, vai aumentar a distância em relação aos outros, chamou a atenção a secretária de Estado, defendendo a ciência aberta. A produção do conhecimento é assustadora e é fundamental partilhar o conhecimento, porque é um bem público e precioso, um bem de todos e para todos. Fernanda Rollo foi peremptória: vivemos neste mundo sem olhar para o lado e é importante que as instituições do ensino superior derrubam os muros e se abram ao mundo e partilhem conhecimento, mas a sociedade também tem de ajudar a derrubar esse muro.

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