Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Hortense Santos: O facto de não ter filiação partidária dá-me outra abertura. Não sou condicionada
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Hortense Santos: O facto de não ter filiação partidária dá-me outra abertura. Não sou condicionada

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Entrevistas

2017-09-20 às 06h00

José Paulo Silva

Hortense Santos, actual presidente da Assembleia Municipal de Braga, recandidata-se ao cargo pela coligação ‘Juntos por Braga’. Confessa que o facto de ser mulher e de não te filiação partidária a ajudou a cumprir esta primeira experiência em cargos políticos. Hortense Lopes dos Santos é licenciada em Geografia e mestre em Ciências da Educação - Administração e Organização Escolar. Exerce actividade docente desde 1983. Actualmente, é directora do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante. Foi titular de vários cargos directivos neste estabelecimento de ensino desde 1999. Em 2013, entrou na vida política, assumindo a presidência da Assembleia Municipal de Braga.

Hortense Santos, actual presidente da Assembleia Municipal de Braga, recandidata-se ao cargo pela coligação ‘Juntos por Braga’. Confessa que o facto de ser mulher e de não te filiação partidária a ajudou a cumprir esta primeira experiência em cargos políticos. Hortense Lopes dos Santos é licenciada em Geografia e mestre em Ciências da Educação - Administração e Organização Escolar. Exerce actividade docente desde 1983. Actualmente, é directora do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante. Foi titular de vários cargos directivos neste estabelecimento de ensino desde 1999.

P - Que balanço faz das expectativas que tinha há quatro anos, quando foi eleita presidente da Assembleia Municipal de Braga, nomeadamente a de aproximar mais os cidadãos deste órgão autárquico? Conseguiu esse objectivo?
R - O balanço que faço é extremamente positivo. Penso que cumpri aquilo a que me propus. Só fizemos duas assembleias fora da cidade Braga, uma em Palmeira e outra em Esporões. Com muita pena, não tive grandes espaços que pudessem alojar a Assembleia Municipal.

P - Essas duas sessões tiveram bastante participação popular. Esse objectivo foi cumprido?
R - Pretendia fazer uma sessão descentralizada por ano. Não o fiz. Esta é uma forma de divulgar o que é que a Assembleia Municipal faz. Ainda se confunde muito a Assembleia com a Câmara Municipal. Algumas pessoas ainda não têm a percepção de que as competências não são as mesmas. A Assembleia Municipal realizada em Palmeira foi especial, porque houve alguns momentos de crispação por via de um conflito entre a Câmara e clubes de futebol.

P - Foi a situação mais complicada que teve de gerir?
R - Mas correu bem. Foi uma sessão muito longa como muitas outras sessões.

P - E não há hipótese de contornar essa situação?
R - A forma de contornar é fazer uma agenda de trabalhos mais pequena. Só que há assuntos que só são tratados em determinado período do ano. Em algumas situações fizemos um acordo em conferência de líderes para que, se chegássemos à 1h00 com a agenda muito atrasada, suspendíamos os trabalhos até à semana seguinte.

P - Nesta tentativa de aproximação da Assembleia Municipal aos cidadãos, o período de intervenção do público passou para o início da ordem de trabalhos e foi instituído o direito de petição. As duas medidas trouxeram resultados positivos?
R - Logo na primeira revisão do regimento da Assembleia Municipal, o período de intervenção do público passou para o início dos trabalhos. Isso fez com que houvesse mais participação. Foi muito importante. O direito de petição foi introduzido mais tarde e deve ser utilizado.

P - A CDU queixa-se da grelha de distribuição dos tempos de intervenção. A actual grelha é equilibrada ou pode ser melhorada?
R - A grelha foi aprovada pelo plenário e teve em conta o número de eleitos por grupo municipal. A representatividade em termos de voto popular não é igual. Devo referir que, de uma maneira geral, ninguém ficou impedido de apresentar as suas ideias por uma questão de tempo.

P - A redução do número de eleitos na Assembleia Municipal por via da redução do número de freguesias não tornou mais ágil a questão dos tempos e da duração das sessões da Assembleia Municipal?
R - O que se verifica é que as intervenções são quase sempre dos líderes municipais, são quase sempre os mesmos a intervir. Uma das situações a melhorar é que os presidentes de Junta de Freguesia possam intervir mais.

P - Até que ponto faz sentido a presença dos presidentes de Junta na Assembleia Municipal?
R - A minha perspectiva é que deve haver maior intervenção dos presidentes de Junta. Não deve ser retirada essa possibilidade, de maneira nenhuma. Também se fala na questão do direito de voto. Sim, devem tê-lo. Não são figuras decorativas. Devem ter direito a participar activamente.

P - Em 2013 iniciou-se nas lides políticas.Passados quatro anos, acha que tem melhores condições para persuadir o poder executivo a dotar a Assembleia Municipal de mais meios técnicos e de um espaço próprio?
R - Sim. Quatro anos deram-me outro conhecimento da vida autárquica e política. Não tinha estas vivências. Pretendo intervir mais.

P -Presumimos que já tenha lido as entrevistas a outros candidatos à Assembleia Municipal de Braga. Como responde a críticas sobre a falta de isenção na condução dos trabalhos por parte da actual Mesa da Assembleia?
R - Não vejo que tenha tido falta de isenção. Só que, às vezes, as pessoas não gostam de serem contrariadas. Estou de consciência tranquila. É evidente que a maioria também tem opinião. Não me lembro de nenhum assunto em que tenha tido falta de isenção. Podem é não ter gostado da minha decisão, mas isso é outra coisa.

P - Ainda está em situação de independência em relação aos partidos políticos?
R - Sim. Pretendo continuar assim.

P - Vê agora a política de forma diferente?
R - O facto de não ter filiação partidária dá-me mais abertura e outra postura. Não sou condicionada. Nem sempre votei conforme o meu grupo na Assembleia Municipal e não tenho nenhum problema com isso. Para termos intervenção política não precisamos de ter filiação partidária. Se não a tive até agora, se calhar não a vou ter no futuro.

P - Mencionava há quatro anos que a sociedade bracarense estava um pouco alheada da vida política. Desde então houve uma mudança significativa?
R - Creio que sim. A maioria da população envolveu-se mais. A comunicação social e as redes sociais beneficiam essa abertura. Com tantas questões que se levantam ao nível do ambiente, da economia ou do envelhecimento da população as pessoas preocupam-se mais.

P - Esses assuntos podem ser objecto de debate na Assembleia Municipal?
R - A Assembleia pode pelo menos promover esse debate. Podemos fazer sessões temáticas com convidados, não para debater questões que venham da Câmara Municipal mas outros temas importantes para a população.

P - A publicitação das decisões da Assembleia Municipal é feita de forma a chegar a todas as pessoas?
R - De facto, deverá haver mais publicitação. Até que porque as actas só ficam disponíveis na sessão seguinte. As actas representam tudo o que se passa na Assembleia.Tem-se falado na transmissão vídeo das sessões das Assembleia. Chegou a ser falada neste mandato, mas as pessoas não se mostraram disponíveis.

P - Essa falta de disponibilidade revela algum receio?
R - Não consideraram muito importante.

P - É uma matéria que pode ser novamente abordada?
R - Sim.

P - Qual é a sua opinião sobre esta questão? É favorável?
R - Sim. Estamos tão habituados às novas tecnologias que não faz sentido a sua não utilização. Há pessoas que não o querem por uma questão de imagem.

P -Mantém a ideia de fazer um parlamento jovem local?
R -Sim, embora isso tenha sido um pouco aproximado com o Parlamento Jovem do pelouro da Juventude da Câmara Municipal. Com o Parlamento Jovem da Assembleia da República, as escolas têm a possibilidade de pedir deslocação de deputados.

P - Os eleitos da Assembleia Municipal também poderiam fazer esse trabalho?
R - Podem.
P - A sua eleição como presidente da Assembleia Municipal criou alguma polémica em 2013, uma vez que a coligaçao ‘Juntos por Braga’ não teve a maioria dos eleitos. Chegou a pensar que não seria eleita?
R - Estava serena. Penso que a novidade de ser mulher e independente deu-me alguma vantagem.Creio que correspondi às expectativas.

P - Qual foi o momento mais difícil que teve neste mandato?
R - A primeira sessão da Assembleia foi particularmente difícil. Era a novata. Penso que houve um forçar de certas situações. Não foi bonito. Se calhar não tive a melhor postura, mas da parte do PS também não a houve. E houve aquela situação desagradável quando o PS abandonou a Assembleia. Acredito que o PS estivesse em grande descontentamento.Tinham perdido a Câmara Municipal e perderam a presidência da Assembleia Municipal.

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