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Alto Minho

2018-07-24 às 06h00

Rui Miguel Graça

O certame era para especialistas e, pela primeira vez em Portugal, reuniram-se brancos de vários pontos da Europa. Entre visitas promocionais, contacto directo entre agentes do universo vinícolas, os Alvarinhos voltaram a mostrar a sua classe.

Foram três dias no Alto Minho, num evento que foi muito mais do que um certame de vinhos. Foi uma viagem pelo universo vinícola da sub-região Monção & Melgaço, com o cunho da Comissão dos Vinhos Verdes e a particularidade de trazer a Portugal alguns brancos de eleição, de países como França, Espanha, Hungria e Alemanha, com especial incidência para Sancerre e Mosel.
Se dúvidas existiam, perderam-se nas diversas provas realizadas e nos encontros vinícolas, bem como no próprio espa- ço do evento, no Parque das Caldas, em Monção, um cenário delicioso na zona ribeirinha.
A acidez e mineralidade dos Alvarinhos, característica natural dos vinhos da região, ao contrário de outros pontos do país que não conseguem alcançar, é, no contexto actual, acompanhado de elegância e um trabalho até com a madeira, algo que há uns anos atrás era impossível. Ao nível aromático os alvarinhos viajam entre a tropicalidade (abacaxi, mangas) e os cítricos (laranja e toranja), algo que o faz um vinho de eleição para esta época do ano, com uma relação preço/qualidade de espantar.

O grupo de trabalho conheceu durante três dias e fez uma viagem de 25 anos à Provam; entrou na essência biológica e ambiental do Soalheiro, cuja estra- tégia e produtos destacam-se em larga escala; conheceram o tubarão Adega de Monção, responsável por facturar 15 milhões de euros por ano e divertiram-se no Parque de diversões de Anselmo Mendes, que está a criar um centro de estudos e experimentação, que ficará pronto até ao final do ano.
Jornalistas e produtores, nacionais e estrangeiros, em comunhão, almoçaram, jantaram juntos, vivenciaram-se experiências, sentiram as vinhas minhotas e, essencialmente, provaram Alvarinhos.
Muitas marcas, projectos, anos distintos e, no final, a imagem que fica é que a frescura minhota é capaz de conquistar a Europa.

A Comissão dos Vinhos Verdes procurou inclusivamente trazer produtores da mesma família, caso dos Rieslings, e de pontos distintos: Áustria, França e Alemanha.
A juntar a isso, Monção abriu as portas do seu Parque das Caldas, numa tenda branca junto à zona ribeirinha, foram promovidos workshops, deixando a sua marca, promovendo a região, e demonstrando que já estão a ser trabalhadas as bases do próximo passo, ou seja, o enoturismo.
A região está a crescer, está a trabalhar em qualidade e de forma evolutiva, o que deixa enormes perspectivas para o futuro.

António Barbosa, presidente da Câmara Municipal de Monção, não tem dúvidas. O fim da exclusividade foi importante para a região e para os produtores a vários níveis, facto que tem impulsionado o sector. Autarcas de Monção e Melgaço estão em comunhão, união de ideias e de esforços, e querem colocar a sub-região no mapa principal dos vinhos mundiais. Impossível? Nem por isso...
António Barbosa vai mesmo avançar a breve prazo para um estudo, para saber quanto é que o sector representa para o seu município e qual a evolução dos últimos anos. São cerca de 30 milhões de euros ano, metade é obra da Adega de Monção, e ao nível de visitantes na Feira do Alvarinho dobrou-se relativamente a 2017.

Manoel Baptista, autarca de Melgaço, anunciou com orgulho e satisfação que a White Experience de 2019 vai realizar-se no seu munícipio, ano dourado para Melgaço, já que alguns certames cumprem datas importantes. Por isso, o próximo ano promete em Melgaço. Esta foi também uma forma de “celebrar o território”, referiu António Barbosa, tal como Manuel Pinheiro, presidente da Comissão dos Vinhos Verdes, ressalvou a existência de “momentos de excelência” para a sub-região e também para “o país”. Manoel Baptista acrescentou mais um ingrediente a esta fórmula de sucesso: “a proximidade entre agentes, desde produtores, autarcas, consumidores e apreciadores”. “É essa ligação que tem vindo a aumentar que tem contribuído para o sucesso dos vinhos da região, concretamente a promoção do vinho Alvarinho de Monção&Melgaço como um dos grandes brancos europeus.

Ao nível de destaques, diga-se que Soalheiro e Anselmo Mendes continuam a ser as duas estrelas principais da constelação, contudo existem já projectos com forte reconhecimento e com trabalhos bastante interessantes: os Santiago, Vale dos Ares e Vallados de Melgaço são três nomes a ter cada vez mais em conta. Mas isso fica ao critério do leitor.

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