Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Braga

2018-09-03 às 06h00

Paula Maia

Feira Rural voltou a mostrar algumas das tradições mais ancestrais da vida campestre, os produtos comercializados e os trajes envergados pelos homens e mulheres do campo. Uma lição de cultura e tradição.

Foi uma autêntica viagem no tempo aquela que o Grupo Folclórico da Associação Cultural e Recreativa Hélios de Figueiredo proporcionou a todos quantos visitaram, ontem, a Feira Rural que completou já a sua quinta edição. Tal como o nome indica, a feira pretendeu mostrar e valorizar as tradições rurais que caracterizam esta freguesia - algumas das quais já se perderam e outras estão também em risco - inserida na Veiga de Penso, uma zona do concelho fortemente ligada à terra.
Quem entrou no recinto do Parque de Lazer da Ribeira dos Prados durante todo o dia de ontem teve oportunidade de recuar no tempo e conhecer algumas das práticas rurais mais ancestrais, os produtos comercializados e até os trajes envergados pelos homens e mulheres do campo.

Ao longo do recinto, eram vários as bancas que davam a conhecer o que de melhor se faz e produz nesta terra, com destaque para os produtos agrícolas, mas não só. O artesanato também marcou a sua presença com a participação de alguns artesãos da localidade, oportunidade para os visitantes poderem apreciar e comprar artigos que são uma verdadeira preciosidade, a maioria deles feitos à mão.
A música, através dos cantares ao desafio, também marcou presença.
Um dos pontos altos do evento foi a preparação da tradicional broa de milho.

O presidente da câmara de Braga, que visitou a feira logo no início da manhã, referiu que esta é uma iniciativa “muito meritória” do Grupo Folclórico Hélios de Figueiredo que “tem apostado na preservação da identidade da comunidade onde está inserida”.
Ricardo Rio recorda que além de preservarem as tradições locais, o grupo tem-nas também divulgado fora das suas fronteiras. “Esse é também um tributo que temos de lhe prestar porque em todas as deslocações procuram demonstrar as suas raízes e isso é algo que deve ser partilhado e assumido por todas as colectividades culturais do nosso concelho”, refere.
Além da Feira Rural, que tem lugar de dois em dois anos, são vários os eventos que este grupo folclórico promove e participa com o objectivo de divulgar as tradições, procurando também envolver os mais jovens de modo a assegurar a sua continuidade. É disso exemplo a recriação da desfolhada que a colectividade tem promovido, uma das tradições mais genuínas do mundo rural, brindando o público com o seu vasto espólio de alfaias agrícolas e que este ano voltará a ser uma realidade.

Colectividade quer Museu Etnográfico para albergar vasto espólio

A caminhar a passado largos para a comemoração dos seus 35 anos, o Grupo Folclórico da Associação Cultural e Recreativa Hélios de Figueiredo é hoje uma dos mais embaixadores do folclore e das tradições culturais minhotas. Além da vertente musical, o grupo é detentor de um vasto espólio de alfaias agrícolas, sendo hoje uma das colectividades mais ricas deste ponto de vista. “Temos muitas alfaias, desde o carro de bois, ao sachador, arado. Temos lavradores que, como já não fazem as terras, deixam-nos os seus materiais”, diz Jaime Ferreira, presidente da direcção do grupo folclórico, avançando que o grupo anseia pela edificação de um Museu Etnográfico onde possa expor todo este espólio para usufruto da população e valorização da freguesia, do concelho e da região. “Vamos transmitir esse anseio ao presidente da câmara”, assegura Jaime Ferreira, dando conta que actualmente o material está guardado numa arrecadação à espera de voltar a ver a luz do dia.

O grupo já tem a promessa de um terreno por parte de um benfeitor, mas o presidente da Junta de Freguesia de Figueiredo avança que a resposta aos anseios desta colectividade deverá passar pela sua instalação numa habitação que foi doada por um cidadão da freguesia a uma outra colectividade da freguesia, a Associação Solidariedade Social Divino Salvador. “Terá que haver alguma cooperação e algum protocolo entre estas duas colectividades”, revela Marco Oliveira que a habitação, que actualmente está vazia, necessita de obras de intervenção.
“O intuito da junta é que as duas colectividades se unam em torno da criação de um Museu Etnográfico”, continua Marco Oliveira, assegurando que este projecto além de poder albergar todo o espólio, desde ao vestuário até às alfaias agrícolas, iria enriquecer também toda a zona envolvente da Veiga de Penso, uma zona marcada pelo seu cariz rural, promovendo-se ainda uma descentralização cultural ao nível concelhio.

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